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19 de abril de 2026

Discípulos Emaús



(Lc 24, 13-35) 
Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou estes dias». E Ele perguntou: «Que foi?». Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.


 O relato dos discípulos de Emaús é uma composição própria de Lucas, através da qual apresenta o itinerário de fé em Jesus como um processo que vai da incompreensão ao reconhecimento, e onde o Ressuscitado acompanha, interpreta e, finalmente, se revela. A cena começa com um movimento de afastamento de Jerusalém, símbolo do fracasso das expectativas messiânicas. Os discípulos interpretam a morte de Jesus como o colapso da sua esperança. O desconhecimento inicial sublinha que a ressurreição não é evidente por si mesma. O centro do relato é a interpretação das Escrituras feita por Jesus, onde o sofrimento do Messias aparece como necessário. A Páscoa apresenta-se assim como a chave interpretativa de toda a história da salvação. O reconhecimento acontece no gesto da fração do pão, mas Jesus desaparece imediatamente, de modo que o ênfase da cena recai na compreensão retrospetiva do encontro com Ele. O regresso imediato a Jerusalém encerra o relato de forma circular e restabelece a comunhão com a comunidade apostólica. O texto recorda assim que o Ressuscitado se torna presente no meio dos seus, embora o seu modo de presença seja diferente daquele que teve durante o seu ministério público.

Paróquia Espinho (Folha Dominical)


7 de maio de 2016

Ascensão de Jesus aos Céus



Os apóstolos continuam a missão de Jesus (Act.1,4-36)

Jesus dá as últimas recomendações aos seus discípulos. Jesus diz-lhes que dêem testemunho d'Ele em Jerusalém, toda a Judeia e  Samaria, até aos confins do mundo. E promete-lhes o envio do Espírito Santo que lhes dará força e coragem para levarem a bom termo a missão que lhes confia. Os discípulos regressam a Jerusalém confiantes e cheios de alegria.
Para Lucas a Ascensão de Jesus é o elo de ligação entre o "tempo de Jesus" e o "tempo da Igreja".
No Evangelho de Lucas, a Ascensão é o ponto final da missão terrestre de Jesus (Lc.24,44-53), nos actos dos Apóstolos a Ascensão é o ponto de partida da missão dos apóstolos (Act.1,4-8).

Lucas situa os grandes acontecimentos da missão  de Jesus na cidade de Jerusalém. Segundo o Evangelho, toda a vida de Jesus,  se orienta para esta cidade. É para Jerusalém que converge toda a missão de Jesus, desde a descrição do seu primeiro acto cultual [Apresentação de Jesus no templo (Lc.2,22)], até ao fim da sua missão terrena [Ascensão (Lc.24,50-54)]. Também nos Actos, é nesta cidade que se inicia a missão dos Apóstolos, a Igreja nasce em Jerusalém e vai espalhar-se  até aos confins da terra. O Livro dos Actos termina quando Paulo chega a Roma, a capital do mundo pagão.

3 de abril de 2016

São Tomé

São Tomé foi um dos doze apóstolos de Jesus. Durante a última Ceia perguntou a Jesus sobre o caminho que leva ao Pai, Jesus respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
São Tomé era judeu de nascimento. Estava ausente no momento em que Cristo reapareceu aos discípulos. Exigiu provas materiais da ressurreição, por isso, Jesus ressurgiu e pediu-lhe que tocasse em suas chagas. Carpinteiro de origem é frequentemente citado em passagens do Novo Testamento, nos quatro evangelhos.
O Evangelho de São João dá-lhe grande destaque. João cita que ele incitou os discípulos a seguir Jesus e a morrer com ele na Judeia dizendo então aos discípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele! Perguntou a Jesus, durante a Última Ceia, sobre o caminho que conduz ao Pai: "Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?" Diz-lhe Jesus: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim".
São Tomé tinha temperamento audacioso e cheio de generosidade, percorreu as etapas da fé e professou que Jesus era realmente Deus e Senhor. Ausente na primeira aparição duvidou dos colegas que Jesus tivesse voltado. Oito dias depois, achavam-se os discípulos, de novo, dentro de casa, e o ascetista estava com eles. Jesus veio, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!".
E lhe disse depois: Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e as coloca do meu lado e não sejas incrédulo, mas crê! O apóstolo incrédulo respondeu "Meu Senhor e meu Deus!", tornando-se o primeiro dos apóstolos a se dirigir a Jesus nestes termos. Ninguém até aquele momento, nem mesmo Pedro e João, havia pronunciado a palavra Deus dirigindo-se a Jesus.
Era o terceiro apóstolo em idade depois de Pedro, mas ao contrário deste não era casado, assim como Bartolomeu, André, Simão, Judas e o próprio Jesus. Segundo as escrituras foi em resposta a ele que Jesus introduziu o mistério trinitário: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vocês me conhecem, conhecerão também meu Pai...". Segundo o bispo Eusébio de Cesareia, do século IV, depois da morte de Jesus, o discípulo evangelizou a Pátria e, pela tradição cristã posterior, estendeu seu apostolado à Pérsia e à Índia, onde é reconhecido como fundador da Igreja dos Cristãos Sírios Malabares ou Igreja dos Cristãos de São Tomé.
Consta que foi martirizado e morto pelo rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, onde ficam o monte São Tomé e a catedral de mesmo nome, supostamente local de seu sepultamento. Historiadores acreditam que o apóstolo foi morto a flechadas, quando orava. Sucumbiu como líder e mártir, como o crente fiel que Jesus lhe pediu.

