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3 de maio de 2026

A Escolha dos Sete Diáconos

 

                                                           Parte de um afresco na Capela Nicolina, por Fra Angelico             

Atos 6,1-7
Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e obedecia à fé também grande número de sacerdotes.


Em At.6,1 ficamos a saber que a comunidade primitiva era composta por hebreus e helenistas.
Os hebreus eram judeus da região de Jerusalém tornados cristãos, cuja língua era o aramaico (que era a língua mais falada na Palestina a época) e liam a Bíblia em hebraico. Sentiam-se muito arreigados às tradições judaicas, sobretudo relativas ao Templo, as sinagogas e às tradições religiosas. Estes judeus-cristãos, eram muito bem vistos pelo povo e algumas vezes defendidos pelos fariseus.
Os helenistas era também um número considerável de fieis que tinham vivido fora da Palestina, pertenciam à Diáspora. Falavam grego comum, o koiné, liam a Bíblia em grego e estavam menos apegados à Lei de Moisés. Alguns deles sendo de origem pagã convertidos ao judaísmo (prosélitos). São conhecidos por cristão-helenistas.
Através dos sumários ( 2,44; 4,32-34) ficamos a saber que na comunidade primitiva se praticava a entreajuda material. Em 6,1 dá-nos a conhecer uma forma concreta dessa ajuda; a assistência prestada às viúvas.
Já no Antigo Testamento encontramos referências às viúvas e órfãos, como pertencendo às pessoas economicamente e socialmente desfavorecidas. Por isso a Lei previa medidas destinadas a socorrer esta categoria de pobres. E em algumas passagens do Novo Testamento se mostra que essa preocupação está presente nas comunidades cristãs.
É provável que seja esta assistência a que se refere  em 6,1b. Mas essa assistência também se deparava com algumas dificuldades práticas e disso temos conhecimento através 6,1-6, onde se fala do grupo das viúvas helenistas que era negligenciado.
Porque acontecia isto?
Talvez os hebreus em maior número e responsáveis pelo serviço de assistência, tivessem tendência em negligenciar a minoria (seria o facto da igreja primitiva cair no erro habitual das sociedades, que esquecem os direitos dos fracos e minorias, e teria seguido o rumo natural das mentalidades e das relações humanas).
Ou talvez essa diferença mostre a coexistência difícil entre duas mentalidades diferentes; os cristãos de origem judaica e os cristãos helenistas vindos da diáspora.
Fosse qual fosse a ocorrência, uma questão prática de distribuição de assistência ou uma questão mais teológica implicando concepção e mentalidades diferentes, a comunidade primitiva teve que enfrentar também o problema do conflito e teve que enfrentar uma espécie de crise de crescimento.
O fim da crise, tal como é relatado por Lucas, testemunha o funcionamento e a relação existente no interior da comunidade.
Este relato mostra a iniciativa e a autoridade reconhecida aos Doze Apóstolos e a responsabilidade e a participação da comunidade nas tarefas e organização da vida comunitária.
Os  Doze convocam a assembleia (v.2a), que propõem uma solução, motivando (vv 2b-4) e sugerindo o processo a seguir (v3). E são os Doze que consolidam a escolha da comunidade (v6).
A   comunidade aceita a sugestão dos Apóstolos (v5) e escolhe entre eles aqueles que melhor iriam representar o grupo helenista e de seguida apresenta-os aos Doze.


A PRIORIDADE DOS DOZE
Esta solução proposta pelos doze, é fundamentada na necessidade que existe dos apóstolos não «descurar a Palavra de Deus para servirem às mesas» (v2b), mas permanecerem «assíduos à oração e ao serviço da Palavra» (v4).
Vemos aqui a dupla função dos Apóstolos: proferir as orações e fazer catequese.
A pregação apostólica é essencialmente voltada para o exterior. Pois os doze têm que ser testemunhas da ressurreição até aos confins do mundo, não esquecendo o ensino apostólico no Templo e nas casas, tanto junto dos cristãos como dos não-cristãos. Para os Doze trata-se de uma prioridade e apesar disso o outro «serviço», o das mesas,  não é sacrificado.
Não podendo deixar-se encerrar num dilema ou a evangelização ou serviço aos pobres, a fé ou a caridade, a comunidade opta pela sua repartição.

