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5 de abril de 2008

A caminho de Emaús


Os discípulos de Emaús convidam aquele “viajante” a ficar com eles, e apenas o reconhecem na “fracção do pão” e correm a contá-lo aos Onze, porque Ele, antes, lhes abriu os olhos da fé com a interpretação das Escrituras e lhes aqueceu o coração com o entendimento dos mistérios da Palavra de Deus.

Sem a luz da fé que nos vem das Escrituras, não podemos compreender o mistério da Eucaristia, nem entrar em comunhão com o Deus; e, sem isso, não há celebração do sacramento nem vida eucarística.
Esta passagem supõe uma experiência de vida eucarística da comunidade de Lucas, precedida e acompanhada pelo «ensino dos Apóstolos» e de outros «Servidores da Palavra» (Act 2,42; Lc 1,2) e seguida de solidariedade e partilha e um grande zelo apostólico (Act 4,32-33)
A Eucaristia é luz antes de mais nada porque, em cada Missa, a liturgia da Palavra de Deus precede a liturgia Eucarística, na unidade das duas “mesas” – a da Palavra e a do Pão.
É da Palavra que nos vem a fé (Rm 10,17), necessária para acolher e celebrar o sacramento da Eucaristia.

20 de março de 2008

Ceia do Senhor


Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem início o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.

É comemorada a instituição dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-pés).

A simbologia do sacrifício é expressa pela separação dos dois elementos "o pão" e "o vinho". Esse evento do mistério de Jesus também se tornou manifesto no gesto do lava-pés. Depois do longo silêncio quaresmal, a liturgia canta o Glória.

No final da Missa, o Santíssimo Sacramento é trasladado para um outro local, desnudando-se então os altares.


A transladação do Santíssimo
A transladação do Santíssimo, na quinta-feira santa, tem notícias históricas desde o século II.
Irineu de Lião (+ 200) escreve que muitos fiéis jejuavam 40 horas antes de participar da Vigília Pascal, em comemoração das 40 horas que Jesus teria ficado no sepulcro. Algumas citações bíblicas, como Lc 5,35, serviam de argumento para explicar que este jejum tinha a finalidade de homenagear o esposo que havia sido tirado do meio da Igreja. Outro costume litúrgico diz que, na antiguidade, as sagradas espécies que sobravam da missa de quinta-feira santa, eram guardadas na sacristia, em uma teca. Depois, o pão e o vinho consagrados eram apresentados ao presidente da celebração que o misturava com o vinho consagrado da missa da Vigília Pascal. Era um rito muito simples e não contemplava uma adoração como continuação da Missa da Ceia do Senhor.

Actualmente, o Santíssimo é transladado solenemente em procissão para uma capela lateral ou para um dos altares laterais da igreja, devidamente preparado para receber o santíssimo.
Antes da transladação, o sacerdote prepara o turíbulo e incensa o Santíssimo três vezes. Depois, realiza-se uma pequena procissão dentro da igreja, que é precedida pelo cruciferário (pessoa que leva a cruz processional), velas e incenso. Durante a procissão, canta-se o "Pange Lingua", traduzido em português, "Vamos todos...", exceto as duas últimas estrofes, "tantum ergo" (tão sublime sacramento...) que são cantadas depois da chegada do procissão na capela lateral, onde ficará o Santíssimo.
Após a transladação, a comunidade é convidada a permanecer em adoração solene até meia noite; após este horário, a adoração é simples e silenciosa. O significado é de ação de graças pela eucaristia e pela salvação que celebramos nestes dias do Tríduo Pascal.

Desnudação do altar
A desnudação do altar (denudatio altaris), ou despojamento, é um rito antigo, já mencionado por Santo Isidoro no século VII, que fala da desnudação como um gesto que acontecia na quinta-feira santa.
O sacerdote, ajudado por dois ministros, remove as toalhas e os demais ornamentos e enfeites dos altares que ficam assim desnudados até a Vigilia Pascal. No antigo rito, durante a desnudação recitava-se um trecho de um salmo. O gesto da desnudação do altar tinha o significado alegórico da nudez com a qual Cristo foi crucificado.

