Mostrar mensagens com a etiqueta Semana Santa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Semana Santa. Mostrar todas as mensagens

29 de março de 2024

Sexta-feira Santa

 


Sexta-feira Santa

......Na Sexta-feira Santa revivemos o sofrimento e a morte de Cristo no Calvário.

......Agora, traído por Judas que O entrega aos soldados romanos por 30 moedas de prata, sob a acusação de subversão e de perturbação da ordem, Jesus é abandonado, por seus discípulos e três vezes negado por Pedro.

......Então se seguem uma série de humilhações e maus tratos até o Seu julgamento por Pilatos e depois por Herodes, que acaba por condena-Lo à morte, atendendo ao clamor do povo que exige que soltem Barrabás, um ladrão, e crucifiquem Jesus.

......Conforme relata a Bíblia, mais ou menos ao meio dia da sexta-feira, o sol pára de brilhar, a escuridão cobre a terra até às três horas da tarde. Então, Jesus grita – “Pai, me tuas mãos entrego o meu espírito”. Dizendo isso Jesus morreu. (Mc 15. 33-41, Mt 26. 44-75 e 27. 1-66, Lc 22 e 23, Jô 18 e 19)

......O corpo de Jesus foi pedido à Pilatos por José, da cidade de Arimatéia, um senhor influente na região. José de Arimatéia enrolou Jesus em um lençol de linho e O sepultou num túmulo cavado em uma rocha, jamais usado por ninguém. Maria Madalena e Maria mãe de Jesus assistiram a tudo isso.

......Na sexta-feira Santa não se celebra eucaristia. O altar da Igreja fica iluminado sem toalha, sem cruz, sem velas nem adornos.

28 de março de 2024

Quinta-feira Santa

 



Quinta-feira Santa

......Na quinta-feira, recordam-se dois importantes acontecimentos. O primeiro, quando o Senhor Jesus dá uma das maiores demonstrações de humildade e da sua vocação de servir ao mundo, se ajoelhando e lavando os pés dos seus discípulos. Depois, o acontecimento cuja repetição se transformou no sacramento da eucaristia, quando naquela noite, durante a última ceia com seus apóstolos, Cristo, sabendo o sofrimento que o esperava, se entrega aos seus discípulos, em corpo e sangue, simbolizados por um pedaço de pão e em um cálice vinho, como uma forma de despedida. É também nessa noite, que Jesus profetiza a traição de Judas e a negação de Pedro sem, no entanto, dizer quem serão os autores desses dois atos. (Mc 14. 22-26, Mt 26. 26-30, Lc 22. 15-20)

2 de abril de 2010

Sexta-Feira Santa Paixão e Morte de Jesus


Nesta Sexta-feira Santa os nossos olhares se voltam-se para o Crucificado. Na liturgia das três horas da tarde, o ponto central e alto é o descobrir da cruz, seguido de um gesto de adoração e de gratidão por toda assembleia que toma parte neste acto.
Nós estamos acostumados a falar dos sentimentos físicos de Jesus - e realmente eles foram enormes, para além de Suas medidas. Basta pensarmos na flagelação horrenda que precedeu a crucificação, na agonia lenta que Jesus suportou, pendente na cruz. No entanto, não se fala com muita ênfase nos sentimentos internos de Jesus, e estes foram tão grandes ou maiores do que os sofrimentos externos.
Jesus foi entregue por um amigo íntimo no qual havia confiado plenamente. Jesus foi abandonado por todos os Seus amigos íntimos, sem excepção, foi negado por um deles, depois que este mesmo Lhe descobriu o messianismo misterioso. Jesus foi ridicularizado naquilo que Lhe era mais caro, o Seu messianismo. Jesus foi tratado como um rei de comédia, um charlatão, um bufão - é lamentável e grotesco termos que contemplar Jesus todo ensanguentado, com um manto de púrpura nas costas, uma cana na mão e uma coroa de espinhos na cabeça. “Adivinha quem te bateu rei dos judeus”?
Jesus sofreu todas as piores humilhações em nosso favor. Não houve humilhação que Jesus não houvesse suportado: carregou Sua cruz, pelas ruas de Jerusalém, sendo objecto de escárnio e humilhação de todos os passantes.
O cálice do sofrimento foi bebido até o final e, nesta Sexta-feira Santa, nós gostaríamos de nos colocar diante da cruz para contemplar com amor e reconhecimento um a um, não só os sofrimentos físicos, mas também os sofrimentos morais de Jesus, repetindo, quem sabe, as palavras de Paulo: “Ele me amou, Ele Se entregou por mim”.
Adap.Padre Fernando J. C. Cardoso