            OS SETE
       Diz-se que a comunidade escolheu então sete homens do grupo dos gregos (Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas, e Nicolau), e os apóstolos encarregaram-nos solenemente da tarefa impondo-lhes as mãos. Os sete homens têm sido considerados como os primeiros diáconos, a ordem clerical encarregada de cuidar dos pobres e doentes na Igreja dos primeiros tempos. Em especial, Estevão e Filipe, desempenharam um papel particularmente ativo nos primeiros tempos do cristianismo.
 


25 de abril de 2016

São Marcos Evangelista


João Marcos 
Primo de Barnabé, é referido pela primeira vez nos Actos 12,12, serve para identificar a própria mãe, Maria, para casa da qual Pedro se dirigiu, depois de ser milagrosamente libertado da prisão.
Marcos acompanhou o seu primo Barnabé e Paulo, quando eles partiram na sua primeira viagem missionária. Tinham-no trazido de Jerusalém e levado com eles a Antioquia. Partindo com eles para Chipre, nesta primeira missão. Mas quando chegaram a Perga, Marcos deixou-os e regressou a Jerusalém. Esta decisão terá desagradado a Paulo, pois quando Barnabé pediu a Marcos para os acompanhar numa segunda viagem, Paulo recusou. Isto levou a que Paulo cortasse com Barnabé, após «uma violenta discussão» (Act.15,39) entre eles por causa de Marcos. Mas, Marcos deve ter-se reconciliado com Paulo, porque mais tarde é mencionado nas epístolas de Paulo como um dos seus «colaboradores» (Flm 24 ; 2Tm 4,11).
Marcos também esteve associado a Pedro, como podemos ler em 1Pd.5,13. Esta ligação levou Papias (autor cristão do século II ) a propor Marcos como autor do Evangelho que agora tem o seu nome. Segundo esta teoria, Marcos juntou-se a Pedro em Roma, onde registou ou interpretou as palavras de Pedro, que passaram a ser a fonte principal do segundo Evangelho. 

Foi martirizado em Alexandria, no dia da Páscoa, enquanto celebrava o santo sacrifício da Missa, e teve seu corpo arrastado por uma parelha de cavalos, aos 54 anos.
O seu símbolo como evangelista é o leão, a Igreja católica festeja o seu dia em 25 de abril, data em que o evangelista teria sido martirizado.

20 de abril de 2016

Primeira Viagem missionária


Percurso: Antioquia – Chipre – Panfília – Antioquia da Pisidia – Licaónia – Antioquia (Act. 13-14)