Suas relíquias foram venerados na Síria e, depois, levadas para o Ocidente e preservadas em Ortona, na Itália. É festejado pelos católicos em 3 de julho

16 de janeiro de 2016

Bodas de Caná


Em Caná da Galileia celebraram-se umas bodas. S. João é o único evangelista que narra o primeiro sinal de Jesus, realizado durante aquela celebração em Caná, a pedido de Nossa Senhora, converteu a água em vinho.(Cf. Jo 2,1-11).  


Desde os tempos mais antigos, a riqueza e densidade do relato de S. João sobre os primeiros passos do Senhor na sua vida pública alimentaram a reflexão cristã. O milagre de Caná assinala o início dos sinais messiânicos, anuncia já a Hora da glorificação de Cristo e manifesta a fé dos apóstolos n’Ele. 


Por isso, é significativo que S. João tenha referido a presença e a atuação de Nossa Senhora naquele momento.
A entrega do Senhor pelos homens tem a sua hora, que em Caná ainda não tinha chegado. Contudo, Jesus antecipa-a graças à intercessão da Santíssima Virgem: “Maria põe-se de permeio entre o seu Filho e os homens na realidade das suas privações, das suas indigências e dos seus sofrimentos. Põe-se de "permeio", isto é, faz de mediadora, não como uma estranha, mas na sua posição de mãe, consciente de que como tal pode - ou antes, "tem o direito de" - fazer presente ao Filho as necessidades dos homens.” (João Paulo II, Encíclica Redemptoris Mater, 25-III-1987, nº 21).


Desde sempre, o povo cristão confiou na mediação da Mãe de Jesus, venerando e invocando continuamente. A figura de Maria não pode entender-se senão a partir de Cristo, pois tudo em Maria tem raiz, orientação e sentido cristocêntrico. É ela que nos diz: «Fazei tudo o que Ele vos disser»

bodas de caná

27 de fevereiro de 2010

A transfiguração: «Escutai-o!»