1 de abril de 2010

Missa Crismal de Quinta-Feira Santa




Na Missa Crismal de Quinta-feira Santa,os santos óleos estão no centro da acção litúrgica.São consagrados pelo Bispo na sé catedral para o ano inteiro. Assim, exprimem também a unidade da Igreja, garantida pelo Episcopado e aludem a Cristo, o verdadeiro "pastor e guarda das nossas almas", diz São Pedro (cf. 1 Pd 2,25). E, ao mesmo tempo, mantêm unido todo o ano litúrgico, ancorado no mistério de Quinta-feira Santa.
Enfim, os óleos aludem ao Horto das Oliveiras, onde Jesus aceitou interiormente a sua Paixão. Contudo, o Horto das Oliveiras é também o lugar donde Jesus subiu ao Pai, tornando-se, assim, o lugar da Redenção: Deus não deixou Jesus na morte. Jesus vive para sempre junto do Pai, e por isso mesmo é omnipresente, está sempre junto de nós. Este duplo mistério do Monte das Oliveiras também está "activo" no óleo sacramental da Igreja.
Em quatro sacramentos, o óleo é sinal da bondade de Deus que nos toca: no Baptismo; na Confirmação, como sacramento do Espírito Santo; nos vários graus do Sacramento da Ordem; e, finalmente, na Unção dos Enfermos, na qual o óleo nos é oferecido, por dizer assim, como medicamento de Deus – como o medicamento que agora nos torna seguros da sua bondade e deve-nos revigorar e consolar, mas ao mesmo tempo aponta para além do momento da enfermidade, para a cura definitiva, a ressurreição (cf. Tg 5,14). Assim o óleo, nas suas diversas formas, nos acompanha ao longo de toda a vida, desde o catecumenato e o Baptismo até ao momento em que nos preparamos para o encontro com Deus Juiz e Salvador.
Em suma, a Missa Crismal, na qual o sinal sacramental do óleo nos é apresentado como linguagem da criação de Deus, fala de modo particular ao sacerdote: fala-nos de Cristo, que Deus ungiu como Rei e Sacerdote; dele, que nos torna participantes do seu sacerdócio, da sua "unção", na nossa ordenação sacerdotal.
"in Vaticano"

31 de março de 2010

Tríduo Pascal


A Quinta-Feira Santa está marcada pela instituição da Eucaristia, «verdadeiro sacrifício vespertino» . O ritual proíbe a celebração da eucaristia sem fiéis e recomenda a concelebração, que confere à cerimónia litúrgica uma nota de eclesialidade eucarística e de unidade entre eucaristia e sacerdócio. A cerimónia sugestiva e humilde do Lava-Pés orienta-se também para a Eucaristia.

A Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor é constituída por uma liturgia austera e sóbria. O centro da celebração é uma assembleia litúrgica não eucarística. É um dia de intenso luto e dor, mas iluminado pela esperança cristã. A devoção à Paixão do Senhor está fortemente arreigada na piedade cristã. A Igreja apresenta grande austeridade, nada distrai o nosso olhar do altar e da cruz.

O grande Sábado Santo é um dia de serena esperança e preparação orante para a ressurreição. Os cristãos dos primeiros séculos jejuavam neste dia como em sexta-feira santa, era o tempo em que o esposo os tinha deixado (Mt. 2, 19).

