27 de novembro de 2016

Tempo de Vigiar


A Casa dos Sonhos
«Vamos com alegria para a casa do Senhor!».
Assim canta a Igreja hoje no Salmo Responsorial ao proclamar a alegria de ir ao encontro de Deus, descobrindo que Ele veio primeiro ao nosso encontro e tomando consciência que este desejo de caminhar até Ele é já sinal do Seu amor que no mais íntimo de nós mesmos, nos impele a conhecê-lo e amá-lo.
Por isso, revestidos desta alegria, estamos a iniciar um novo Ano Litúrgico. Começar uma etapa nova é sempre motivo para dar graças a Deus pelo dom do tempo que nos é oferecido como oportunidade de sermos mais e melhor. Mas é também tempo para estabelecer propósitos e compromissos para este tempo novo que se inicia. Quantas mudanças desejamos na nossa vida e atá já dissemos: ‘um dia hei-de começar a fazer assim’; ‘tenho de melhorar neste ou naquele aspecto mas estou a ver qual a melhor oportunidade’. Ora, é precisamente agora o tempo e a oportunidade! Deixemos as palavras de Paulo ganharem forma e concretização na nossa vida: «Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé». Um novo ano litúrgico é uma estrada nova aberta diante de nós. Deixemos o Espírito de Deus agir em nós e operar as maravilhas do Seu amor. Assim, a nossa vida será um rasto de luz que aponta a certeza da espera que hoje iniciamos.
O Ano Litúrgico abre com o tempo de Advento, tempo da alegre espera Daquele que sabemos que vem. A nossa espera é uma espera marcada pela alegria, porque não é uma esperança desencarnada e alienada da realidade, mas precisamente fundada no evento da Encarnação do Verbo. Como dizia esta manhã o papa Francisco na oração do Angelus: «Que este tempo seja sempre tempo de esperança! A esperança verdadeira, fundada na fidelidade de Deus e na nossa responsabilidade».
O Senhor vem! Esta esperança é uma certeza, pois Ele já veio, vem e virá. Já veio na humildade e na fragilidade da nossa natureza, assumindo a nossa humanidade no recém-nascido do presépio de Belém. Vem, porque em cada dia não cessa de vir ao nosso encontro e de operar as maravilhas do Seu amor. Virá no esplendor da Sua glória, como proclamamos no Credo da nossa fé, para instaurar os novos céus e a nova terra. Alegremo-nos e exultemos porque o Senhor vem. E quem espera alguém, prepara a casa e tudo aquilo que é necessário para acolher bem aquele que chega. Por isso, preparemos o nosso coração, pois esse é o lugar onde hoje Jesus quer nascer para nos forjar na escola da arte de amar e nos tornar instrumentos da Sua misericórdia.

Ano Liturgico


Demos início a um novo ano litúrgico, este ano é Ano A.
O ano litúrgico divide-se em duas grandes partes: Mistério da Encarnação e Mistério da redenção.
No tempo em que celebramos o Mistério da Encarnação recordamos a Encarnação do Filho de Deus, que se fez em carne, para nos vir dizer de maneira mais fácil de ser compreendida a Palavra de Deus.
Este tempo está dividido em duas partes: Advento e Natal.
O Advento é o tempo de preparação para o Natal, é um tempo de espera por Aquele que há-de vir, o Messias.
O tempo de Advento são as quatro semanas que antecedem o Natal, a 25 de Dezembro, assim divididas: as 3 primeiras semanas, são de preparação para o encontro que um dia teremos com o Senhor, é assim um tempo de preparação para a nossa morte, um tempo de conversão, de escuta e de oração, como ao longo do Antigo Testamento os profetas recomendavam ao povo que fizesse, enquanto esperava a vinda do Messias. Na última semana, preparamos a celebração festiva do nascimento de Jesus, o presépio, a missa do dia de Natal.
O tempo de Natal começa normalmente com a Missa do Galo, à meia noite de 24 para 25 de Dezembro. No Domingo seguinte, comemora-se o dia da Sagrada Família e oito dias depois do Natal, 1 de Janeiro, comemora-se Santa Maria, Mãe de Deus. No dia 6 de Janeiro é a Epifania do Senhor, ou Dia de Reis, que nos países onde não é feriado se celebra no Domingo a seguir ao dia 1. O Domingo seguinte é aquele em que se celebra o Baptismo do Senhor, encerrando o tempo de Natal e dando início ao Tempo Comum.
Note-se ainda que 6 de Dezembro é o dia em que a Igreja comemora São Nicolau, a que alguns chamam Pai Natal
No dia 8 de Dezembro comemora-se a Imaculada Conceição de Nossa Senhora.
Os oito dias anteriores ao Natal são dedicados à Senhora do Ó. As antífonas do Evangelho da Oração de Véspera iniciam-se por Ó, nestes dias. São os dias de espera pelo parto. Sob a denominação de Senhora do Ó, Maria é representada grávida.
Depois do parto, Maria, Mãe de Deus, é representada a amamentar, sob a denominação de Nossa Senhora do Leite.
No dia 26 de Dezembro é comemorado Santo Estêvão que segundo a tradição terá sido o primeiro mártir cristão.
O dia 27 de Dezembro é dedicado ao evangelista do Amor, São João.

No dia 28 de Dezembro comemoram-se os Santos Inocentes, aqueles que morreram por ordem do rei Herodes que, deste modo, tentava matar Jesus.

19 de novembro de 2016

Ano Santo da Misericórdia


Estamos a chegar ao termo do Ano Santo da Misericórdia. Como em todos os Jubileus celebrados ao longo da história, as razões que os determinaram, as motivações que lhes deram sentido no coração de cada Papa e a bênção que trouxeram à Igreja devem permanecer e continuar para lá do tempo circunscrito da sua realização.
Um ano depois do seu início, sentimos como foi providencial a iniciativa do Papa Francisco, ao convocar este Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Percebemos bem como a Igreja precisava desta lufada de nova missão que irrompe da misericórdia divina, acolhida e traduzida na vida de todos os dias. E não nos surpreende a alma aberta do mundo que acolheu esta iniciativa do Papa Francisco com alargada aprovação e atento interesse. Todos precisávamos deste Jubileu e de quanto ele nos trouxe de bênção, de compaixão e de apelo a vidas transformadas pela misericórdia de Deus e realizadoras das obras de misericórdia.
Trouxe-nos este Jubileu a valorização de uma urgente cultura do encontro, da proximidade, da compaixão e da misericórdia. Abriu à Igreja caminhos novos de uma pastoral próxima, atenta a todos e capaz de fazer chegar a cada pessoa esta certeza única de que Deus nos ama como Pai, rico de misericórdia. Deu a cada um de nós este gosto e esta coragem de sabermos que a porta da misericórdia está sempre aberta para nos conduzir a Deus na procura de reconciliação, de misericórdia, de perdão e de paz. Este Jubileu incentivou-nos a sairmos ao encontro dos irmãos, renovados nas fontes da alegria. Acordou em todos nós e bem para lá de nós o desejo e o dever de praticar as obras de misericórdia, com alegria. E tanto foi feito, mercê da graça de Deus e do acolhimento de quantos acolheram este Ano Santo da Misericórdia com inesgotável alegria e encanto.