A Transfiguração, vitral do irmão Eric de Taizé

Os cristãos do Oriente foram os primeiros a celebrar a Transfiguração. Esta festa foi introduzida no Ocidente no século XII por um dos abades de Cluny, Pedro, o Venerável. Em Taizé, viver da transfiguração sempre apoiou muito a nossa vocação.
Nos Evangelhos, os relatos da transfiguração procuram mostrar-nos quem é verdadeiramente Jesus e levar-nos a participar no seu mistério.
No cimo do monte, Jesus está em oração, numa grande intimidade com Deus (Lucas 9,28-36). A voz, que no seu baptismo apenas ele tinha ouvido, faz-se agora ouvir aos discípulos: «Este é o meu Filho muito amado». O mistério de Jesus surge em frente aos olhos destes discípulos: a sua vida consiste nesta relação de amor com Deus, seu Pai.
Jesus vive esta relação de amor desde a eternidade, mas também na sua existência terrena. Ela cresce, fortalece-se, nomeadamente através das dificuldades, e vai-se revelando sempre, cada vez mais. Jesus escolhe ter o seu apoio apenas em Deus, e há-de manter esta escolha mesmo na noite mais espessa, quando der a sua vida na cruz.
Não terá sido este abandono radical à confiança que fez brilhar aos olhos dos apóstolos a luz de Deus em Jesus? Moisés e Elias, presentes a seu lado, também tinham sido guiados por essa luz. Contudo, em Jesus, ela brilha de um modo único. Nele, a luz da ressurreição já está acesa. A sua humanidade transfigurada reflecte a plenitude do amor de Deus. Nunca nos cansamos de nos deixar maravilhar por esta eterna beleza.
Através da transfiguração, Jesus não mostra apenas que é habitado pela luz de Deus; ele deixa pressentir que também a nossa humanidade pode ser transfigurada.
De acordo com a segunda carta de Pedro, a transfiguração de Jesus sustenta, na nossa noite, a esperança da nossa própria transformação: «E temos assim mais confirmada a palavra dos profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção como a uma lâmpada que brilha num lugar escuro, até que o dia desponte e a estrela da manhã nasça nos vossos corações» (2 Pedro 1,19).
Quando, na oração, olhamos para a luz de Cristo transfigurado, ela torna-se aos poucos mais interior. Também nós somos o filho bem-amado de Deus. Cada um de nós é amado com um amor de eternidade.
Como Jesus, podemos abandonar-nos em Deus. E, em troca, Deus transfigura a nossa pessoa, corpo, alma e espírito.
Então, até as fragilidades e as imperfeições se tornam numa porta através da qual Deus entra na nossa vida. Os espinhos que dificultam o nosso andar alimentam um fogo que ilumina o caminho. As nossas contradições interiores e os nossos medos permanecem. Mas, pelo Espírito Santo, Cristo penetra naquilo que nos inquieta acerca de nós próprios, até ao ponto em que as nossas obscuridades são iluminadas. A nossa humanidade não é abolida; Deus assume-a, e ela pode encontrar nele como que uma realização. E eis-nos livres; livres de avançar até nos oferecermos a nós próprios àqueles que Deus nos confiou.
Além das nossas pessoas humanas, toda a criação está também prometida a uma transfiguração. Cristo «transfigurará o nosso pobre corpo, conformando-o ao seu corpo glorioso, com aquela energia que o torna capaz de a si mesmo sujeitar todas as coisas» (Filipenses 3,21). Sim, ele «renova todas as coisas» (Apocalipse 21, 5).
«Escutai-o!» diz a voz vinda do céu. Pelo Espírito Santo, ele fala-nos. A nossa atitude para com a vida depende da nossa atenção à sua presença contínua.
Estar à escuta de Deus não nos poupará forçosamente às dificuldades. Se dermos prioridade a esta escuta, talvez até nos tornemos mais vulneráveis. Mas uma determinação interior crescerá, e com ela uma preparação para nos entregarmos mais facilmente ao sopro do Espírito Santo. Estaremos mais capazes de discernir a presença de Deus no mundo e seguiremos mais corajosamente a sua vontade.
Muitas vezes compreendemos pouco como é possível a nossa própria transfiguração. A nossa confiança, como a dos discípulos, continua parcial, e a nossa fé continua pobre. E, contudo, olhar para a luz de Deus já nos transforma.
No monte da transfiguração, é toda a Igreja que está representada em Pedro, Tiago e João. Se também nós ouvíssemos mais frequentemente, em conjunto, numa humilde oração comunitária, a voz de Deus, talvez a compreendêssemos melhor. O Espírito Santo poderia agir melhor e - quem sabe? - poderia até surpreender-nos.


MEDITAÇÃO DO IRMÃO ALOIS
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21 de novembro de 2009

Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo.


“O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos” (Ap 5,12; 1,6). Estas palavras são da Antífona de Entrada da Solenidade de hoje e dão o sentido profundo desta celebração de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo.

Uma pergunta que pode vir – deveria vir! – ao nosso coração é esta: Jesus é Rei? Como pode ser Rei, num mundo paganizado, num mundo pós-cristão, num mundo que esqueceu Deus, num mundo que ridiculariza a Igreja por pregar o Evangelho e suas exigências?... Pelo menos do Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo o mundo não quer saber... Como, então, Jesus pode ser Rei de um mundo que não aceita ser o seu reinado?

E, no entanto, hoje, no último domingo deste ano litúrgico de 2009, ao final de um ciclo de tempo, voltamo-nos para o Cristo, e o proclamamos Rei: Rei de nossas vidas, Rei da história, Rei do cosmo, Rei do universo. A Igreja canta, neste dia, na sua oração: “Cristo Rei, sois dos séculos Príncipe,/ Soberano e Senhor das nações!/ Ó Juiz, só a vós é devido/ julgar mentes, julgar corações”.

Um Rei frágil como um Cordeiro imolado

O texto do Apocalipse citado no início desta meditação dá o sentido da realeza de Jesus: ele é o Cordeiro que foi imolado. É Rei não porque é prepotente, não porque manda em tudo, até suprimir nossa liberdade e nossa consciência.

É Rei porque nos ama, Rei porque se fez um de nós, Rei porque por nós sofreu, morreu e ressuscitou, Rei porque nos dá a vida. Ele é aquele Filho do Homem da primeira leitura: “Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”. Com efeito, o reinado de Cristo não tem as características dos reinados do mundo.