A Vigília Pascal é uma vasta celebração da Palavra de Deus que continua com o baptismo e com a Eucaristia. Os símbolos são abundantes e de uma grande riqueza espiritual – o ritual do fogo e da luz, o Círio Pascal, que evoca a ressurreição de Jesus e o povo de Israel no deserto guiado pela coluna de fogo; a liturgia da Palavra com Salmos e orações, percorrendo as etapas da história da salvação; a liturgia da iniciação cristã que, pelo Baptismo, incorpora novos filhos na Igreja; a renovação das promessas do baptismais e aspersão com a água benta que recorda a água com que fomos baptizados; por fim a Eucaristia que proclama a ressurreição do Senhor, esperando a sua última vinda (1 Cor. 11, 26).

A liturgia convoca de novo os fiéis para o «dia que fez o Senhor» na missa do dia. A piedade cristã realiza a procissão de Cristo ressuscitado, ornamentando as estradas, tocando sinos e ao som de cânticos.

O Aleluia, que fora suprimido na Quaresma, aparece repetidas vezes em sinal de alegria e vitória, de forma que o Aleluia pascal se tornou a aclamação própria do mistério pascal.1

Vamos celebrar o Tríduo Pascal com todo o vigor da nossa fé e a alegria da nossa esperança. Aleluia!

1 Cf. D. Teodoro de Faria, Bispo emérito do Funchal, Teologia e Espiritualidade do Tríduo Pascal

19 de março de 2008

Bênção dos Santos Óleos


Na Quinta-feira da Semana Santa, de manhã, o Bispo, procede à bênção dos santos óleos e consagra o crisma.
Óleo é uma palavra de origem latina, "oleum", derivada do grego "élaion", que designa o óleo extraído dos olivais (élaia).
Entre os símbolos sacramentais usados pela Liturgia da Igreja, óleo simboliza a alegria e o perfume do Espírito Santo em nós. Assim como o óleo penetra no ungido, assim penetra a graça divina naquele que foi ungido sacramentalmente.
O seu uso, que já vem do AT, baseia-se no seu rico simbolismo (penetra no corpo, perfuma-o, fá-lo brilhar, dá-lhe força e agilidade…). O óleo tem a finalidade de fazer brilhar o rosto (Sl 104,15) e é símbolo da alegria (Sl 45,8). Penetrante, sua unção significa a consagração de um ser a Deus (Ex 29,7). Mesmo edifícios e objectos são consagrados com a unção do óleo (Gn 28,18). O ungido por excelência é o Messias, o Cristo, que é o Rei, o Sumo Sacerdote e o Profeta. Símbolo da alegria e da beleza, sinal de consagração, o óleo é também o unguento que alivia as dores e que fortalece os lutadores, tornando-os mais ágeis e menos vulneráveis.
A Liturgia da Igreja privilegia três óleos, chamando-os de "Santos Óleos": Óleo dos enfermos, Óleo dos catecúmenos e Óleo do Santo Crisma.


Os dois primeiros Santos Óleos são abençoados e o terceiro, o Óleo Crismal, é consagrado na missa crismal que o Bispo celebra com todo o seu presbitério na Quinta-Feira Santa pela manhã.
O Óleo dos Catecúmenos concede a força do Espírito Santo aqueles que serão baptizados para que possam ser lutadores de Deus, ao lado de Cristo, contra o Espírito do mal. Este óleo poderá ser abençoado pelo padre, antes de ser usado. O baptizando é ungido com o óleo dos catecúmenos, no peito.
O Óleo dos Enfermos é um sinal visível, utilizado pelo sacramento da Unção dos Enfermos, que traz o conforto e a força do Espírito Santo para o doente no momento de seu sofrimento. O doente é ungido na fronte e na palma das mãos.
O Santo Crisma é um óleo perfumado utilizado nas unções dos seguintes sacramentos: Baptismo, o baptizado é ungido na fronte;
Confirmação é o símbolo principal da consagração, também na fronte;
Ordenação Episcopal, sobre a cabeça do novo bispo;
Ordenação sacerdotal, na palma das mãos do néo-sacerdote.
Também é usado em outros ritos de consagração, como na dedicação de uma Igreja, na consagração de um altar, quando o Santo Crisma é espalhado sobre o altar e sobre as cruzes de consagração que são colocadas nas paredes laterais das igrejas dedicadas (consagradas). Em todos estes casos, o Santo Crisma recorda a vinda do Espírito Santo que penetra as pessoas como o óleo impregna a cada um deles que o toca. Ele faz com que pessoas sejam ungidas com a unção real, sacerdotal e profética de Jesus Cristo.