Cristo Rei


Damos graças a Deus Pai,
que nos fez dignos de tomar parte
na herança dos santos, na luz divina.
Ele nos libertou do poder das trevas
e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado,
no qual temos a redenção, o perdão dos pecados.
Cristo é a imagem de Deus invisível,
o Primogénito de toda a criatura;
Porque n’Ele foram criadas todas as coisas
no céu e na terra, visíveis e invisíveis,
Tronos e Dominações, Principados e Potestades:
Ele é anterior a todas as coisas
e n’Ele tudo subsiste.
Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo.
Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos;
em tudo Ele tem o primeiro lugar.
Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude
e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas,
estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz,
com todas as criaturas na terra e nos céus.(Col.1 12-20)

• A Festa de Cristo Rei é, também, a festa da soberania de Cristo sobre a comunidade cristã. A Igreja é um corpo, do qual Cristo é a cabeça; é Cristo que reúne os vários membros numa comunidade de irmãos que vivem no amor; é Cristo que a todos alimenta e dá vida; é Cristo o termo dessa caminhada que os crentes fazem ao encontro da vida em plenitude. Esta centralidade de Cristo tem estado sempre presente na reflexão, na catequese e na vida da Igreja? É que muitas vezes falamos mais de autoridade e de obediência do que de Cristo; de castidade, de celibato e de leis canónicas, do que do Evangelho; de dinheiro, de poder e de direitos da Igreja, do que do “Reino”… Cristo é – não em teoria, mas de facto – o centro de referência da Igreja no seu todo e de cada uma das nossas comunidades cristãs em particular? Não damos, às vezes, mais importância às leis feitas pelos homens do que a Cristo? Não há, tantas vezes, “santos”, “santinhos” e “santões” que assumem um valor exagerado na vivência de certos cristãos, e que ocultam ou fazem esquecer o essencial?

10 de novembro de 2016

A tristeza pode ser boa ou má




A tristeza que vem de Deus, diz São Paulo, opera a penitência para a salvação; e a tristeza que vem do mundo opera a morte. A tristeza pode pois ser boa ou má, segundo os efeitos que em nós produz.

É verdade que há mais efeitos maus do que bons; porque só há
dois bons:
1) misericórdia
2) penitência

E seis maus:
1)angústia
2)preguiça
3) indignação
4) inveja
5) impaciência
6) ciúme.

É por isso que diz o sábio: “A tristeza mata muita gente, e nada com ela ganhamos”; porque há dois bons regatos que dele provém, há seis maus.

O inimigo serve-se da tristeza para exercitar a perseverança dos bons; porque, assim como procura alegrar os maus no pecado, procura entristecer os bons nas boas obras; e assim como não pode atrair para o mal senão tornando-o agradável, também não pode afastar do bem, senão tornando-o aborrecido.

O demônio só pede tristeza e melancolia; porque assim como ele está para toda a eternidade triste e melancólico, assim desejaria que todos o estivessem também.
A tristeza má perturba a alma e inquieta-a, incute-lhe temores desregrados, afasta-a da oração; atormenta o cérebro, e priva a alma do conselho, resolução, juízo e coragem, absorvendo-lhe completamente as forças. Em breve tempo estará como um rigoroso inverno, que apaga toda a beleza da terra e atormenta todos os animais; porque priva a alma de toda a consolação e torna impotentes as suas faculdades.

O rei Davi não se queixa só da tristeza, quando diz: “Porque estas triste, minha alma?”, mas somente do custo e da vacilação dizendo: “Porque te perturbas?”
A tristeza boa deixa uma grande paz e tranquilidade no espírito. É por isso que Nosso Senhor, dizendo aos seus apóstolos: “Vós estareis tristes”, acrescenta: “não se perturbe o vosso coração; nada temais”. Eis que a minha grande amargura esta em paz, diz Isaías.
A tristeza má vem como saraiva, com uma mudança inopinada e grandes terrores e impetuosidade, e de repente, sem que se possa dizer donde vem, porque não se deixa adivinhar. Entretanto que a tristeza boa chega docemente à alma, como uma chuva fina, que tempera os ardores das consolações, e com algumas razões precedentes.
A tristeza má perde o coração e atormenta-o tornando-o inútil, fazendo-lhe perder o cuidado das boas obras, como diz o salmista, e como Agar, que deixou o filho debaixo da árvore para chorar.

A tristeza boa dá força e coragem, e não deixa nem abandona um bom desígnio; esta foi a tristeza de Nosso Senhor, que embora fosse a maior que existiu, não lhe impediu a oração nem o cuidado dos seus apóstolos.
E Nossa Senhora, tendo perdido seu filho, ficou muito triste; mas nem por isso deixou de o procurar com diligência, como também fez Madalena, sem se demorar a lamentar-se e chorar inutilmente.

A tristeza pecaminosa obscurece o entendimento, priva as almas de conselho, de resolução e discernimento, como sucede aqueles de quem diz o Salmista que “os perturbaram e abalaram como um ébrio, e ficaram privados de sabedoria”(Salmo CVI, 27). Procuram-se remédios aqui e além, confusamente sem tino e às apalpadelas.
A tristeza santa abre o espírito, torna-o claro e luminoso, e como diz o Salmista, dá inteligência.
A pecaminosa impede a oração e a contemplação, e faz desconfiar da benignidade divina; pelo contrário a santa fortalece-nos na bondade de Deus, e impele-nos a invocar a sua misericórdia.
“As tribulações e angústias perturbaram-me; mas os vossos mandamentos foram a minha meditação”.
Em suma, os que estão possuídos da tristeza pecaminosa mergulham-se em uma infinidade de horrores, erros e temores inúteis, receando ser abandonados por Deus de incorrerem na sua desgraça e de se lhe não apresentaram para lhe pedir perdão.
Tudo lhe parece contrário à sua salvação; são como Caim, que pensava que todos os que encontrava o queriam matar. Julgam que Deus será injusto e severo só com eles por toda a eternidade; pensam que os outros são muito mais felizes do que eles. É da soberba que provém tal crença a qual lhes persuade que deveriam ser muito melhores do que os outros e mais perfeitos do que ninguém.
A tristeza santa, porém discorre assim: “Sou uma criatura miserável, vil, e abjeta: logo Deus usará de misericórdia para comigo; porque a virtude acrisola-se na doença, e não se aflige por ser pobre, miserável.”