A cidade de Antioquia tem um lugar muito importante na vida missionária de Paulo. É aí, que ele encontra uma comunidade bilingue formada por judeus e pagãos convertidos. É aí que toma consciência da necessidade de urgente de pregar em países de língua grega.
Antioquia principal cidade da Síria (ver H.I.XII),  será o ponto de partida para todas as grandes viagens apostólicas e o ponto de chegada para dar acção de graças pela expansão do Evangelho, juntamente com os irmãos na fé.
 O itinerário de Paulo foi determinado pelo Espírito Santo, mas o facto de Barnabé ser cipriota talvez explique a razão de ser Chipre o primeiro porto a que acostaram nesta primeira viagem.
A ilha de Chipre, pátria de Barnabé, (Act.4,36), tinha uma comunidade judaica importante. Paulo tem um primeiro contacto com um acolhedor magistrado romano, o procônsul Sérgio Paulo. Mas também tem que enfrentar-se com um mago de origem judaica, Elimas (13,8). Nessa época havia grande atracção pelas ciências ocultas. Os homens insatisfeitos interiormente voltavam-se para o culto dos mistérios e «mergulhavam», por assim dizer, na magia.
A província da Panfília tinha muitas cidades importantes, e foi em Perga, uma dessas cidades, que Paulo desembarcou juntamente com Barnabé e João Marcos. Contudo, Paulo decidiu avançar para o interior, tendo seguido somente com Barnabé, por ter faltado a coragem ao jovem João Marcos para os acompanhar por caminhos, talvez, agrestes, talvez, perigosos. Seguem até à Pisídia, onde encontram muitas colónias judaicas.
A narração relativa a Antioquia da Pisídia (13,16-41) tem um valor típico. Permite-nos compreender como é que Paulo pregava, que acolhimento recebia e que cisões provocava a sua mensagem. É aqui que Paulo faz o seu primeiro grande discurso.
Lucas dá muita importância a este discurso, feito na sinagoga. Há um certo paralelismo entre o discurso programático de Jesus na sinagoga de Nazaré (Lc.4,18-27) e a pregação de Paulo nesta sinagoga. Em Nazaré, Jesus dirige-se a um público só judeu, Paulo a um público misto, formado por judeus e prosélitos.
O sucesso de Paulo junto dos prosélitos gerou a oposição violenta dos judeus (v.45). Paulo vê nisso o sinal indicado por Deus para a evangelização dos pagãos. Os judeus invejosos expulsam Paulo e Barnabé. Percorrem, então, as cidades da Licaónia, onde os judeus lhes fazem sentir as mesmas dificuldades. Contudo, em Listra acontece-lhes uma aventura singular. Em consequência da cura  de um paralítico, Barnabé  e Paulo são tomados por deuses, Zeus o deus do Olimpo e Hermes o seu porta-voz. Quando Paulo repara no sacrifício que preparam em sua honra, reage com indignação.
Apesar do milagre e aproveitando-se da decepção da multidão perante a recusa de Paulo, o judeus fomentam uma desordem contra ele. Paulo é apedrejado e quase morto. No dia seguinte partem para Derbe, depois de aí anunciarem a Boa Nova, Paulo e Barnabé regressam a Antioquia.

Esta primeira missão marca a grande expansão do Evangelho. Passa para além das fronteiras da Palestina, a Boa Nova chega às ilhas de Chipre e penetra no alto planalto da Anatólia.

15 de abril de 2016

Missão de Paulo e Barnabé na Ásia



A partir do capítulo 13 dos Atos dos Apóstolos, começa uma nova etapa na vida da comunidade cristã. Até aqui, Lucas centrava os acontecimentos em Pedro. Daqui em diante, Pedro vai desaparecendo progressivamente da sua narração e surge Paulo que passa a estar em lugar de destaque.
Paulo chamado o apóstolos dos gentios, percorreu muitos lugares, conheceu muitas gentes, levou o Evangelho até aos confins do mundo.
As viagens de Paulo levaram-no a percorrer as províncias romanas, numa época em que o império atingira quase a sua maior extensão e tinha-se criado um estado pacífico e estável com os reinados dos imperadores Augusto, Tibério e Cláudio. 
Viajar no interior do Império era fácil e seguro, graças ao sistema de estradas pavimentadas que ligavam as províncias e cidades principais, bem como às diversas rotas marítimas. Toda esta mobilidade era factor de desenvolvimento na zona mediterrânica. Paulo e os seus companheiros viajaram muitas vezes por estrada e por mar, servindo-se destas vias romanas.
Segundo os Actos, Paulo contactava frequentemente com os organismos de administração romana. Como cidadão romano manteve conversações com altos funcionários do império, como Galião, o procônsul de Acaia; o estadista e filosofo  Séneca (At. 18); Sérgio Paulo, o procônsul de Chipre (At 13); entre outros procuradores, governadores de província e administradores locais.
Paulo levou o Evangelho principalmente às cidades de língua grega do Mediterrâneo Oriental, e foi aí que o cristianismo se implantou com mais êxito.
Antioquia será o ponto de partida para todas as grandes viagens apostólicas de Paulo, e aí voltará sempre para dar acção de graças pela expansão do Evangelho.
A Igreja chegou a Antioquia levada pelos judeus helenistas depois da perseguição que levou à morte de Estêvão. Os helenistas foram expulsos de Jerusalém e estabeleceram-se em Antioquia. Aí pregam e convertem muitos gregos. A Igreja começava a crescer fora de Jerusalém. Este crescimento chega até aos ouvidos dos apóstolos que decidem enviar Barnabé para constatar a evangelização. Ele reconhece a obra de Deus e vai procurar Paulo a Tarso para ambos animarem esta comunidade durante um ano.
Mas Barnabé e Paulo não ficaram por aqui, vão ser protagonistas de uma etapa decisiva na expansão da Igreja através de uma missão na Ásia Menor. E é o Espírito Santo que toma directamente a iniciativa. (At.13,2) e os envia em missão. É Deus que age com eles.  Durante uma vigília de oração, o Espírito Santo pede à Igreja  que envie Barnabé Paulo em missão (v.2).