Bênção dos Santos Óleos - rito antigo


As notícias históricas apontam que a Bênção dos Santos Óleos era realizada já no século V.
A Bênção dos Santos Óleos era feita na Quinta-Feira Santa pelo Bispo, assistido por 12 sacerdotes, 7 diáconos e 7 subdiáconos, na missa solene, numa mesa colocada na frente do altar. A bênção do Óleo dos Enfermos era a mais simples, feita no final da Oração Eucarística, antes das palavras "per quem haec, omnia, Domine, sempre bona creas..." Depois da comunhão, fazia-se a bênção do Santo Crisma, de modo muito solene e, por fim, a bênção do Óleo dos Catecúmenos.
O Bispo, antes de abençoar os Santos Óleos, rezava uma oração de exorcismo sobre os óleos. Para a bênção do Santo Crisma, o Bispo e os 12 sacerdotes sopravam três vezes, em forma de cruz, sobre o Óleo Crismal, simbolizando a santificação do Espírito Santo. Depois da bênção, o Bispo e os sacerdotes faziam três reverências para os vasos que continham os Santos Óleos.



Bênção dos Santos Óleos - rito actual


A Bênção dos Santos Óleos, no actual rito da Liturgia Romana, é realizada de forma simples e obedece a seguinte ordem: o Óleo dos Enfermos acontece antes do término da Oração Eucarística, a bênção do Óleo dos Catecúmenos e a Consagração do Santo Crisma são feitos depois da comunhão. Por motivos pastorais, existe a possibilidade de que as Bênçãos sejam realizadas após a Liturgia da Palavra, depois da homilia.
No rito realizado dentro da missa, no momento da apresentação dos dons, os diáconos e, na falta deles, os presbíteros ou mesmo leigos, levam os óleos ao presbitério com a seguinte ordem: primeiro, o ministro leva o vaso com perfumes. Em seguida vem o ministro com o óleo dos catecúmenos, seguido do ministro com o óleo dos enfermos e, por fim, o ministro que traz o óleo do crisma. É costume que o vaso que contém estes óleos venha coberto com véus de cor roxa (óleo dos enfermos), verde (óleo dos catecúmenos) branco (óleo do crisma). Cada um dos ministros que traz os vasos com óleos, apresenta-os ao bispo e diz em alta voz: "eis o óleo do crisma" e assim procedem os demais ministros, cada qual nomeando o respectivo óleo.

18 de março de 2008

Semana Santa


Entre todas as semanas do ano, a mais importante para os cristãos é a Semana Maior, que foi santificada pelos acontecimentos que a liturgia celebra, da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor – o Mistério Pascal. Esta semana é o coração e o centro de toda a liturgia anual, nela se celebra o mistério da redenção, o grande sinal do amor de Deus salvador.

A Páscoa é o cume desta caminhada, o vértice para onde converge todo o Mistério de Jesus Cristo.

As principais celebrações desta semana que concluem a quaresma e o dão inicio ao Tríduo Pascal são:

· O domingo de ramos, 'de passione Domine (ou da paixão do Senhor) - Nesse dia, como diz o Missal Romano, a Igreja comemorou no passado Domingo, o Cristo Senhor, que entra em Jerusalém para cumprir plenamente o seu mistério pascal.

· A quinta-feira santa: conclusão da quaresma - Antigamente, na manhã da quinta-feira santa, celebrava-se o rito da reconciliação dos penitentes que já tinham percorrido todo o caminho penitencial segundo rígida disciplina para os pecados graves que os excluíam da participação na eucaristia.
Na quarta-feira de cinzas era imposta pelo bispo a penitencia, depois permaneciam excluídos até quinta-feira santa, dia em que eram absolvidos para poderem participar na eucaristia na noite de Páscoa. Hoje não existe essa disciplina penitencial antiga e rígida. No entanto, a comunidade cristã é chamada, no fim da quaresma, para celebrar o sacramento pascal da reconciliação nas formas estabelecidas pelo novo Rito da Penitência e segundo a necessidade de cada comunidade.