Ora o fundamento da oposição que se oferece entre a boa e má tristeza, é que o Espírito Santo é o autor da tristeza santa e por ser o único consolador, as suas operações trazem consigo luz e claridade. Por consequência, essas operações são inseparáveis do verdadeiro bem; porque os frutos do Espírito Santo, diz São Paulo, são: caridade, gozo, paz, paciência, benignidade, longanimidade..
Pelo contrário, o espírito maligno, autor da má tristeza, (porque não aludo à tristeza natural que tem mais necessidade de medicina do que de teologia) é um verdadeiro estrago, tenebroso e aniquilador, e os seus frutos só podem ser: ódio, tristeza, inquietação, pesar, malignidade e desalento. Ora todos os sinais da tristeza má são os mesmos que os do mau temor.

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales via saopiov.org

10 de julho de 2016

O Bom Samaritano




A primeira leitura da liturgia de hoje (Dt30,10-14), fala-nos da maravilha que é possuir uma lei feita por Deus e que, por isso mesmo, leva à Vida. Essa Lei está impregnada no nosso ser.

O Livro do Deuteronómio diz que ela “está ao seu alcance: está na sua boca e no seu coração”. Isso significa que não deveremos ficar presos a um código de regras, de prescrições, mas que nos entreguemos, sem reservas, à promoção da Vida.
No Evangelho, a parábola do Bom Samaritano, contada por Jesus, deixa isso claríssimo. O Mestre dá a essa Lei um nome: misericórdia!
A misericórdia promove a Vida. Ela não faz rodeios para salvar o ser humano.
A Vida está em primeiro lugar. Salvaguardar a Vida, seja de quem for, é a Lei Máxima! E quando se fala em Vida não se restringe à vida física, mas se compreende também a moral, a psíquica, a espiritual.
Fala-se da Vida do Homem. Tudo deve estar subordinado a esse valor, porque Deus é Vida e Ele assim determinou que fosse. Por isso, matar alguém, física ou moralmente é um pecado grave.
Do mesmo modo é desconhecimento da revelação do Amor de Deus, qualquer atitude que demonstre falta de misericórdia. Está escrito: “Quero a misericórdia e não o sacrifício”.
Por que é um samaritano quem pratica a misericórdia na parábola contada por Jesus? Será que Jesus quer simplesmente incomodar os judeus? Não, não é nada disso. Ele até pode ter esse desejo, e certamente o tem, de alertar seus concidadãos. Mas a figura do samaritano, nesta parábola, tem o significado de ser alguém que desconhece um código de leis. Jesus quer destacar que esse homem nascido na Samaria agiu somente por causa de seu coração. Ele teve a sensibilidade de perceber a situação de miséria em que se encontrava o homem assaltado. Ajudou muito para que tivesse compaixão, sua origem samaritana, de marginalizado. Ele se identificou com o pobre coitado e agiu como Deus, isto é, teve compaixão. Segundo Lucas, somente Jesus tem compaixão. É um gesto eminentemente divino! O QUE É MEU É TEU!  QUERO QUE VOCÊ TENHA VIDA!

Podemos apreender o seguinte ensinamento: para alguns, a salvação está no cumprimento das leis; para outros, nos atos realizados dentro de um templo; para o samaritano, está em assumir a Vida e colocar-se a caminho dos que estão sendo privados dela. Ao se solidarizar com o marginalizado, o samaritano encontrou Deus e a verdadeira religião. (Reflexão do Padre Cesar Augusto dos Santos para o XV Domingo do Tempo Comum)

31 de maio de 2016

Visitação de Nossa Senhor


Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? (cf. Lc 1,39-56)

Deus é uma visita permanente que salva, alegra e compromete!
Quem acolhe esta visita de Deus, torna-se um visitador,
um portador de Deus e da alegria, que anda ao sabor do Espírito!
Assim aconteceu com Maria de Nazaré, a Virgem visitada,
que corre ligeira e leve pelas montanhas da Judeia!
Isabel, a escondida agraciada por Deus, na sua velhice,
abre as suas portas à Mãe do seu Senhor,
rejubila com o Messias escondido no seio de Maria
e confirma no seu seio o Precursor que dança de alegria!
Como podemos ficar fechados, nós que fomos tão visitados?
O mundo todo visita a nossa casa, a cada instante,
pela porta da televisão, pela coluna da rádio,
pela janela da internet, pelo espelho do telemóvel...
Há visitas que nos deixam tristes, outras alegres,
umas alimentam a fé, outras o materialismo,
umas despertam compaixão, outras raiva e revolta,
umas geram solidariedade, outras medo ou apatia,
umas comprometem-nos com o bem comum,
outras adormecem-nos no sonho e no passatempo!
São visitas, a maioria virtuais, que não têm o calor do abraço,
o cheiro da intimidade, a beleza da verdade,
o peso da presença, a comunhão dos sentidos!
O verdadeiro encontro mexe com as entranhas,
alimenta o amor, move para novas visitas!
Senhor, louvado sejas pelos sinais do teu amor misericordioso,
no Sol que cada manhã nos visita,
na sinfonia de aves que cantam,
no amigo ou o pobre que nos bate à porta,
na Palavra que ecoa bem fundo como vendaval suave,
na Eucaristia que visita o coração, às vezes desarrumado...
Louvado sejas, ó Maria, por seres Mãe que nos visita,
nos dás alento, nos escutas e conduzes a Jesus!
Faz de nós visitadores que levam a alegria,
transmitem a paz, se tornam presente
e transformam a rotina num tempo especial e evangelizador!
Maria da visitação faz de nós missionários da esperança!
José Augusto Duarte Leitão 