A cerimónia da saída em missão é marcada por uma imposição colectiva das mãos. Toda a comunidade se sente solidária com os missionários.

8 de abril de 2016

Os primeiros cristãos



A forma de viver dos primeiros cristãos agradava ao povo, pois tinham grande simpatia por eles. E todos os milagres e prodígios que os Apóstolos realizavam, faziam aumentar o número de crentes.
Mas nem todos estavam satisfeitos com esta situação.
Os primeiros cristãos são judeus. Continuam a comportar-se como judeus (vão ao Templo, respeitam o Sábado, cumprem a Lei, fazem a circuncisão). Mas formam um grupo à parte.
Nesse tempo no judaísmo havia muitas correntes: os saduceus, os fariseus, os zelotes, os assénios,...

Saduceus pertenciam uma situação social mais elevada. Eram influentes, todos os cargos de importância nacional quer de estado ou religião, estavam nas suas mãos. O seu comportamento era materialista. Conservadores no que respeita às ideias religiosas, eram fechados à novidade

Fariseus pertenciam à classe média. Não tinham muito dinheiro, mas possuíam o saber e o povo via neles os seus guias espirituais Eram especialistas e fieis à Lei. Estavam abertos a novas ideias esta atitude fez com que certos fariseus favorecessem o desenvolvimento da primeira comunidade de Jerusalém.

O Sinédrio - Era o conselho (ou colégio) dos mais altos magistrados do povo de Israel. Era constituído por 71 membros, pertencentes a três classes de pessoas: os anciãos (representantes da aristocracia laica), os Sumo Sacerdotes normalmente saduceus) e alguns escribas (fariseus). Era presidido pelo Sumo Sacerdote, reunia duas vezes por semana. Gozava de poder político, judicial e religioso.

O Templo de Jerusalém - é o centro de toda a religiosidade e de toda a vida do povo judeu. Era o centro comercial e financeiro de Jerusalém, por causa do grande movimento de peregrinos e centro de encontro de todos os judeus procedentes tanto da Palestina como da Diáspora. Constituía assim a sede da suprema autoridade política e religiosa entre os judeus.

No seu ensino, os apóstolos denunciavam a morte de Jesus, pondo em causa o julgamento feito pelos sumos sacerdotes, os quais tinham condenado Jesus à morte. Esta forma de anunciar opõem-se à maneira de ver dos saduceus, que consideram esta acção perigosa. Então a reacção não se fez esperar. Os Apóstolos são presos, intimidados, açoitados e proibidos de ensinar, talvez com receio do povo, são postos de novo em liberdade. Mas eles não desistem. Continuam a ensinar no Templo (espaço dos judaico) e nas casas (novo espaço dos cristãos). E assim o número dos crentes não parava  aumentar.
Ao longo doa Actos dos Apóstolos encontramos muitas perseguições:

Os Apóstolos eram presos, o que em vez dos enfraquecer aumentava a sua audácia e em vez de produzir medo aumentava o número de crentes.