· A missa crismal- Parece que até fins do séc. VII a bênção dos óleos era feita durante a quaresma e não na quinta-feira santa. A fixação dela nesse dia não se deve ao facto de ser a quinta-feira santa o dia da instituição da eucaristia, mas sim e principalmente a uma razão de ordem prática: poder dispor dos óleos santos, sobretudo do óleo dos catecúmenos e do sagrado crisma, para a celebração dos sacramentos da iniciação cristã durante a vigília pascal.
Esta solene liturgia transformou-se em oportunidade para reunir todo o presbitério em torno do seu bispo e para fazer da celebração uma festa do sacerdócio. Assim aparece, juntamente com o compromisso de fidelidade dos presbíteros à sua missão sacerdotal, a natureza profética do sacerdócio ministerial do Novo Testamento chamado, como Cristo, "para evangelizar os pobres, para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor"
(Lc 4,18). Se o ministério presbiteral está essencialmente ligado à eucaristia, é igualmente verdade que esse ministério converge para a eucaristia antes de tudo com o anúncio do evangelho e nela encontra toda a amplitude e profundidade da sua dimensão profética.

15 de março de 2008

Domingo de Ramos


O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a lembrança das Palmas e da paixão, da entrada de Jesus em Jerusalém e a liturgia da palavra que evoca a Paixão do Senhor no Evangelho de São Lucas.
Neste dia, se entrecruzam as duas tradições litúrgicas que deram origem a esta celebração: a alegre, grandiosa , festiva liturgia da Igreja mãe da cidade santa, que se converte em mímesis, imitação dos que Jesus fez em Jerusalém, e a austera memória - anamnese - da paixão que marcava a liturgia de Roma. Liturgia de Jerusalém e de Roma, juntas em nossa celebração. Com uma evocação que não pode deixar de ser actualizada.
Vamos com o pensamento a Jerusalém, subimos ao Monte das Oliveiras para acabar na capela de Betfagé, que nos lembra o gesto de Jesus, gesto profético, que entra como Rei pacífico, Messias aclamado primeiro e depois condenado, para cumprir em tudo as profecias.
Por um momento as pessoas reviveram a esperança de ter já consigo, de forma aberta e sem subterfúgios aquele que vinha em nome do Senhor. Ao menos assim o entenderam os mais simples, os discípulos e as pessoas que acompanharam ao Senhor Jesus, como um Rei.
São Lucas não falava de oliveiras nem de palmas, mas de pessoas que iam atapetando o caminho com suas roupas, como se recebe a um Rei, gente que gritava: "Bendito o que vem como Rei em nome do Senhor. Paz no céu e glória nas alturas".
Palavras com uma estranha evocação das mesmas que anunciaram o nascimento do Senhor em Belém aos mais humildes. Jerusalém, desde o século IV, no esplendor de sua vida litúrgica celebrada neste momento com uma numerosa procissão. E isto agradou tanto aos peregrinos que o oriente deixou marcada nesta procissão de ramos como umas das mais belas celebrações da Semana Santa.
Com a liturgia de Roma, ao contrário, entramos na Paixão e antecipamos a proclamação do mistério, com um grande contraste entre o caminho triunfante do Cristo do Domingo de Ramos e o "via crucis" dos dias santos.
Entretanto, são as últimas palavras de Jesus no madeiro a nova semente que deve empurrar o remo evangelizador da Igreja no mundo.
"Pai, em tuas mão eu entrego o meu espírito". Este é o evangelho, esta a nova notícia, o conteúdo da nova evangelização. Desde um paradoxo este mundo que parece tão autónomo, necessita que lhe seja anunciado o mistério da debilidade de nosso Deus em que se demonstra o cume de seu amor. Como o anunciaram os primeiros cristãos com estas narrações longas e detalhistas da paixão de Jesus. Era o anúncio do amor de um Deus que desce connosco até o abismo do que não tem sentido, do pecado e da morte, do absurdo grito de Jesus em seu abandono e em sua confiança extrema. Era um anúncio ao mundo pagão tanto mais realista quanto mais com ele se poderia medir a força de sua Ressurreição.
A liturgia das palmas antecipa neste domingo, chamado de Páscoa florida, o triunfo da ressurreição, enquanto que a leitura da Paixão nos convida a entrar conscientemente na Semana Santa da Paixão gloriosa e amorosa de Cristo o Senhor.
( Fonte AciDigital)