O rito atual é realizado de modo muito simples, após a missa. Feito em silêncio e sem a participação da assembléia. As orientações do Missal Romano pedem que sejam retiradas as toalhas do altar e, se possível, as cruzes da igreja. Caso isso não seja possível, orienta o Missal que convém velar as cruzes e as imagens que não possam ser retiradas.(Cf. Missal Romano, p. 253, n. 19).
O significado é o silêncio respeitoso da Igreja que faz memória de Jesus que sofre a Paixão e sua morte de Jesus, por isso, despoja-se de tudo o que possa manifestar festa.

24 de março de 2006

Eucaristia e Catequese

Ao ler um discurso do Papa Bento XVI, gostaria de o partilhar. Era sobre perguntas feitas por crianças que tinham feito a Primeira Comunhão. Entre essas perguntas, algumas me fizeram pensar, como por simples palavras se pode explicar o que por vezes é difícil de entender.
Livia: "Santo Padre, antes do dia da minha Primeira Comunhão confessei-me. Depois, confessei-me outras vezes. Mas, gostaria de te perguntar: devo confessar-me cada vez que recebo a Comunhão? Mesmo quando cometo os mesmos pecados? Porque eu sei que são sempre os mesmos".

BentoXVI: Diria duas coisas: a primeira, naturalmente, é que não te deves confessar sempre antes da Comunhão, se não cometeste pecados graves que necessitam ser confessados. Portanto, não é preciso confessar-te antes de cada Comunhão eucarística. Este é o primeiro ponto. É necessário somente no caso em que cometes um pecado realmente grave, que ofendes profundamente Jesus, de forma que a amizade é destruída e deves começar novamente. Apenas neste caso, quando se está em pecado "mortal", isto é, grave, é necessário confessar-se antes da Comunhão. Este é o primeiro ponto. O segundo: embora, como disse, não é necessário confessar-se antes de cada Comunhão, é muito útil confessar-se com uma certa regularidade. É verdade, geralmente, os nossos pecados são sempre os mesmos, mas fazemos limpeza das nossas habitações, dos nossos quartos, pelo menos uma vez por semana, embora a sujidade é sempre a mesma. Para viver na limpeza, para recomeçar; se não, talvez a sujeira não possa ser vista, mas se acumula. O mesmo vale para a alma, por mim mesmo, se não me confesso a alma permanece descuidada e, no fim, fico satisfeito comigo mesmo e não compreendo que me devo esforçar para ser melhor, que devo ir em frente. E esta limpeza da alma, que Jesus nos dá no Sacramento da Confissão, ajuda-nos a ter uma consciência mais ágil, mais aberta e também de amadurecer espiritualmente e como pessoa humana. Portanto, duas coisas: confessar é necessário somente em caso de pecado grave, mas é muito útil confessar regularmente para cultivar a pureza, a beleza da alma e ir aos poucos amadurecendo na vida.
Andrea: "A minha catequista, ao preparar-me para o dia da minha Primeira Comunhão, disse-me que Jesus está presente na Eucaristia. Mas como? Eu não o vejo!".

Bento XVI: Sim, não o vemos, mas existem tantas coisas que não vemos e que existem e são essenciais. Por exemplo, não vemos a nossa razão, contudo temos a razão. Não vemos a nossa inteligência e temo-la. Não vemos, numa palavra, a nossa alma e todavia ela existe e vemos os seus efeitos, pois podemos falar, pensar, decidir, etc... Assim também não vemos, por exemplo, a corrente eléctrica, mas sabemos que existe, vemos este microfone como funciona; vemos as luzes. Numa palavra, precisamente, as coisas mais profundas, que sustentam realmente a vida e o mundo, não as vemos, mas podemos ver, sentir os efeitos. A electricidade, a corrente não as vemos, mas a luz sim. E assim por diante. Desse modo, também o Senhor ressuscitado não o vemos com os nossos olhos, mas vemos que onde está Jesus, os homens mudam, tornam-se melhores. Cria-se uma maior capacidade de paz, de reconciliação, etc... Portanto, não vemos o próprio Senhor, mas vemos os efeitos: assim podemos entender que Jesus está presente. Como disse, precisamente as coisas invisíveis são as mais profundas e importantes. Vamos, então, ao encontro deste Senhor invisível, mas forte, que nos ajuda a viver bem.
Giulia: "Santidade, dizem-nos que é importante ir à Missa aos domingos. Nós iríamos com gosto mas, frequentemente, os nossos pais não nos acompanham porque aos domingos dormem, o pai e a mãe de um amigo meu trabalham numa loja e nós, geralmente, vamos fora da cidade visitar os avós. Podes dizer-lhes uma palavra para que entendam que é importante ir à Missa juntos, todos os domingos?".