Traços do nosso Rei

(1) Ele é Rei não porque se distancia de nós, mas precisamente porque se fez “Filho do homem”, solidário connosco em tudo. Ele experimentou nossas pobrezas e limitações; ele caminhou pelas nossas estradas, derramou o nosso suor, angustiou-se com nossas angústias e experimentou tantos dos nossos medos. Ele morreu como nós, de morte humana, tão igual à nossa. Ele reina pela solidariedade.

(2) Ele é Rei porque nos serviu: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Serviu com toda a sua existência, serviu dando sempre e em tudo a vida por nós, por amor de nós. Ele reina pelo amor.

(3) Ele é Rei porque tudo foi criado pelo Pai “através dele e para ele” (Cl 1,15); tudo caminha para ele e, nele, tudo aparecerá na sua verdade: “Quem é da verdade, ouve a minha voz”. É nele que o mundo será julgado. A televisão, os modismos, os sabichões de plantão podem dizer o que quiserem, ensinarem a verdade que lhes forem conveniente... mas, ao final, somente o que passar pelo teste de cruz do Senhor resistirá. O resto, é resto: não passa de palha. Ele reina pela verdade.

(4) Ele é Rei porque é o único que pode garantir nossa vida; pode fazer-nos felizes agora e pode nos dar a vitória sobre a morte por toda a eternidade: “Jesus Cristo é a testemunha fiel e verdadeira, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra”. Ele reina pela vida.

A Verdade na simplicidade do Rei

Sim, Jesus é Rei: “Eu sou Rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo!” Mas seu Reino nada tem a ver com o triunfalismo dos reinos humanos – de direita ou de esquerda!

Nunca nos esqueçamos que aquele que entrou em Jerusalém como Rei, veio num burrico, símbolo de mansidão e serviço. Como coroa teve os espinhos; como ceptro, uma cana; como manto, um farrapo escarlate; como trono, a cruz. Se quisermos compreender a realeza de Cristo, é necessário não esquecer isso! A marca e o critério da realeza de Cristo é e será sempre, a cruz!

Hoje, assistimos, impressionados, à paganização do mundo, e perguntamos: onde está a realeza do Cristo? – Onde sempre esteve: na cruz: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.

O Reino de Jesus não é segundo o modelo deste mundo, não se impõe por guardas, pela força, pelas armas: meu Reino não é daqui! É um Reino que vem do mundo do amor e da misericórdia de Deus, não das loucuras megalomaníacas dos seres humanos.

E, no entanto, o Reino está no mundo: “Cumpriu-se o tempo; o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15); “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demónio, então o Reino de Deus já chegou para vós” (Lc 11,20). O Reino que Jesus trouxe deve expandir-se no mundo!

Onde ele está? Onde estiverem o amor, a verdade, a piedade, a justiça, a solidariedade, a paz. O Reino do Cristo deve penetrar todos os âmbitos de nossa existência: a economia, as relações comerciais, os mercados financeiros, as relações entre pessoas e povos, nossa vida afectiva, nossa moral pessoal e comunitária.

Só a ti, Senhor, a realeza! Tu és o nosso Rei!

Celebrar Jesus Cristo Rei do Universo é proclamar diante do mundo que somente Cristo é o sentido último de tudo e de todos, que somente Cristo é definitivo e absoluto.

Proclamá-lo Rei é dizer que não nos submetemos a nada nem a ninguém, a não ser ao Cristo; é afirmar que tudo o mais é relativo e menos importante quando confrontado com o único necessário, que é o Reino que Jesus veio trazer.

Num mundo que deseja esvaziar o Evangelho, tornando Jesus alguém inofensivo e insípido, um deus de barro, vazio e sem utilidade, proclamar Jesus como Rei é rejeitar o projecto pagão do mundo actual e proclamar: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos”. Amém (Ap 5,12; 1,6).


http://www.padrehenrique.com/

17 de outubro de 2009

“O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir ..."

“O Filho do homem não veio para ser servido,

mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.

O trabalho solidário faz parte essencialmente da vida do cristão. Como cristãos não buscamos “lucro” ou grandes vitórias apoteóticas. Estamos ao serviço do Senhor em todas as circunstâncias da nossa vida. Não importa o nosso cargo e o que fazemos, mas sim o “como fazemos”.

Para sermos grandes deveremos ser servos de todos. Parece que esta afirmação não interessa muito num mundo de competição onde as relações comerciais sufocam tremendamente as relações de fraternidade e solidariedade. Só seremos felizes se a nossa vida estiver a ajudar a construir a felicidade de nossos irmãos.

Quando seguimos a Cristo de verdade, teremos que beber do seu cálice. Vamos passar pelo desprezo do mundo, pela solidão do seguimento, aparentemente seremos derrotados várias vezes.

O que nos irá guiar é a luz do amor de Deus que sentimos no fundo de nosso coração. É é esta luz que deve ser a referência da nossa vida. A felicidade que Deus nos transmite é muito maior que as alegrias momentâneas que alimentam a sociedade moderna.