12 de março de 2008

Semana Maior


Aproximamo-nos da Semana Maior para os cristãos, a Semana Santa.
O ano litúrgico como hoje o conhecemos pretende levar os católicos a celebrar sacramentalmente a pessoa de Jesus Cristo como "memória", "presença", "profecia".
Na Igreja primitiva, o mistério, a celebração, a pregação, a vida cristã tiveram um único centro: a Páscoa - o culto da Igreja primitiva nasceu da Páscoa e para celebrar a Páscoa. No início da vida cristã encontra-se o Domingo como única festa, com a única denominação de "Dia do Senhor". Por influência das comunidades cristãs provenientes do judaísmo, surgiu depois um "grande Domingo", como celebração anual da Páscoa.
A partir do séc. IV, com os decretos que garantiam a liberdade de culto aos cristãos, começaram-se a celebrar na Terra Santa os acontecimentos da Paixão e morte de Jesus Cristo, nos locais e às horas em que eram relatados nos Evangelhos. Nasceu assim a Semana Santa e os peregrinos estenderam este uso a todas as igrejas.
A celebração do baptismo na noite de Páscoa, já em uso no século III, e a disciplina penitencial com a reconciliação dos penitentes na manhã de Quinta-feira Santa, já no século V, fizeram nascer também o período preparatório da Páscoa, ou seja, a Quaresma, inspirada nos "quarenta dias bíblicos".
A Semana Santa apresenta-se, neste contexto, como a Semana Maior do ano litúrgico. Graças à peregrina Egéria que viveu no final do século IV, conhecemos os rituais que envolviam estas celebrações no princípio do Cristianismo. Ela descreve em seu livro "Itinerarium" a liturgia que se desenvolveu em Jerusalém, teatro das últimas horas de vida de Jesus, e compreende o intervalo de tempo que vai do Domingo de Ramos à Páscoa.
Na Idade Média, esta semana era chamada a "semana dolorosa", porque a Paixão de Cristo era dramatizada pelo povo, pondo em destaque os aspectos do sofrimento e da compaixão. Actualmente, muitas igrejas locais dão ainda vida a essa tradição dramática, que se desenrola em procissões e representações da Paixão de Jesus.A celebração dos mistérios da Redenção, realizados por Jesus nos últimos dias da sua vida, começa pela sua entrada messiânica em Jerusalém.
O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a lembrança das Palmas e da Paixão do Senhor.
Duas celebrações marcam a Quinta-feira santa: a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor. Antigamente, na manhã deste dia celebrava-se o rito da reconciliação dos penitentes, a quem tinha sido imposto o cilício em quarta-feira de cinzas. Hoje, a manhã é preenchida pela Missa Crismal, que reúne em torno do Bispo o clero da Diocese e são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o Santo Óleo do Crisma. A origem da bênção dos óleos santos e do sagrado crisma é romana, embora o rito tenha marcas galicanas. Em conformidade com a tradição latina, a bênção do óleo dos doentes faz-se antes da conclusão da oração eucarística; a bênção do óleo dos catecúmenos e do crisma é dada depois da comunhão. Permite-se, todavia, por razões pastorais, cumprir todo o rito de bênção depois da liturgia da Palavra, conservando, porém, a ordem indicada no próprio rito.
Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem início o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. É comemorada a instituição dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-pés). A simbologia do sacrifício é expressa pela separação dos dois elementos "o pão" e "o vinho". Esse evento do mistério de Jesus também se tornou manifesto no gesto do lava-pés. Depois do longo silêncio quaresmal, a liturgia canta o Glória. No final da Missa, o Santíssimo Sacramento é trasladado para um outro local, desnudando-se então os altares.
Na Sexta-feira Santa não se celebra a missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor, com a adoração da cruz. O silêncio, o jejum e a oração marcam este dia.A celebração da tarde é uma espécie de drama em três actos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão.
O Sábado Santo é dia alitúrgico: a Igreja debruça-se, no silêncio e na meditação, sobre o sepulcro do Senhor. A única celebração primitiva parece ter sido o jejum.
A Vigília Pascal é a “mãe de todas as celebrações” da Igreja. Celebra-se a Ressurreição de Cristo, a Luz que ilumina o mundo, e para transmitir esse simbolismo deve ser celebrada não antes do anoitecer e terminada antes da aurora. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a benção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Baptismo e, por fim, a liturgia Eucarística.
Ainda hoje continua a ser a noite por excelência do Baptismo.
Fonte Ecclesia