21 de maio de 2016

Solenidade Santíssima Trindade



261 O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Só Deus no-lo pode dar a conhecer, revelando-se como Pai, Filho e Espírito Santo.
262 A Encarnação do Filho de Deus revela que Deus é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial ao Pai, isto é, que ele é o no Pai e com o Pai o mesmo Deus único.
263 A missão do Espírito Santo, enviado pelo Pai em nome do Filho (cf. Jo 14,26) e pelo Filho "de junto do Pai" (Jo 15,26), revela que o Espírito é com ele o mesmo Deus único. "Com o Pai e o Filho é adorado e glorificado".
264 "O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação e pela doação eterna deste último ao filho, do Pai e do Filho em comunhão" (S. Agostinho, Trin. 15,26,47).
265 Pela graça do Batismo "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" somos chamados a compartilhar da vida da Santíssima Trindade, aquí na terra na obscuridade da fé, e para além da morte, na luz eterna (cf. Pablo VI, SPF 9).
266 "A fé católica é esta: que veneremos o único Deus na Trindade e a Trinidade na unidade, não confundindo as pessoas, nem separando a substância; pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, co-eterna la majestade" (Symbolum "Quicumque").
267 Inseparáveis naquilo que são, as pessoas divinas são também inseparáveis naquilo que fazem. Mas na única operação divina cada uma delas manifesta o que lhe é próprio na Trindade, sobretudo nas missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo.(conf.Catecismo da Igreja Católica)

Santissima Trindade

15 de maio de 2016

Pentecostes




A descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos permitiu-lhes falar "outras línguas" (Act.2.4), um fenómeno testemunhado pelos "judeus piedosos provenientes de todas as nações que há debaixo do céu" que se encontravam em Jerusalém. Tratou-se de um milagre de dicção (os Apóstolos a falarem línguas estrangeiras) ou de audição (eles falavam em aramaico, mas cada um compreendia no seu próprio dialecto)? Este fenómeno tem feito correr muita tinta. De todas as formas o que Lucas pretende fazer-nos compreender é: a confusão de línguas, em Babel (Gn.11), tornara os homens incapazes de se entenderem; o Espírito Santo concede agora à sua Igreja o poder de se fazerem compreender por todos os povos.
Em Babel não se compreendiam uns aos outros (Gn,11,7); no Pentecostes, «cada um os ouvia falar na sua língua» (Act.2,6).
O discurso de Pedro é a explicação para o que estava a acontecer. Ele faz referência aos desígnios de Deus tal como foi revelado ao Seu povo.  Pois tudo o que estava a acontecer já tinha sido anunciado por meio do profeta Joel, e das Escrituras. Pedro anuncia-lhes Jesus Cristo, a sua missão, concentrando o seu discurso no mistério da Sua Morte e Ressurreição. Muitos naquele dia acreditaram em Jesus e receberam o baptismo.

Neste capítulo pode-se notar a força e a coragem que o Espírito Santo infundiu nos Apóstolos. Aqueles que antes estavam fechados no Cenáculo, com medo dos judeus, agora anunciam com entusiasmo Jesus Cristo e o Evangelho. Por outro lado o Espírito Santo permite que muitos compreendam e aceitem a pregação dos Apóstolos.

13 de maio de 2016

O primeiro Pentecostes


Os apóstolos recebem o Espírito Santo (Act:2,1-41)

A primeira tarefa dos discípulos foi, simplesmente aguardar, assim lhes tinha ordenado Jesus, pois receberiam o Espírito Santo que lhes daria a força e a coragem para os ajudar na missão que lhes confiara.
Na manhã do primeiro Pentecostes após a Ressurreição, estavam os discípulos reunidos com Maria, mãe de Jesus, subitamente todos ficaram repletos do Espírito Santo. Cada um deles escutou o som de um  vento forte, viu línguas de fogo poisarem sobre si. Começaram a falar várias línguas, de forma que grande parte da multidão que tinha vindo a Jerusalém para celebrar o Pentecostes acorreu para os escutar, e todos eles os entendiam. Por fim, Pedro tomou a palavra e pronunciou o seu primeiro discurso. Nesse dia, Pedro conseguiu converter cerca de 3 000 pessoas que se fizeram baptizar. (conf. Act.2, 1-41)
O dom do Espírito Santo tem uma importância fundamental para o autor dos Actos , porque é a força motivadora de toda a história dos primeiros cristãos.
È o Espírito Santo que:
- faz novos convertidos
- permite que haja milagres
- dá coragem e sabedoria aos chefes da nova Igreja
-  os orienta para iniciativas importantes.


O dom do Espírito Santo ter acontecido na Festa de Pentecostes, festa judaica das semanas (Ex.23,16; Dt.16,10), talvez tenha um significado especial. Esta festa começou por ser uma celebração agrícola, que assinalava o fim da colheita do trigo e a oferta dos primeiros frutos. Mais tarde passou a comemorar a entrega da Tábuas da Lei a Moisés, no Sinai, e a descrição do dia de Pentecostes poderá ser interpretada como o momento em que a Antiga Lei judaica foi substituída pela Nova Aliança em Jesus Cristo, revelada a toda a humanidade pelo dom do Espírito Santo. É a Nova Aliança com o Novo Israel.

7 de maio de 2016

Ascensão de Jesus aos Céus



Os apóstolos continuam a missão de Jesus (Act.1,4-36)

Jesus dá as últimas recomendações aos seus discípulos. Jesus diz-lhes que dêem testemunho d'Ele em Jerusalém, toda a Judeia e  Samaria, até aos confins do mundo. E promete-lhes o envio do Espírito Santo que lhes dará força e coragem para levarem a bom termo a missão que lhes confia. Os discípulos regressam a Jerusalém confiantes e cheios de alegria.
Para Lucas a Ascensão de Jesus é o elo de ligação entre o "tempo de Jesus" e o "tempo da Igreja".
No Evangelho de Lucas, a Ascensão é o ponto final da missão terrestre de Jesus (Lc.24,44-53), nos actos dos Apóstolos a Ascensão é o ponto de partida da missão dos apóstolos (Act.1,4-8).

Lucas situa os grandes acontecimentos da missão  de Jesus na cidade de Jerusalém. Segundo o Evangelho, toda a vida de Jesus,  se orienta para esta cidade. É para Jerusalém que converge toda a missão de Jesus, desde a descrição do seu primeiro acto cultual [Apresentação de Jesus no templo (Lc.2,22)], até ao fim da sua missão terrena [Ascensão (Lc.24,50-54)]. Também nos Actos, é nesta cidade que se inicia a missão dos Apóstolos, a Igreja nasce em Jerusalém e vai espalhar-se  até aos confins da terra. O Livro dos Actos termina quando Paulo chega a Roma, a capital do mundo pagão.