Somos desafiados a olhar para dentro de nosso coração e sairmos de nosso próprio egoísmo.

O serviço do cristão acontece dentro da humildade e da fé. Somos simples instrumentos do verdadeiro “Dínamo” que produz amor e felicidade. Todo o cristão baptizado é missionário.

O nosso baptismo é um compromisso de entrega ao amor de Deus que se expande na nossa vida. Somos convidados a transmitir as verdades fundamentais da nossa fé a todas as pessoas que nos rodeiam, especialmente através do nosso testemunho.

Como cristãos devemos ser reconhecidos pela alegria de termos encontrado o amor de Deus em nós e devemos anunciar este amor a todos, inclusive aos que já são baptizados.

“Fazei Senhor Jesus que nos possamos sentir evangelizadores dos nossos irmãos a partir da alegria de nossa experiência convosco”.

adap.EI GIRIBONE (Ordem dos Carmelitas Descalços)

26 de setembro de 2009

Quem não é contra nós é por nós.

João disse-lhe: Mestre, vimos alguém, que não nos segue, expulsar demónios em teu nome, e lho proibimos.

Esse alguém que expulsava demónios em nome de Jesus não pertencia ao grupo dos 12 e, portanto, segundo eles, não poderia fazer aquilo. Uma demonstração de ciúmes por parte de Pedro e do grupo seguidor directo do Mestre. Aquele exorcismo, feito por um desconhecido, para os apóstolos era como uma forma de concorrência. Os discípulos sentiram-se com ciúmes como acontece tantas vezes nas nossas comunidades, quando vem alguém de fora nem sempre o acolhimento é feito da forma de Jesus. Os discípulos talvez se julgassem detentores exclusivos da missão de expulsar demónios, não admitindo a participação de outros.

Infelizmente, no meio de nós que pregamos a inclusão, que denunciamos a exclusão, que incentivamos o acolhimento, sem o perceber, podemos ter ciúmes de algum cristão talentoso que aparece na nossa comunidade, e se destaca de forma impressionante.

Por que isto? Por que acontece? Porque somos humanos.

Mais, a atitude do mestre diante da explicação de João, foi como sempre: serena, tranquila, firme, justa e de extrema tolerância em relação ao exorcista anónimo que usou o seu nome para fazer o bem. Jesus não está a ver aquele acontecimento pelo lado da concorrência, mais sim, pelo lado da confluência do bem, muito embora aquele indivíduo não tenha sido catequizado ou chamado por Ele. Por isso Jesus desaprova a proibição que lhe fora imposta pelos seus discípulos. Porque se alguém de fato, foi capaz de realizar um milagre, invocando o nome de Jesus, é porque esse alguém está em sintonia com Jesus.

Se Jesus hoje aparecesse de repente numa das nossas comunidades, certamente iria fazer um inflamável discurso corrigindo muitas coisinhas indevidas para não dizer erradas que andam acontecendo no nosso convívio. Uma delas é o modo fechado com que nossas comunidades operam, dificultando a entrada de novos cristãos de boa vontade que querem partilhar seus talentos dados por Deus para o crescimento da Igreja e para o bem do reino de Deus.

adapt: http://reflexaoliturgiadiaria.blogspot.com/

18 de abril de 2009

"A paz esteja convosco!"


O Evangelho hoje apresenta pontos essenciais para a vida cristã tais como a fé, a vida comunitária e a missão.

Retrata a experiência dos Discípulos após a morte de Jesus. Destaca-se o medo presente, simbolizado pela noite e pelas portas fechadas, que paralisa a comunidade, e pela falta de Tomé, que não estava no momento em que Jesus aparece. Provavelmente tinham medo de que acontecesse alguma coisa com eles, igual a que aconteceu com o seu Mestre. Porém, Jesus toma a iniciativa de entrar e apresenta-se diante deles, convidando-os a uma conversão: do medo à paz. As suas palavras e seus gestos fazem com que os discípulos passem do medo à alegria. A paz desejada por Jesus é plenitude de vida, que se dá interiormente, comunitariamente e na sociedade, fazendo que o Reino de Deus aconteça, por isso a alegria que transparece é o sentimento de quem tem novamente o Senhor no coração.

Nós vivemos hoje cercados pelo medo e pela insegurança trazidos pela violência, pela falta de amor, de respeito e por tantas outras situações que nos levam ao isolamento, pois quando as pessoas se tornam uma “ameaça” para nós, não nos relacionamos como irmãos. “A paz é fruto da justiça” e a paz será alcançada quando mudarmos em primeiro lugar a nossa forma de pensar e de julgar que nos leva a fecharmo-nos nos nossos pequenos grupos ou em nós mesmos. A experiência de encontro com o Ressuscitado impulsiona para uma vida nova, para um novo agir. Com a força do Espírito Santo, os Discípulos são enviados em missão como continuadores da missão que Jesus recebeu do Pai.

