Mostrar mensagens com a etiqueta Sermão Montanha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sermão Montanha. Mostrar todas as mensagens

24 de maio de 2008

O Reino dos Céus


A partir deste domingo, voltamos a celebrar o TEMPO COMUM, que recomeça com o 8.º Domingo do Tempo Comum.
Depois do tempo quaresmal, semana santa e tempo pascal, celebrações que giram em volta de “Morte e Ressurreição de Jesus, damos início à segunda parte do Tempo Comum
Neste tempo litúrgico, damos continuidade à celebração do mistério de Cristo. Em cada domingo, fazemos memória dos relatos da vida pública de Jesus. Celebrando diferentes acontecimentos narrados na Sagrada Escritura, este ano de 2008, a Igreja dedica-o ao chamado Ano Litúrgico A.


As meditações deste referido ano litúrgico são do Evangelho de São Mateus
Este Evangelho é chamado o Evangelho do Reino, pois este ocupa um lugar central no livro de Mateus, sendo falado por 51 vezes, quase sempre com a expressão Reino dos Céus, devido ao costume judaico de evitar, por respeito, o uso do nome de Deus. Jesus anuncia-o em primeiro lugar a Israel.

O Reino de Deus inicia-se com a chegada de Jesus, pois ele vem instaurar esse Reino. O plano divino primitivo, ao criar a humanidade foi quebrado pelo pecado do homem. O seu restabelecimento dá-se por uma nova intervenção divina levada a cabo pela obra redentora de Jesus, através da intervenção soberana e misericordiosa de Deus na vida do povo para o salvar.
Entre a primeira vinda de Cristo na encarnação e a segunda vinda (Parusia), neste tempo intermediário, o reinado de Deus estende-se sobre a terra com avanços e retrocessos parciais. Neste tempo desenvolve-se a Igreja. Só com a segunda vinda será instaurado e consumado na sua plenitude o Reino de Deus.

A vinda do Reino é objecto da proclamação de João Batista, de Jesus, dos doze, da Boa Nova, da oração dos discípulos (cap. 3-4 e 9 10). É uma realidade esperada e ao mesmo tempo presente. Ele já veio à terra e torna-se visível na vida de Jesus e também na do povo messiânico, é a Igreja fundada e convocado por Ele.
A Igreja é o começo visível do Reino definitivo e perfeito de Deus nos céus, a que todos são chamados, mas só serão finalmente escolhidos se tiverem respondido com generosidade e fidelidade ao chamamento divino. O Reino será dado como herança aos que acolherem o Filho do Homem com fé e amor.
Jesus limitou a Israel a missão que lhe cabia desempenhar durante a sua vida terrena. Após a ressurreição o próprio Jesus irá às nações na pessoa de seus mensageiros e os trará ao Reino.

Em Mateus, Jesus explica o Reino de Deus em cinco discursos, ora se dirige às multidões (3) ora aos doze (2) e ora aos discípulos (4 e 5). Os fundamentos do Reino estão nos cap. 5 e 7, as normas para ser proclamado pelos missionários no cap. 10, a sua natureza exposta por meio de parábolas no cap. 13, as condições da comunidade no cap. 18 e a sua consumação no fim dos tempos nos cap. 24 e 25.

O Sermão da Montanha é um programa de vida, pois reúne o ensinamento de Jesus, indicando a seus seguidores como se deve viver não simplesmente em conformidade com uma série de normas mas revolucionando por dentro a própria atitude e a própria mentalidade. Este é o caminho que dá entrada no reino de Deus.

3 de fevereiro de 2008

Sermão da Montanha


Segundo S. Mateus depois do chamamento de Pedro e André, grandes multidões acorreram ao encontro de Jesus, vindas de todo o lado, para ouvir a “Boa Nova do Reino” e para serem curadas (Mt.4,23). Mateus descreve-nos um grande discurso feito por Jesus na encosta de um monte e por isso é conhecido pelo “Sermão da Montanha”.

O “Sermão da Montanha” encontra-se nos capítulos V, VI e VII do Evangelho de S. Mateus, este discurso é muito semelhante ao do Evangelho de S. Lucas feito num “sítio plano” (Lc.6,17) sendo por isso vulgarmente chamado de Sermão da Planície (Lc.6,20-49).
O Sermão da Montanha é o primeiro dos cinco grandes discursos de Jesus no Evangelho de S.Mateus.

Neste discurso, Mateus fala sobre tudo que diz respeito à entrada no Reino de Deus:
- Quem pode entrar no Reino
- Quais as condições
- Quais os comportamentos a tomar dentro desse Reino.

Os outros discursos falam sobre a difusão do Reino, através
da pregação apostólica (Mt.10),
do Mistério do Reino, apresentado por meio de parábolas (Mt. 13),
da convivência mútua dentro do Reino (Mt. 18) e
da realização final do Reino (Mt.24-25).

O Sermão da Montanha divide-se em três partes:
I) As bem-aventuranças (mt.5,1-12), que indicam quais são os membros do Reino de Deus.
II) As atitudes a tomar pelos homens que fazem parte do Reino (Mt.5,13 – 7,12).
III) Conclusões finais (Mt.7,13-27), onde Jesus insiste fortemente na acção e não somente na mentalidade ou na intenção.