29 de abril de 2016

O concílio de Jerusalém


A Igreja primitiva nasceu, como um rebento, do judaísmo. Seus líderes eram judeus, e a Igreja aproveitava da distribuição das sinagogas pelo mundo romano para fazer, com sucesso, a implantatio ecclesiae. Neste ambiente profundamente judaico, surgiu uma certa teologia segundo a qual, para que alguém se salvasse, deveria, necessariamente, participar da Antiga Aliança, circuncidando-se e observando as antigas leis mosaicas. Tal teologia (chamada de judaizante) tinha uma enorme influência entre os cristãos, difundindo-se, a partir de Jerusalém, por todas as demais igrejas locais. O líder desta facção era, ninguém mais, ninguém menos, do que São Tiago, bispo de Jerusalém e figura proeminente da Igreja primitiva.
No entanto, São Paulo liderava os adeptos de uma outra teologia. Contemplando a história da salvação, ele percebeu que, na verdade, Cristo, ao morrer na Cruz, substituiria toda a Lei Antiga por uma Nova Aliança, realizada em Seu preciosíssimo sangue. Era este sangue, e apenas ele, o penhor de nossa salvação, sendo desnecessário (e, em seu entender, inconveniente) que se observassem os antigos rituais judaicos.
A disputa entre as duas facções, aos poucos, foi se acirrando. Discussões sérias ocorriam. Para resolvê-las, a Igreja primitiva, orientada pelo Espírito Santo, convocou aquele que seria o primeiro Concílio de sua história. Reuniram-se, em Jerusalém (note-se que esta era a diocese de São Tiago), todos os Apóstolos e Anciãos e, sob a direcção de São Pedro, se puseram a discutir a questão.
De um lado, Paulo, Barnabé e seus discípulos expunham a sua ideia. De outro, os companheiros de São Tiago se punham a rebatê-las, certamente encorajados pelo fato de que este combate teológico, realizado em Jerusalém, favorecia a vitória dos judaizantes. Fez-se uma discussão. O momento era dramático para São Paulo, que via cada vez mais distante a possibilidade de que sua tese saísse vencedora.
Foi então que Pedro falou. E com que coragem falou Pedro! Não obstante estar em Jerusalém (onde os judaizantes eram maioria), não obstante a venerável presença de São Tiago, o velho São Pedro pronunciou-se, com assombroso destemor, em favor de São Paulo. Como líder da Igreja, ex-catedra, deu a primeira manifestação solene e infalível de que se tem notícia, afirmando que São Paulo tinha razão, e afastando a necessidade de observância da lei mosaica para a nossa salvação. Como era de se esperar, esta definição dogmática e solene até hoje permanece em vigor, e nunca mais os cristãos tiveram dúvidas a respeito. Veja como São Lucas descreveu este discurso em At. 15,7-11.
Depois disto, falou São Tiago. O mesmo, amante da lei mosaica, propôs, então, algumas normas pastorais de nítida influência judaizante. Veja o seu discurso: At.15, 13-21
Não se pode afastar, por completo, a afirmação de que o objectivo de São Tiago era o de salvar um pouco do judaismo que, com a declaração de São Pedro, se transformava em algo ultrapassado para os cristãos. Como católicos, no entanto, devemos acreditar que, ainda que se tratando de normas pastorais, as mesmas foram inspiradas pelo Espírito Santo e eram de observância obrigatória (como as do Concílio Vaticano II). De facto, a observância das mesmas evitava que os judeus se escandalizassem dos cristãos e fechassem, aos mesmos, as portas das sinagogas. Isto permitiu que a implantatio ecclesiae prosseguisse a partir da distribuição geográfica das mesmas. No entanto, por serem normas meramente pastorais, foram deixadas de lado posteriormente, sem que isto implique em qualquer contradição
Este foi o Concílio de Jerusalém. São Paulo, alegre com a decisão de Pedro, e aceitando as normas pastorais, foi a Antioquia dar a notícia para aquela Igreja.

Assim, a fé cristã não está mais ligada ao judaísmo. Ninguém é obrigado a sujeitar-se a uma «transplantação cultural» para ter acesso ao Evangelho. A Igreja torna-se verdadeiramente universal. Não há dúvida de que as duas grandes tendências, a de Paulo e a de Tiago, continuam no interior da Igreja. Uma luta de influência continua, mas Paulo esforça-se por manter a unidade entre os grupos levando a efeito uma colecta em todo o Império a favor dos cristãos de Jerusalém em dificuldade (Gal.2,10; At.24,17) 

27 de abril de 2016

Assembleia de Jerusalém


(At.15,35-16,10)
Depois da primeira missão de Paulo, nada volta a ser igual. Não mais se tratava de conversões individuais de pagãos (como aconteceu com o eunuco etíope, Act.8,26-40, ou como no do centurião Cornélio At.10,11-18), mas o de saber qual o lugar a dar na Igreja a todas as comunidades.
Depois de Paulo e Barnabé terem regressado da primeira viagem missionária surgiram problemas entre os cristãos. Alguns cristãos judeus vindos da Judeia chegam a Antioquia e começaram a pregar a necessidade da circuncisão, obrigando Paulo e Barnabé a irem a Jerusalém para resolver o problema com a Igreja, então chefiada pelo Apostolo Tiago (At.15,1-21).
Este relato de Lucas é escrito cerca de 25 anos  após a reunião de Jerusalém.
Lucas apresenta-nos de forma solene esta assembleia onde na confrontação, na escuta e no silêncio a decisão crucial é tomada.
Mas, o debate, caloroso, como acontece e, todas as questões referentes à identidade profunda das pessoas, conheceu várias fases em Antioquia e em Jerusalém (At.15,1-29; Gal. 2,1-10). Os partidários da circuncisão parecem ter-se dividido: Para uns, era indispensável, para outros, um aperfeiçoamento para o baptismo.
Lucas esclarece-nos em Act 15; Paulo explica o seu ponto de vista na sua carta Gal 2,1-10.
Lucas mostra-nos como amadureceu na Igreja uma solução conciliadora; Paulo conservou-nos melhor a atmosfera de tensão que foi a de uma assembleia decisiva para o futuro da Igreja.