6 de abril de 2016

As perseguições aos Apóstolos


Os Atos contam muitas vezes as perseguições dos Apóstolos e dos crentes de Jesus Cristo. A primeira teve lugar depois da cura do doente na porta Formosa do Templo (At.4,1-31). A Segunda é evocada no texto, sobre o qual nos debruçamos mais acima, (At.5, 17-42).
Mas Lucas não se limita a contar as perseguições, indica o seu sentido e a sua eficácia.
-           Os Apóstolos são presos, não ficam lá. São libertados quer pela decisão do tribunal (Sinédrio), quer por acontecimentos extraordinários, que Lucas apresenta como intervenção do Anjo do Senhor (At.5,17-20;  12,7-10;  16,25-26).
-           A perseguição em vez de enfraquecer os apóstolos aumenta a sua audácia. Ficam felizes por terem sofrido por Jesus Cristo. Apesar de correrem o risco de serem de novo presos, não desistem e continuam a anunciar a Boa Nova de Cristo.
-           A perseguição poderia ter provocado medo e diminuir o número dos crentes em Jesus Cristo, mas Lucas mostra o contrário, o número aumentava cada vez mais (At. 5,14).

Os cristãos aos quais Lucas se dirige, por volta do ano 80, já sofreram ou ouviram falar de perseguições pelas autoridades judaicas e romanas. A narração de Lucas fá-los ganhar coragem para enfrentar novas perseguições e continuarem cada vez mais audazes a «ensinar e anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo».

3 de abril de 2016

São Tomé

São Tomé foi um dos doze apóstolos de Jesus. Durante a última Ceia perguntou a Jesus sobre o caminho que leva ao Pai, Jesus respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
São Tomé era judeu de nascimento. Estava ausente no momento em que Cristo reapareceu aos discípulos. Exigiu provas materiais da ressurreição, por isso, Jesus ressurgiu e pediu-lhe que tocasse em suas chagas. Carpinteiro de origem é frequentemente citado em passagens do Novo Testamento, nos quatro evangelhos.
O Evangelho de São João dá-lhe grande destaque. João cita que ele incitou os discípulos a seguir Jesus e a morrer com ele na Judeia dizendo então aos discípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele! Perguntou a Jesus, durante a Última Ceia, sobre o caminho que conduz ao Pai: "Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?" Diz-lhe Jesus: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim".
São Tomé tinha temperamento audacioso e cheio de generosidade, percorreu as etapas da fé e professou que Jesus era realmente Deus e Senhor. Ausente na primeira aparição duvidou dos colegas que Jesus tivesse voltado. Oito dias depois, achavam-se os discípulos, de novo, dentro de casa, e o ascetista estava com eles. Jesus veio, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!".
E lhe disse depois: Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e as coloca do meu lado e não sejas incrédulo, mas crê! O apóstolo incrédulo respondeu "Meu Senhor e meu Deus!", tornando-se o primeiro dos apóstolos a se dirigir a Jesus nestes termos. Ninguém até aquele momento, nem mesmo Pedro e João, havia pronunciado a palavra Deus dirigindo-se a Jesus.
Era o terceiro apóstolo em idade depois de Pedro, mas ao contrário deste não era casado, assim como Bartolomeu, André, Simão, Judas e o próprio Jesus. Segundo as escrituras foi em resposta a ele que Jesus introduziu o mistério trinitário: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vocês me conhecem, conhecerão também meu Pai...". Segundo o bispo Eusébio de Cesareia, do século IV, depois da morte de Jesus, o discípulo evangelizou a Pátria e, pela tradição cristã posterior, estendeu seu apostolado à Pérsia e à Índia, onde é reconhecido como fundador da Igreja dos Cristãos Sírios Malabares ou Igreja dos Cristãos de São Tomé.
Consta que foi martirizado e morto pelo rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, onde ficam o monte São Tomé e a catedral de mesmo nome, supostamente local de seu sepultamento. Historiadores acreditam que o apóstolo foi morto a flechadas, quando orava. Sucumbiu como líder e mártir, como o crente fiel que Jesus lhe pediu.