O texto não diz para onde os discípulos são enviados, mas menciona qual é a missão: o perdão dos pecados. Pecado, no Evangelho de João, é o fechamento em si mesmo, é o não acolher os ensinamentos de Jesus, é o não acolher Jesus como Filho de Deus, que é amor, ou seja, é o não acolher o amor. Os Discípulos recebem a missão de continuar a anunciar o amor que experimentaram em e com Jesus e incluir na comunidade aqueles que acolherem a Palavra. Podemos concluir deste relato que a nossa missão deve ter como ponto de partida uma profunda experiência de encontro com o Senhor e só assim nossa prática será a prática do amor e da misericórdia, pois como nos diz a segunda leitura “podemos saber que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos seus mandamentos”.

A comunidade reunida testemunha para Tomé, que não estava presente, que viu o Senhor. Tomé não acredita na comunidade e quer “ver para crer”, quer ter a certeza de que o Crucificado é o Ressuscitado. Jesus manifesta-se e dá a possibilidade da realização do seu desejo, mas convida-o a deixar a incredulidade. Para as primeiras comunidades foi um convite a crer no anúncio dos Discípulos que fizeram a experiência de testemunhar a Ressurreição. As nossas comunidades são convidadas hoje a vivenciar a mesma fé e a testemunhá-la.

(Adapt. Texto Ir. Sueli da Cruz Pereira – DFMI)

22 de fevereiro de 2009

Jesus cura um paralítico

Marcos realça que Jesus "anunciava a palavra" à multidão que enchia sua casa. É próprio deste evangelista o destaque maior à palavra de Jesus, que liberta e comunica a vida. Entra em cena um paralítico, carregado por quatro homens, e segue a cena pitoresca da sua descida, deitado na maca, por um buraco feito no tecto da casa. Jesus é tocado pela fé, não só do paralítico, mas também daqueles que o acompanham. O paralítico, portador de uma deficiência física, era considerado doente. E a doença, atribuída a um castigo divino, em consequência de algum pecado cometido. Esta compreensão, com respaldo em várias passagens do Antigo Testamento, era fundamentada na teologia da retribuição: o Altíssimo premeia com riqueza e saúde os justos e castiga com pobreza e doença os pecadores. No Livro de Jó, o autor faz uma tentativa de reverter esta visão. O pecado introduzido no livro dos Génesis, na narrativa de Adão e Eva no paraíso, é essencialmente um acto de desobediência a Deus. E é com esta característica radical que aparece ao longo do Antigo Testamento. Na religião de Israel, Deus é apresentado como aquele que está presente no templo de Jerusalém e se manifesta através da Lei, com suas centenas de preceitos minuciosos, sob controle da casta religiosa. A desobediência a este poder religioso passa a ser a desobediência a Deus, passa a ser pecado. E o povo humilde e oprimido era, comummente, enquadrado como pecador. Jesus, diante daquele paralítico, dá prioridade à sua libertação da condição humilhante e excludente de "pecador". E a libertação de sua paralisia segue-se como sinal exterior de sua dignidade restaurada.

25 de janeiro de 2009

Conversão de São Paulo


A festa litúrgica de 25 de Janeiro foi instituída pela Igreja para dar graças a Deus pelos imensos benefícios que ela recebeu de Deus através de São Paulo. O seu martírio é celebrado junto com São Pedro no dia 29 de Junho. Em primeiro lugar a Igreja quer agradecer a Deus a sua conversão, depois, a sua vocação e a missão de pregar o Evangelho aos Gentios.

São Paulo (ou Saulo) nasceu em Tarso (Município de Roma) na Cilícia (Ásia menor) no início da era cristã, de família israelita, da tribo de Benjamim; muito fiel à doutrina e à tradição judaica; seu pai comprara a cidadania romana, o que era possível naquele tempo, então Saulo nasceu como cidadão romano, legalmente.
Aos 15 anos de idade foi enviado para Jerusalém onde recebeu a formação do rabino Gamaliel (Act 22,3; 26,4; 5,34), e foi formado na arte rabínica de interpretar as Escrituras, e deve ter aprendido a profissão de curtidor de couro.