25 de abril de 2016

São Marcos Evangelista


João Marcos 
Primo de Barnabé, é referido pela primeira vez nos Actos 12,12, serve para identificar a própria mãe, Maria, para casa da qual Pedro se dirigiu, depois de ser milagrosamente libertado da prisão.
Marcos acompanhou o seu primo Barnabé e Paulo, quando eles partiram na sua primeira viagem missionária. Tinham-no trazido de Jerusalém e levado com eles a Antioquia. Partindo com eles para Chipre, nesta primeira missão. Mas quando chegaram a Perga, Marcos deixou-os e regressou a Jerusalém. Esta decisão terá desagradado a Paulo, pois quando Barnabé pediu a Marcos para os acompanhar numa segunda viagem, Paulo recusou. Isto levou a que Paulo cortasse com Barnabé, após «uma violenta discussão» (Act.15,39) entre eles por causa de Marcos. Mas, Marcos deve ter-se reconciliado com Paulo, porque mais tarde é mencionado nas epístolas de Paulo como um dos seus «colaboradores» (Flm 24 ; 2Tm 4,11).
Marcos também esteve associado a Pedro, como podemos ler em 1Pd.5,13. Esta ligação levou Papias (autor cristão do século II ) a propor Marcos como autor do Evangelho que agora tem o seu nome. Segundo esta teoria, Marcos juntou-se a Pedro em Roma, onde registou ou interpretou as palavras de Pedro, que passaram a ser a fonte principal do segundo Evangelho. 

Foi martirizado em Alexandria, no dia da Páscoa, enquanto celebrava o santo sacrifício da Missa, e teve seu corpo arrastado por uma parelha de cavalos, aos 54 anos.
O seu símbolo como evangelista é o leão, a Igreja católica festeja o seu dia em 25 de abril, data em que o evangelista teria sido martirizado.

20 de abril de 2016

Primeira Viagem missionária


Percurso: Antioquia – Chipre – Panfília – Antioquia da Pisidia – Licaónia – Antioquia (Act. 13-14)


A cidade de Antioquia tem um lugar muito importante na vida missionária de Paulo. É aí, que ele encontra uma comunidade bilingue formada por judeus e pagãos convertidos. É aí que toma consciência da necessidade de urgente de pregar em países de língua grega.
Antioquia principal cidade da Síria (ver H.I.XII),  será o ponto de partida para todas as grandes viagens apostólicas e o ponto de chegada para dar acção de graças pela expansão do Evangelho, juntamente com os irmãos na fé.
 O itinerário de Paulo foi determinado pelo Espírito Santo, mas o facto de Barnabé ser cipriota talvez explique a razão de ser Chipre o primeiro porto a que acostaram nesta primeira viagem.
A ilha de Chipre, pátria de Barnabé, (Act.4,36), tinha uma comunidade judaica importante. Paulo tem um primeiro contacto com um acolhedor magistrado romano, o procônsul Sérgio Paulo. Mas também tem que enfrentar-se com um mago de origem judaica, Elimas (13,8). Nessa época havia grande atracção pelas ciências ocultas. Os homens insatisfeitos interiormente voltavam-se para o culto dos mistérios e «mergulhavam», por assim dizer, na magia.
A província da Panfília tinha muitas cidades importantes, e foi em Perga, uma dessas cidades, que Paulo desembarcou juntamente com Barnabé e João Marcos. Contudo, Paulo decidiu avançar para o interior, tendo seguido somente com Barnabé, por ter faltado a coragem ao jovem João Marcos para os acompanhar por caminhos, talvez, agrestes, talvez, perigosos. Seguem até à Pisídia, onde encontram muitas colónias judaicas.
A narração relativa a Antioquia da Pisídia (13,16-41) tem um valor típico. Permite-nos compreender como é que Paulo pregava, que acolhimento recebia e que cisões provocava a sua mensagem. É aqui que Paulo faz o seu primeiro grande discurso.
Lucas dá muita importância a este discurso, feito na sinagoga. Há um certo paralelismo entre o discurso programático de Jesus na sinagoga de Nazaré (Lc.4,18-27) e a pregação de Paulo nesta sinagoga. Em Nazaré, Jesus dirige-se a um público só judeu, Paulo a um público misto, formado por judeus e prosélitos.
O sucesso de Paulo junto dos prosélitos gerou a oposição violenta dos judeus (v.45). Paulo vê nisso o sinal indicado por Deus para a evangelização dos pagãos. Os judeus invejosos expulsam Paulo e Barnabé. Percorrem, então, as cidades da Licaónia, onde os judeus lhes fazem sentir as mesmas dificuldades. Contudo, em Listra acontece-lhes uma aventura singular. Em consequência da cura  de um paralítico, Barnabé  e Paulo são tomados por deuses, Zeus o deus do Olimpo e Hermes o seu porta-voz. Quando Paulo repara no sacrifício que preparam em sua honra, reage com indignação.
Apesar do milagre e aproveitando-se da decepção da multidão perante a recusa de Paulo, o judeus fomentam uma desordem contra ele. Paulo é apedrejado e quase morto. No dia seguinte partem para Derbe, depois de aí anunciarem a Boa Nova, Paulo e Barnabé regressam a Antioquia.

Esta primeira missão marca a grande expansão do Evangelho. Passa para além das fronteiras da Palestina, a Boa Nova chega às ilhas de Chipre e penetra no alto planalto da Anatólia.

16 de abril de 2016

Dia Mundial das Vocações


Pai de misericórdia, que destes o vosso Filho pela nossa salvação e sempre nos sustentais com os dons do vosso Espírito, concedei-nos comunidades cristãs vivas, fervorosas e felizes, que sejam fontes de vida fraterna e suscitem nos jovens o desejo de se consagrarem a Vós e à evangelização. Sustentai-as no seu compromisso de propor uma adequada catequese vocacional e caminhos de especial consagração. Dai sabedoria para o necessário discernimento vocacional, de modo que, em tudo, resplandeça a grandeza do vosso amor misericordioso. Maria, Mãe e educadora de Jesus, interceda por cada comunidade cristã, para que, tornada fecunda pelo Espírito Santo, seja fonte de vocações autênticas para o serviço do povo santo de Deus.
Papa Francisco