Bento XVI:Claro que sim, naturalmente, com grande amor, com grande respeito pelos pais que, certamente, têm muitas coisas a fazer. Contudo, com o respeito e o amor de uma filha, pode-se dizer: querida mãe, querido pai, seria tão importante para todos nós, também para ti, encontrarmo-nos com Jesus. Isto enriquece-nos, traz um elemento importante para a nossa vida. Juntos encontramos um pouco de tempo, podemos encontrar uma possibilidade. Talvez até onde mora a avó há uma possibilidade. Numa palavra diria, com grande amor e respeito pelos pais, diria-lhes: "Entendei que isto não é importante só para mim, não o dizem somente os catequistas, é importante para todos nós; e será uma luz do domingo para toda a nossa família".
Alessandro: "Para que serve ir à Santa Missa e receber a Comunhão para a vida de todos os dias?".

Bento XVI:Serve para encontrar o centro da vida. Nós vivemos entre tantas coisas. E as pessoas que não vão à igreja não sabem que lhes falta precisamente Jesus. Sentem, contudo, que falta algo na sua vida. Se Deus permanece ausente na minha vida, se Jesus não faz parte da minha vida, falta-me um guia, falta-me uma amizade essencial, falta-me também uma alegria que é importante para a vida. A força também de crescer como homem, de superar os meus vícios e de amadurecer humanamente. Portanto, não vemos imediatamente o efeito de estar com Jesus quando vamos à Comunhão; vê-se com o tempo. Assim como, no decorrer das semanas, dos anos, se sente cada vez mais a ausência de Deus, a ausência de Jesus. É uma lacuna fundamental e destrutiva. Poderia falar agora facilmente dos países onde o ateísmo governou por anos; como as almas foram destruídas, e também a terra; e assim podemos ver que é importante, aliás, diria, fundamental, nutrir-se de Jesus na comunhão. É Ele que nos dá a luz, nos oferece a guia para a nossa vida, uma guia da qual temos necessidade.
Anna: "Caro Papa, poderias explicar-nos o que Jesus queria dizer quando disse ao povo que o seguia: "Eu sou o pão da vida"?".

Bento XVI:Então deveríamos talvez, antes de tudo, esclarecer o que é o pão. Hoje nós temos uma cozinha requintada e rica de diversíssimos pratos, mas nas situações mais simples o pão é o fundamento da nutrição e se Jesus se chama o pão da vida, o pão é, digamos, a sigla, uma abreviação para todo o nutrimento. E como temos necessidade de nos nutrir corporalmente para viver, assim como o espírito, a alma em nós, a vontade, tem necessidade de se nutrir. Nós, como pessoas humanas, não temos somente um corpo, mas também uma alma; somos seres pensantes com uma vontade, uma inteligência, e devemos nutrir também o espírito, a alma, para que possa amadurecer, para que possa alcançar realmente a sua plenitude. E, por conseguinte, se Jesus diz eu sou o pão da vida, quer dizer que Jesus próprio é este nutrimento da nossa alma, do homem interior do qual temos necessidade, porque também a alma deve nutrir-se. E não bastam as coisas técnicas, embora sejam muito importantes. Temos necessidade precisamente desta amizade de Deus, que nos ajuda a tomar decisões justas. Temos necessidade de amadurecer humanamente. Por outras palavras, Jesus nutre-nos a fim de que nos tornemos realmente pessoas maduras e a nossa vida se torne boa.
Adriano: "Santo Padre, disseram-nos que hoje faremos a Adoração Eucarística. O que é? Como se faz? Poderias explicar-nos isto? Obrigado".