Por volta do ano 36 era severo perseguidor dos cristãos, mas se converteu espectacularmente quando o próprio Senhor lhe apareceu na estrada de Jerusalém para Damasco, onde foi baptizado por Ananias. Em seguida permaneceu num lugar perto de Damasco chamado Arábia.
São Paulo esteve no apedrejamento de Santo Estêvão, e sem dúvida as orações desse Santo na hora da morte foram fundamentais para a graça da conversão de São Paulo.
No ano 39 se encontrou com Pedro e Tiago em Jerusalém (Gal 1,18) e depois voltou para Tarso (At 9,26-30) acabrunhado pelo fracasso do seu trabalho em Jerusalém. Ali ficou por cerca de 5 anos, até o ano 43. Nesta época, Barnabé, seu primo, que era discípulo em Antioquia, importante comunidade cristã fundada por S.Pedro, o levou para lá.

Em 44 Paulo e Barnabé foram encarregados pela comunidade de Antioquia para levar a ajuda financeira aos irmãos pobres de Jerusalém. No ano 45, por inspiração do Espírito Santo, Paulo e Marcos (o evangelista) foram enviados a pregar aos gentios (Act 13,1-3).

A primeira viagem durou cerca de 3 anos (45-48) percorrendo a ilha de Chipre e parte da Ásia Menor. No ano de 49 Paulo e Barnabé vão a Jerusalém para o primeiro Concílio da Igreja, para resolver a questão da circuncisão, surgida em Antioquia. Esta presença de São Paulo em Jerusalém foi fundamental para que o Cristianismo não ficasse dependente do antigo judaísmo, como uma “seita” a mais. Graças a ele os pagãos ficaram livres da circuncisão e o Cristianismo surgiu com nova força.

A segunda viagem apostólica de São Paulo foi de 50 a 53, durante a qual Paulo escreveu, em Corinto, as duas Cartas aos Tessalonicenses (Act 15,36-18,22). São as primeiras Cartas de Paulo.
A terceira viagem foi de 53 a 58. Neste período ele escreveu “as grandes epístolas”, Gálatas e I Coríntios, em Éfeso; II Coríntios, em Filipos; e aos Romanos, em Corinto. No final desta viagem Paulo foi preso por acção dos judeus e entregue ao tribuno romano Cláudio Lísias, que o entregou ao procurador romano Felix, em Cesaréia. Aí Paulo ficou preso dois anos (58-60), onde apelou para ser julgado em Roma; tinha direito a isso por ser cidadão romano. Partiu de Cesaréia no ano 60 e chegou em Roma em 61, após sério naufrágio perto da ilha de Malta.

Em Roma ficou preso domiciliar até 63. Neste período ele escreveu as chamadas “cartas do cativeiro” (Filemon, Colossenses, Filipenses e Efésios). Depois deste período Paulo deve ter sido libertado e ido até a Espanha, “os confins do mundo” (Rom 15,24), como era seu desejo. Em seguida deve ter voltado da Espanha para o oriente, quando escreveu as Cartas pastorais a Tito e a Timóteo, por volta de 64-66.

Foi novamente preso no ano 66, no oriente, e enviado a Roma, sendo morto em 67 face à perseguição de Nero contra os cristãos desde o ano 64. S. Paulo foi um dos homens mais importantes do cristianismo. Deixou-nos 14 Cartas.

A festa litúrgica da conversão de são Paulo apareceu no século VI e é própria da Igreja latina. O martírio do Apóstolo dos gentios é comemorado no dia 29 de junho. A celebração do dia 25 de janeiro tem por finalidade considerar as várias facetas do Apóstolo por excelência. Ele diz de si mesmo: “Eu trabalhei mais que todos os apóstolos…”, mas também: “Eu sou o menor dos apóstolos… não sou digno de ser chamado apóstolo”.
Apresenta, ele mesmo, as credenciais: viu o Senhor, Cristo ressuscitado lhe apareceu, ele é testemunho da Ressurreição de Cristo, foi enviado directamente por Cristo. É como um dos Doze. Pertence a Jesus desde aquela hora em que, no caminho de Damasco, vencido por Cristo e prostrado em terra perguntou-lhe: “Senhor, que queres que eu faça?” Paulo então passou a pregar e propagar a fé que desejava exterminar. Em poucos segundos Jesus o transformou de um ferrenho perseguidor no maior Apóstolo do seu Evangelho em todos os tempos.

São Paulo tirou da sua experiência esta consoladora conclusão: “Jesus veio a esta mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro. Precisamente por isso encontrei misericórdia. Em mim especialmente Jesus Cristo quis mostrar toda a sua longanimidade, para que eu sirva de exemplo a todos aqueles que pela fé nele alcançarão a vida eterna.” “Conheço um homem em Cristo que foi arrebatado até ao terceiro céu. Se no corpo ou fora do corpo, não sei. Deus o sabe. Só sei que esse homem ouviu palavras inefáveis…” (2Cor 12,2).