15 de abril de 2016

Missão de Paulo e Barnabé na Ásia



A partir do capítulo 13 dos Atos dos Apóstolos, começa uma nova etapa na vida da comunidade cristã. Até aqui, Lucas centrava os acontecimentos em Pedro. Daqui em diante, Pedro vai desaparecendo progressivamente da sua narração e surge Paulo que passa a estar em lugar de destaque.
Paulo chamado o apóstolos dos gentios, percorreu muitos lugares, conheceu muitas gentes, levou o Evangelho até aos confins do mundo.
As viagens de Paulo levaram-no a percorrer as províncias romanas, numa época em que o império atingira quase a sua maior extensão e tinha-se criado um estado pacífico e estável com os reinados dos imperadores Augusto, Tibério e Cláudio. 
Viajar no interior do Império era fácil e seguro, graças ao sistema de estradas pavimentadas que ligavam as províncias e cidades principais, bem como às diversas rotas marítimas. Toda esta mobilidade era factor de desenvolvimento na zona mediterrânica. Paulo e os seus companheiros viajaram muitas vezes por estrada e por mar, servindo-se destas vias romanas.
Segundo os Actos, Paulo contactava frequentemente com os organismos de administração romana. Como cidadão romano manteve conversações com altos funcionários do império, como Galião, o procônsul de Acaia; o estadista e filosofo  Séneca (At. 18); Sérgio Paulo, o procônsul de Chipre (At 13); entre outros procuradores, governadores de província e administradores locais.
Paulo levou o Evangelho principalmente às cidades de língua grega do Mediterrâneo Oriental, e foi aí que o cristianismo se implantou com mais êxito.
Antioquia será o ponto de partida para todas as grandes viagens apostólicas de Paulo, e aí voltará sempre para dar acção de graças pela expansão do Evangelho.
A Igreja chegou a Antioquia levada pelos judeus helenistas depois da perseguição que levou à morte de Estêvão. Os helenistas foram expulsos de Jerusalém e estabeleceram-se em Antioquia. Aí pregam e convertem muitos gregos. A Igreja começava a crescer fora de Jerusalém. Este crescimento chega até aos ouvidos dos apóstolos que decidem enviar Barnabé para constatar a evangelização. Ele reconhece a obra de Deus e vai procurar Paulo a Tarso para ambos animarem esta comunidade durante um ano.
Mas Barnabé e Paulo não ficaram por aqui, vão ser protagonistas de uma etapa decisiva na expansão da Igreja através de uma missão na Ásia Menor. E é o Espírito Santo que toma directamente a iniciativa. (At.13,2) e os envia em missão. É Deus que age com eles.  Durante uma vigília de oração, o Espírito Santo pede à Igreja  que envie Barnabé Paulo em missão (v.2).

A cerimónia da saída em missão é marcada por uma imposição colectiva das mãos. Toda a comunidade se sente solidária com os missionários.

8 de abril de 2016

Os primeiros cristãos



A forma de viver dos primeiros cristãos agradava ao povo, pois tinham grande simpatia por eles. E todos os milagres e prodígios que os Apóstolos realizavam, faziam aumentar o número de crentes.
Mas nem todos estavam satisfeitos com esta situação.
Os primeiros cristãos são judeus. Continuam a comportar-se como judeus (vão ao Templo, respeitam o Sábado, cumprem a Lei, fazem a circuncisão). Mas formam um grupo à parte.
Nesse tempo no judaísmo havia muitas correntes: os saduceus, os fariseus, os zelotes, os assénios,...

Saduceus pertenciam uma situação social mais elevada. Eram influentes, todos os cargos de importância nacional quer de estado ou religião, estavam nas suas mãos. O seu comportamento era materialista. Conservadores no que respeita às ideias religiosas, eram fechados à novidade

Fariseus pertenciam à classe média. Não tinham muito dinheiro, mas possuíam o saber e o povo via neles os seus guias espirituais Eram especialistas e fieis à Lei. Estavam abertos a novas ideias esta atitude fez com que certos fariseus favorecessem o desenvolvimento da primeira comunidade de Jerusalém.

O Sinédrio - Era o conselho (ou colégio) dos mais altos magistrados do povo de Israel. Era constituído por 71 membros, pertencentes a três classes de pessoas: os anciãos (representantes da aristocracia laica), os Sumo Sacerdotes normalmente saduceus) e alguns escribas (fariseus). Era presidido pelo Sumo Sacerdote, reunia duas vezes por semana. Gozava de poder político, judicial e religioso.

O Templo de Jerusalém - é o centro de toda a religiosidade e de toda a vida do povo judeu. Era o centro comercial e financeiro de Jerusalém, por causa do grande movimento de peregrinos e centro de encontro de todos os judeus procedentes tanto da Palestina como da Diáspora. Constituía assim a sede da suprema autoridade política e religiosa entre os judeus.

No seu ensino, os apóstolos denunciavam a morte de Jesus, pondo em causa o julgamento feito pelos sumos sacerdotes, os quais tinham condenado Jesus à morte. Esta forma de anunciar opõem-se à maneira de ver dos saduceus, que consideram esta acção perigosa. Então a reacção não se fez esperar. Os Apóstolos são presos, intimidados, açoitados e proibidos de ensinar, talvez com receio do povo, são postos de novo em liberdade. Mas eles não desistem. Continuam a ensinar no Templo (espaço dos judaico) e nas casas (novo espaço dos cristãos). E assim o número dos crentes não parava  aumentar.
Ao longo doa Actos dos Apóstolos encontramos muitas perseguições:

Os Apóstolos eram presos, o que em vez dos enfraquecer aumentava a sua audácia e em vez de produzir medo aumentava o número de crentes.

6 de abril de 2016

As perseguições aos Apóstolos


Os Atos contam muitas vezes as perseguições dos Apóstolos e dos crentes de Jesus Cristo. A primeira teve lugar depois da cura do doente na porta Formosa do Templo (At.4,1-31). A Segunda é evocada no texto, sobre o qual nos debruçamos mais acima, (At.5, 17-42).
Mas Lucas não se limita a contar as perseguições, indica o seu sentido e a sua eficácia.
-           Os Apóstolos são presos, não ficam lá. São libertados quer pela decisão do tribunal (Sinédrio), quer por acontecimentos extraordinários, que Lucas apresenta como intervenção do Anjo do Senhor (At.5,17-20;  12,7-10;  16,25-26).
-           A perseguição em vez de enfraquecer os apóstolos aumenta a sua audácia. Ficam felizes por terem sofrido por Jesus Cristo. Apesar de correrem o risco de serem de novo presos, não desistem e continuam a anunciar a Boa Nova de Cristo.
-           A perseguição poderia ter provocado medo e diminuir o número dos crentes em Jesus Cristo, mas Lucas mostra o contrário, o número aumentava cada vez mais (At. 5,14).

Os cristãos aos quais Lucas se dirige, por volta do ano 80, já sofreram ou ouviram falar de perseguições pelas autoridades judaicas e romanas. A narração de Lucas fá-los ganhar coragem para enfrentar novas perseguições e continuarem cada vez mais audazes a «ensinar e anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo».