A primeira parte, as bem-aventuranças mostram os marginalizados pela sociedade, que são declarados felizes. Sinal de que, quando o Reino vier, terá cessado a injustiça, que hoje produz os marginalizados.

10 de fevereiro de 2007

Bem-Aventuranças III



Uma outra diferença é a do número: Mt tem 9 e Lc só tem 4 (mas este acompanha-as com o respectivo reverso, quatro sentenças que dão uma versão invertida das Bem-aventuranças: Ai de vós…).
Mas, mais importante, é a diferença no que respeita ao conteúdo: o motivo da felicidade não parece ser o mesmo para Mt e para Lc.
Lucas tem em vista as situações penosas (Felizes os pobres…Felizes vós, que tendes fome…) ao passo que Mateus considera as disposições espirituais (Felizes os pobres em espírito…Felizes os que têm sede de justiça…). Estas duas séries de Bem-aventuranças situam-se em dois planos diferentes; elas não falam da mesma coisa. Tais divergências não nos devem surpreender. Os evangelistas não se propõem a transmitir relatórios neutros e estritamente objectivos daquilo que Jesus disse. Eles propõem um testemunho «comprometido»: tentam fazer compreender aos seus leitores cristãos aquilo que no seu entender significam as palavras de Jesus para os cristãos que vivem cinquenta anos mais tarde.
As palavras de Jesus não são peças de museu para contemplar diante de uma vitrina. São uma mensagem de vida, feitas para serem vividas, para dar vida, e só são compreendidas no seu verdadeiro sentido por aqueles que as vivem.

9 de fevereiro de 2007

Bem-Aventuranças II



Jesus pregou, é um facto. Fez longos discursos como os que os evangelhos reproduzem? É possível. Seja como for, estes discursos são na sua maioria, o fruto do trabalho das comunidades que reuniram as palavras de Jesus para delas fazerem catequese. Eles eram assíduos ao ensino dos apóstolos, escreve S. Lucas (Act.2,42).

O caso mais claro é o do Sermão da Montanha de Mateus (Mt.5-7) a que corresponde o Discurso na planície de Lucas (Lc.6,17-49).
E é nestes dois textos de Mateus e Lucas que nos são transmitidas as Bem-aventuranças.
Nota-se entre eles um certo número de coincidências. Usam a mesma palavra “Felizes”. Estão de acordo em colocá-las à cabeça de uma espécie de discurso programático, que Jesus prenuncia no início do seu ministério, um pouco mais cedo em Mateus do que em Lucas. Em ambos se observa igualmente uma diferença muito nítida entre as primeiras Bem-aventuranças e a última, tanto no que se refere ao tom geral, como se refere ao estilo; as primeiras são breves e ritmadas, ao passo que a última se desenvolve com uma certa amplidão.
Mas também nos deparamos com divergências. Estas dizem respeito ao discurso. Em Mateus, elas formam o início do longo discurso de três capítulos (Mt.5-7), a que se chama “Sermão da Montanha”.

Em Lucas trata-se de um “discurso na planície”, muito mais curto (Lc.6,20-47). Mas as perspectivas de um e de outro são também diferentes. O discurso de Lucas está quase exclusivamente centrado no amor do próximo. Mateus por seu turno interessa-se sobretudo pelo modo como as exigências do Evangelho constituem uma ultrapassagem das exigências da Lei judaica, tal como esta era interpretada no século I.

8 de fevereiro de 2007

Bem-Aventuranças I

O Evangelho do próximo Domingo fala-nos sobre as bem-aventuranças. Lucas apresenta Jesus falando aos seus discípulos e para uma grande multidão, numa planície.
Interessante notar que Lucas diz que Jesus está numa planície, enquanto Mateus, em seu Evangelho, capítulo 5, versículos de 1 à 12, apresenta Jesus proclamando as bem-aventuranças do alto de uma colina.
Para melhor entender a diferença entre as Bem Aventuranças de Mateus e de Lucas, será necessário conhecer, um pouco melhor, para que comunidades falavam os Evangelistas.

A Comunidade de Mateus
Parece composta sobretudo de cristãos provenientes do judaísmo. Eles conhecem bem as Escrituras: são mais de 130 as passagens em que Mateus se refere ao Antigo Testamento. A Lei continua a ser para eles regra de vida: “Não vim para revogar A Lei, mas completá-la” (Mt.5,17).

A comunidade de Lucas
Não sabemos ao certo para que comunidade concreta escreveu Lucas, mas podemos facilmente imaginar o tipo de Igreja onde a sua mensagem se formou: comunidades nascidas em território pagão, como as de Antioquia e Filipos. Estes cristãos são antigos pagãos, sabem que é por graça e não por nascimento que são recebidos na aliança de Deus com Israel. Eles fizeram a experiência do Espírito Santo; as suas igrejas nasceram fora do círculo de Jerusalém. Sabem que a fé em Jesus Cristo os fez entrar numa tradição: a dos apóstolos, mas sabem também que nela vivem na liberdade do Espírito.
Diferentemente das comunidades de Mateus, as de Lucas vivem com naturalidade o universalismo.