São Paulo foi um Apóstolos de “fogo”; apaixonado por Jesus Cristo até a última fibra do seu corpo. Cristo era tudo para ele: “Para mim no viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fil 1, 21). “Tudo posso Naquele que me dá forças” (Fil 4,13). “Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou que vivo, é Cristo que vive em mim”. (Gal 2, 19-20).

Terminou a vida dizendo: “Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé” (1Tm 4,7) São Pedro e São Paulo foram as grandes colunas da Igreja em Roma; martirizados pelo mesmo Nero derramaram o seu sangue em Roma. Desde então a Sede da Igreja está em Roma.

(Prof. Felipe Aquino)

18 de janeiro de 2009

Senhor, onde moras?


Onde moras? Vinde e vede. E passaram com Jesus aquela tarde. Eram quatro horas. João não esqueceu a hora em que marcou o seu primeiro encontro com Jesus. João Baptista indicou; os dois acompanharam. Que teriam eles conversado? Como seria a casa de Jesus? Eles foram ver onde Jesus morava e a conversa terá sido muito animada, pois no dia seguinte eles disseram: “É Ele o Salvador”.


Quantas vezes somos convidados a ver e não aproveitamos a oportunidade. “Não temos tempo”, é a nossa resposta. Que voz convincente é a de Jesus? Eles largaram tudo e seguiram-no. Todos nós temos na nossa vida essas “quatro horas”.


“Cristo conta contigo”. Será que ele pode contar mesmo?


Deus chama-nos de diversos modos: Adão, Noé, Abraão, Moisés, Samuel e os profetas. E Deus continua a chamar. Do mesmo modo que Jesus chamou os discípulos, chama também cada um de nós. O reino de Deus exige serviço. Não podemos parar, porque o reino das trevas também não pára. André chamou seu irmão Pedro; João chamou seu irmão Tiago.

Temos que fazer outros discípulos. Chamar, não com palavras, mas com o exemplo.


Venham e vejam, disse Jesus. E hoje, nós somos convidados a ver o quê? Divisões, ciúmes, brigas, etc.


Quem é chamado não reconhece facilmente a voz de Deus. No meio de tantas vozes, é difícil identificar a voz que vem do alto. João Baptista na sua pregação indica aquele que deve ser seguido; já cumpriu seu dever. Jesus começa a caminhar.
As nossas comunidades devem fazer como o Baptista: não procurar discípulos para si, mas indicar Cristo aos outros.


Os homens, hoje, sentem necessidade de Deus, têm saudades dEle. Nós seremos intermediários. Por que ter medo?


A nossa oração, hoje, deveria conhecer sempre a pergunta dos discípulos: “Mestre, onde moras?”.

( Adapt. Escrito por Pe. Írio Rissi – CMF)

3 de agosto de 2008

Partilhar o Pão

Tendo-se retirado para um lugar deserto, Jesus é seguido pela multidão.
Ao entardecer os discípulos sugerem que a multidão seja enviada para comprar comida.
Jesus, porém, apresenta-lhes outra solução: "Vós mesmos dai-lhes de comer". Há uma compreensão comum de que Jesus fez os pães multiplicarem-se. Contudo, ao ser tentado pelo demónio, após seu baptismo, Jesus rejeitou transformar pedras em pães (Mt 4,3-4). Assim também não cabe a Jesus transformar pão em pães, multiplicando-os. Jesus fez um gesto de partilha, com o que tocou os corações de todos. Assim todos aqueles que tinham algum alimento o partilharam também, e todos ficaram saciados. O milagre de Jesus é tocar os corações, comunicando-lhes seu amor solidário e fraterno.
Jesus abençoa os pães e peixes que os discípulos lhe trazem. Abençoar significa redireccionar a Deus aquilo que é de Deus. Significa desvincularmo-nos dos bens em nossa posse, colocando-os ao alcance de todos. A bênção liberta também o coração, e a generosidade leva à partilha e à saciedade de todos.
A partilha é a expressão do amor de Jesus. Nada nos deve separar deste amor (como nos diz S.Paulo) que se manifesta hoje nas pessoas e comunidades que buscam a justiça e consolidam a fraternidade.Eis o grande milagre da vida. Deus dá em abundância para todos. Basta que saibamos colher o dom de Deus e reparti-lo entre todos. Dá para todos ficarem satisfeitos e ainda sobrar para os que vêm depois de nós. O grande milagre não é multiplicar os pães e os peixes, mas repartir o pão e o peixe que cada um tem, entre todos os outros. E sobram doze cestos cheios! Exactamente o número das doze tribos do povo de Deus... É esse o povo que Jesus veio formar e, com ele, fundar um mundo novo, uma nova sociedade e uma nova história. Um povo que celebra o banquete da vida, superando o banquete da morte.
(Adapt. Homilia prof diácono Miguel Teodoro)