5 de abril de 2007

Ceia do Senhor



Jesus celebra a Ceia do adeus com os discípulos e institui-a como Testamento, à maneira de Testamento, entrega-a como herança à sua Igreja e por isso diz: ”Fazei isto em Memória de Mim”, isto é, fazei isto para celebrar a Memória de Mim.

Jesus não deixou apenas uma lembrança; deixou-se a Si mesmo. É um Memorial.
Memorial não é a mesma coisa que memória, no sentido de recordação subjectiva de alguma coisa passada. Memorial significa a celebração dum acontecimento salvífico, de salvação, que Deus torna presente para nós.



Através deste Memorial da Ceia, Jesus permanece presente com os seus e para os seus e para que a sua obra salvífica continue a realizar-se mesmo para além da sua morte. É como quem diz: ”Eu fico convosco”.



É Cristo quem preside à Eucaristia; o ministro empresta-lhe a sua pessoa. É Cristo que se oferece por nós e a nós. Trata-se de presença verdadeira, real, substancial de Cristo. Cristo feito homem mas também glorificado junto do Pai. Cristo Ressuscitado glorioso, torna-se misteriosamente presente.

Só na fé podemos entender

2 de abril de 2007

A Passagem

Vem de longe a celebração da Páscoa dos Hebreus. Resulta de uma fusão da festa da primavera dos nómadas (pastores) – rito do cordeiro – com a festa da primavera da população sedentária (agricultores) – a semana dos ázimos -.
O sentido geral destas festas arcaicas era o de renovação, regeneração, vida nova,…
O importante é que o Povo de Israel transformou estas festas: em vez de «sacralizar» os acontecimentos cósmicos e vitais, vai com elas celebrar o memorial de acontecimentos históricos fundamentais na sua história de Povo de Deus: a intervenção de Javé na libertação da escravidão do Egipto, fazendo dele o «Seu» Povo, contraindo com ele uma aliança. A esta festa os judeus dão o nome de «Pessah» . Israel celebra a sua libertação da servidão, a saída do Egipto, no seguimento da imolação do cordeiro pascal. É o renovar do laço que une Deus ao Seu Povo.

A Páscoa cristã renova a Páscoa judaica, porque pela Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, Deus faz uma Nova e definitiva Aliança, Ele é o Cordeiro da Nova Aliança.
Jesus Cristo é a nova Páscoa, Ele instituiu um novo memorial em função do Acontecimento Pascal que Ele cumpre e realiza na Sua pessoa.
A Igreja nascida da Páscoa,
através dos séculos
vive permanentemente da Páscoa
e celebra-a.


A Páscoa é uma festa móvel do calendário. A sua data foi fixada pelo Concílio de Niceia, em 325, no primeiro domingo depois da lua cheia que se segue ao equinócio da Primavera, o que a faz celebrar num dos domingos entre 22 de Março e 25 de Abril.

Tomemos 2007 como exemplo:
21 de Março equinócio da Primavera
02 de Abril Lua cheia (a primeira depois do equinócio)
08 de Abril Páscoa (primeiro Domingo depois da Lua cheia)