Suas relíquias foram venerados na Síria e, depois, levadas para o Ocidente e preservadas em Ortona, na Itália. É festejado pelos católicos em 3 de julho

31 de janeiro de 2016

Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios


Nestes primeiros domingos do Tempo Comum, desde o Baptismo do Senhor até ao I Domingo da Quaresma, a 2ª Leitura centra-se na Primeira Epistola de S.Paulo aos Coríntios, capítulos 12, 13 e 15.


Paulo não a escreveu esta carta durante a primeira estadia em Corinto. Escreveu-a depois, quando estava em Éfeso. Quando recebeu más noticias de Corinto, da comunidade em Corinto. Más notícias que falavam de divisões e de escândalos.
Paulo preocupou-se e escreveu uma 1ª carta, carta essa que se perdeu, sabemos isso através da 1ª carta aos Coríntios em que ele fala que “ na 1ª carta que eu vos escrevi disse-vos isto, aquilo e aqueloutro”, está na 1ª carta aos Coríntios 5, 9.
Não chegou até hoje essa carta porque perdeu-se no tempo certamente.
Depois sabemos que essa carta não produziu o efeito desejado nos Coríntios e Paulo, ao saber isso, resolveu escrever uma 2ª carta. Essa carta vem na resposta daquela 1ª. Os seguidores de Paulo chamam a atenção para a divisão e os escândalos que não pararam, e colocam-lhe algumas perguntas sobre a moral, o culto, a ética. Então S. Paulo decide escrever esta carta que nós chamamos de 1ª aos Coríntios, mas na verdade seria 2ª aos Coríntios.

Esta carta baseia-se em 2 temas fundamentais:
Um, Jesus Cristo, a sabedoria de Deus, Jesus Cristo é a Palavra definitiva de Deus; outro, a liberdade, o amor cristão, como os fundamentos da vida cristã e a divisão.
Podemos ver que do 1º ao 4º capítulos Paulo fala dessas divisões existente naquela comunidade; fala da importância do símbolo da cruz e dos ministros;
No capítulo 5 fala-se de um caso de incesto, este era um dos escândalos, de um marido que convivia com a sogra;
No capítulo 6 fala-nos de rixas entre os cristãos e fala também do escândalo da fornicação;
No capítulo 7 fala do matrimónio e do celibato, porque colocaram-lhe a questão do que devemos escolher: o matrimónio ou o celibato? O que é que é mais agradável aos olhos de Deus? O que é que é mais elevado?
No capítulo 8 a 10 fala das vítimas sacrificadas, isto é da idolatria. Portanto sabemos que na cidade de Corinto estava ainda muito vivo o culto pagão e o culto pagão matava animais, sacrificava-os aos deuses e depois essas carnes imoladas eram comidas em grandes banquetes;
No capítulo 11 fala do véu das mulheres, a necessidade das mulheres usarem o véu como sinal de respeito, mas também da eleição, da ágape, isto é da confraternização entre os cristãos e da eucaristia;
No capítulo 12 e 13, estes que estamos a analisar, fala dos carismas e dos dons;
No capítulo 14 fala das profecias e línguas misteriosas;
No capítulo 15 da ressurreição
E por fim no último capítulo 16 fala da colecta para Jerusalém.