3 de abril de 2016

São Tomé

São Tomé foi um dos doze apóstolos de Jesus. Durante a última Ceia perguntou a Jesus sobre o caminho que leva ao Pai, Jesus respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
São Tomé era judeu de nascimento. Estava ausente no momento em que Cristo reapareceu aos discípulos. Exigiu provas materiais da ressurreição, por isso, Jesus ressurgiu e pediu-lhe que tocasse em suas chagas. Carpinteiro de origem é frequentemente citado em passagens do Novo Testamento, nos quatro evangelhos.
O Evangelho de São João dá-lhe grande destaque. João cita que ele incitou os discípulos a seguir Jesus e a morrer com ele na Judeia dizendo então aos discípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele! Perguntou a Jesus, durante a Última Ceia, sobre o caminho que conduz ao Pai: "Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?" Diz-lhe Jesus: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim".
São Tomé tinha temperamento audacioso e cheio de generosidade, percorreu as etapas da fé e professou que Jesus era realmente Deus e Senhor. Ausente na primeira aparição duvidou dos colegas que Jesus tivesse voltado. Oito dias depois, achavam-se os discípulos, de novo, dentro de casa, e o ascetista estava com eles. Jesus veio, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!".
E lhe disse depois: Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e as coloca do meu lado e não sejas incrédulo, mas crê! O apóstolo incrédulo respondeu "Meu Senhor e meu Deus!", tornando-se o primeiro dos apóstolos a se dirigir a Jesus nestes termos. Ninguém até aquele momento, nem mesmo Pedro e João, havia pronunciado a palavra Deus dirigindo-se a Jesus.
Era o terceiro apóstolo em idade depois de Pedro, mas ao contrário deste não era casado, assim como Bartolomeu, André, Simão, Judas e o próprio Jesus. Segundo as escrituras foi em resposta a ele que Jesus introduziu o mistério trinitário: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vocês me conhecem, conhecerão também meu Pai...". Segundo o bispo Eusébio de Cesareia, do século IV, depois da morte de Jesus, o discípulo evangelizou a Pátria e, pela tradição cristã posterior, estendeu seu apostolado à Pérsia e à Índia, onde é reconhecido como fundador da Igreja dos Cristãos Sírios Malabares ou Igreja dos Cristãos de São Tomé.
Consta que foi martirizado e morto pelo rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, onde ficam o monte São Tomé e a catedral de mesmo nome, supostamente local de seu sepultamento. Historiadores acreditam que o apóstolo foi morto a flechadas, quando orava. Sucumbiu como líder e mártir, como o crente fiel que Jesus lhe pediu.

Suas relíquias foram venerados na Síria e, depois, levadas para o Ocidente e preservadas em Ortona, na Itália. É festejado pelos católicos em 3 de julho

1 de abril de 2016

Círio Pascal


O Círio Pascal estará acesso por quarenta dias para nos  lembrar este Tempo Pascal. A grande vela acesa simboliza o Senhor Ressuscitado. É o símbolo mais destacado do Tempo Pascal. A palavra “círio” vem do latim “cereus”, de cera. O produto das abelhas. O círio mais importante é o que é aceso na vigília Pascal como símbolo de Cristo – Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado. O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília, por isso ele traz uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Ômega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem em sua cera incrustado cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz.

O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do Tempo Pascal, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o tempo Pascal, convém que o Círio seja dignamente conservado no batistério. O Círio Pascal também é usado durante os batismos e as exéquias, quer dizer no princípio e o término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.

30 de março de 2016

Oitava da Páscoa


A seguir ao  domingo de Páscoa a Igreja vive o Tempo Pascal; são sete semanas em que celebra a presença de Jesus Cristo Ressuscitado entre os Apóstolos, dando-lhes as suas últimas instruções (At1,2). Quarenta dias depois da Ressurreição Jesus teve a sua Ascensão ao Céu, e ao final dos 49 dias enviou o Espírito Santo sobre a Igreja reunida no Cenáculo com a Virgem Maria. É o coroamento da Páscoa. O Espírito Santo dado à Igreja é o grande dom do Cristo glorioso.
O Tempo Pascal compreende esses cinquenta dias, vividos e celebrados “como um só dia
A primeira semana é a “oitava da Páscoa”. Ela termina com o domingo da oitava, chamado “in albis”, porque nesse dia os recém batizados tiravam as vestes brancas recebidas no dia do Batismo.
Este é o Tempo litúrgico mais forte de todo o ano. É a Páscoa (passagem) de Cristo da morte à vida, a sua existência definitiva e gloriosa. É a Páscoa também da Igreja, seu Corpo. No dia de Pentecostes a Igreja é introduzida na “vida nova” do Reino de Deus. Daí para frente o Espírito Santo guiará e assistirá a Igreja em sua missão de salvar o mundo, até que o Senhor volte no Último Dia.
Nos primórdios, a Igreja começou a celebrar as sete semanas do Tempo Pascal, para “prolongar a alegria da Ressurreição” até a grande festa de Pentecostes. Esse tempo deve ser vivido na expetativa da vinda do Espírito Santo; deve ser o tempo de um longo Cenáculo de oração confiante.
Nestes cinquenta dias de Tempo Pascal, e, de modo especial na Oitava da Páscoa, o Círio Pascal é aceso em todas as celebrações, até o domingo de Pentecostes. Ele simboliza o Cristo ressuscitado no meio da Igreja. 
Os vários domingos do Tempo Pascal não se chamam, por exemplo, “terceiro domingo depois da Páscoa”, mas “III domingo de Páscoa”. As leituras da Palavra de Deus dos oito domingos deste Tempo na Santa Missa estão voltados para a Ressurreição. A primeira leitura é sempre dos Atos dos Apóstolos, as ações da Igreja primitiva, que no meio de perseguições anunciou o Senhor ressuscitado e o seu Reino, com destemor e alegria.
A Igreja deseja que nos oito dias de Páscoa (Oitava de Páscoa) vivamos o mesmo espírito do domingo da Ressurreição, colhendo as mesmas graças. Assim, a Igreja prolonga a Páscoa, com a intenção de que “o tempo especial de graças” que significa a Páscoa, se estenda por oito dias, e o povo de Deus possa beber mais copiosamente, e por mais tempo, as graças de Deus neste tempo favorável.
Mas, só pode se beneficiar dessas graças abundantes e especiais, aqueles que têm sede, que conhecem, que acreditam, e que pedem. É uma lei de Deus, quem não pede não recebe. E só recebe quem pede com fé, esperança, confiança e humildade.
As mesmas graças e bênçãos da Páscoa que se estendem até o final da Oitava.
(adap.Prof. Felipe Aquino)