Bento XVI:Então, o que é a adoração, como se faz, veremos imediamente, porque tudo está bem preparado: faremos algumas orações, cânticos, a genuflexão e estamos assim diante de Jesus. Mas, naturalmente, a tua pergunta exige uma resposta mais profunda: não só como fazer, mas o que é a adoração. Eu diria: adoração é reconhecer que Jesus é meu Senhor, que Jesus me mostra o caminho a tomar, me faz entender que vivo bem somente se conheço a estrada indicada por Ele, somente se sigo a via que Ele me mostra. Portanto, adorar é dizer: "Jesus, eu sou teu e sigo-te na minha vida, nunca gostaria de perder esta amizade, esta comunhão contigo". Poderia também dizer que a adoração na sua essência é um abraço com Jesus, no qual eu digo: "Eu sou teu e peço-te que estejas também tu sempre comigo".
Que bela catequese sobre a Eucaristia. Quantos de nós catequistas temos para aprender destas palavras.

15 de fevereiro de 2006

Ser obrigado a ir à missa

Pensar que a missa foi sempre uma obrigação , é um erro. Não foi sempre assim. Ela nasceu como uma expressão de amor: amor de Cristo e amor de todos os irmãos que se reuniam em nome de Jesus Cristo. Como nos é dito nos Actos dos Apóstolos e nas cartas de S. Paulo.
Quando este amor "arrefeceu" foi necessário apelar à obrigação. E isto acontece em 1215, no Concílio de Latrão.
Por vezes a obrigação pode ser útil quando falta a vontade. Como uma mãe diz ao filho "tens de comer", na esperança que ele reencontre o apetite, também a mãe Igreja nos diz "tens de comer" tentando que reencontremos esse apetite.
Mas, em vez de nos fixarmos na obrigação, particularmente tratando-se da formação de adolescentes e jovens, é preferível fixarmo-nos no amor e dar à Eucaristia um momento de encontro e partilha do qual não queiramos deixar de participar.
É que muitas vezes a obrigação e a sanção(pecado) marcaram um grande vazio.
A Eucaristia nasceu do amor de Cristo, será bom que os cristão reencontrem novamente o "apetite" de se encontrarem com Jesus Cristo.

9 de fevereiro de 2006

Ir à Eucaristia para quê?

Uma frase que li de um adolescente (14-17 anos ?) fez-me pensar, era mais ou menos isto: tenho que ir à Eucaristia, odeio a missa. Não é nada de novo porque muitas vezes já ouvimos coisas identicas, tais como, a missa é uma seca, é sempre a mesma coisa, não me diz nada, ...
E a verdade é que vamos ouvindo e achando natural, é da idade, mas crescem e continuam a pensar da mesma forma. Já tenho reflectido sobre isto muitas vezes, e por mais voltas que dê continuo a pensar que parte da culpa é da catequese que "impingimos" aos que nos são confiados, muitas palavras, muita coisa sem sentido, falar, falar, pouco testemunho ou nenhum, e o mais grave, não transmitir com amor, com verdade. A Eucaristia, o sacramento principal do cristão baptizado, tem que ser dada a conhecer, saber porque se faz, como se faz, mostrar passo a passo a caminhada da Eucaristia.
É sempre a mesma coisa, pois é, mas somos nós cristãos que temos que saber levar em cada Domingo uma coisa nova para o altar, e assim renovar semana após semana a nossa vida de cristãos, levar para a vida a força da Palavra que escutamos em cada Eucaristia e o compromisso de durante uma semana saber partilhar essa Palavra com aqueles que nos rodeiam.
Ninguém pode amar aquilo que não conhece.