23 de janeiro de 2016

Evangelho São Lucas

O Evangelho de S. Lucas, tem um destinatário específico, Teófilo (1.3). Esse nome refere-se a uma pessoa e o emprego do adjetivo “excelentíssimo” junto com o nome, revela que se trata de alguém de posição importante. Teófilo era possivelmente o patrocinador de Lucas, responsável por mandar copiar e distribuir seus escritos. Dedicatórias como essa da abertura do livro de Lucas eram comuns naquela época.

Teófilo, no entanto, era mais que um patrocinador. A mensagem desse Evangelho visava à instrução não só daqueles entre os quais o livro iria circular, mas também ao próprio Teófilo (1.4). O facto de esse Evangelho ter sido inicialmente dirigido a Teófilo não reduz nem limita o seu propósito. Foi escrito para fortalecer a fé de todos os crentes e para reagir aos ataques dos incrédulos contra Jesus. Lucas queria demonstrar que o lugar ocupado pelo gentio convertido ao Reino de Deus baseia-se nos ensinos de Cristo. Queria recomendar a pregação do Evangelho ao mundo inteiro, não apenas aos judeus.

O Evangelho de Lucas foi escrito para os gregos, por isso Jesus é apresentado como o Homem Perfeito, pois os gregos sempre procuraram a perfeição. Os gregos inventaram a matemática, a ciência e a filosofia; foram os primeiros a escrever histórias em lugar de meros anais; especularam livremente sobre a natureza do mundo e as finalidades da vida, sem que se achassem acorrentados a qualquer ortodoxia herdada. Foi para esses intelectuais que Lucas descreveu a vida e a obra de Cristo, o Homem e o Salvador Perfeito. Lucas o descreveu como um homem cheio de simpatia para com toda a humanidade, Salvador de todos os homens, sem distinção de qualquer espécie.

Lucas escreveu especialmente para o povo grego, símbolo da cultura, da filosofia, da sabedoria e da educação, a fim de apresentar a gloriosa beleza e perfeição de Jesus, o Homem Perfeito. (adap.santovivo)

26 de dezembro de 2015

Santo Estêvão



Os Doze Apóstolos fazem a imposição das mãos e instituem os Sete novos responsáveis. Num primeiro momento são encarregados de organizar a partilha na comunidade: ajudas, refeições. Ficando ao Apóstolos mais livres para o ensino da Palavra.

Entre estes homens Estêvão é o que aparece em primeiro lugar, talvez fosse o chefe.
Ele é de cultura grega e fala para os judeus vindos da Diáspora entre eles há descendentes de antigos escravos que tinham sido levados como prisioneiros e regressaram depois de se tornarem livres, são os chamados «libertos». Estêvão discute fortemente com eles, deixando-os sem argumentos para contrariarem Estêvão. À falta de argumentos, eles denunciam-no às autoridades judaicas.

Estêvão comparece diante do Sinédrio. De novo são, O Sumo Sacerdote e ao anciãos que julgam Estêvão, tal como já tinha acontecido com Jesus alguns anos antes.
Estêvão faz um discurso que deixa o sinédrio irritado. Decidem que seja apedrejado e é arrastado para fora da cidade. Atiram-lhe pedras. Matam Estêvão à pedrada. É ele o primeiro discípulo condenado à morte por causa de Jesus. É um homem corajoso.

No meio de todos quantos o apedrejavam estava um jovem fariseu, Saulo de Tarso, que assistiu ao linchamento e aprovando a execução. Tinham-lhe ensinado que não se transige nem com a Lei, nem com as autoridades religiosas.

Esta morte de Estêvão vai marcar o ponto de partida de uma violenta perseguição aos primeiros cristãos. Muitos tiveram que fugir de Jerusalém. Aqui começa a expansão da Boa Nova fora de Jerusalém.  (cf. Actos dos Apóstolos 6, 8-15; 7, 54-59).


A Igreja fixou a memória de Estêvão no dia a seguir à Natividade de Cristo Senhor (26de dezembro), sublinhando assim a ligação entre a incarnação e o martírio.

22 de junho de 2008

Evangelho segundo São Mateus


Este Evangelho, transmitido em grego pela Igreja, deve ter sido escrito originariamente em aramaico, a língua falada por Jesus. O texto actual reflecte tradições hebraicas, mas ao mesmo tempo testemunha uma redacção grega. O vocabulário e as tradições fazem pensar em crentes ligados ao ambiente judaico; apesar disso, não se pode afirmar, sem mais, a sua origem palestiniana. Geralmente pensa-se que foi escrito na Síria, talvez em Antioquia ou na Fenícia, onde viviam muitos judeus, por deixar entrever uma polémica declarada contra o judaísmo farisaico. Atendendo a elementos internos e externos ao livro, o actual texto pode datar-se dos anos 80-90, ou seja, algum tempo após a destruição de Jerusalém.


Do seu autor, este livro nada diz; mas a mais antiga tradição eclesiástica atribui-o ao apóstolo Mateus, um dos Doze, identificado com Levi, cobrador de impostos (9,9-13; 10,3). Pelo conhecimento que mostra das Escrituras e das tradições judaicas, pela força interpelativa da mensagem sobre os chefes religiosos do seu povo, pelo perfil de Jesus apresentado como Mestre, o autor deste Evangelho era, com certeza, um letrado judeu tornado cristão, um mestre na arte de ensinar e de fazer compreender o mistério do Reino do Céu, o tesouro da Boa-Nova anunciada por Jesus, o Messias, Filho de Deus.

Mateus recorre a fontes comuns a Mc e Lc, mas apresenta uma narração muito diferente, quer pela amplitude dos elementos próprios, quer pela liberdade com que trata materiais comuns. O conhecimento dos processos e os modos próprios de escrever de Mateus são de grande importância para a compreensão do livro actual: compilação de palavras e de factos, de “discursos” e de milagres; recurso a certos números (7, 3, 2); paralelismo sinonímico e antitético; estilo hierático e catequético; citações da Escritura, etc..

Poderemos dividir este Evangelho em três partes.
I. Evangelho da Infância de Jesus (1,1-2,23);
II. Anúncio do Reino do Céu (3,1-25,46);
III. Paixão e Ressurreição de Jesus (26,1-28,20).

7 de junho de 2008

São Mateus Apóstolo


Apóstolo de Cristo escritor do primeiro dos três evangelhos sinópticos. Em hebraico é o mesmo que Matias ou Matatias, significando presente (mathath) de Javé (Iah) ou dom de Deus, de acordo com o seu próprio Evangelho (9:9-13), seu nome original era Levi, filho de Alfeu, e foi chamado por Jesus junto ao mar da Galiléia, em Cafarnaum, quando trabalhava como publicano a serviço de Herodes Antipas. Era publicano, ou seja, cobrador de impostos, justamente a classe muito odiada na época de Jesus, por cobrarem impostos dos judeus para serem entregues às autoridade romanas. Da sua actividade após o Pentecostes, conhece-se somente as admiráveis páginas do seu evangelho, primitivamente redigido em aramaico. Denominado de primeiro evangelho, nele se dá mais enfase ao aspecto humano e genealógico de Jesus. Fora do Evangelho, segundo Eusébio de Cesaréia em sua Historia ecclesiae (História da igreja), a única referência histórica a seu respeito é uma citação do bispo Papias de Hierápolis, do século II. Também não se conhecem versões conclusivas sobre sua morte, embora fontes menos credíveis, referenciam narrações dos sofrimentos e do seu martírio, apedrejado, queimado e decapitado na Etiópia, de onde as relíquias do santo teriam sido transportadas para Paestum. Depois, essas relíquias foram levadas para a cidade italiana de Salerno (1080), onde até hoje se encontram e sejam consideradas pelos mais crentes como verdadeiramente do santo. Apóstolo e evangelista, pela tradição ele pregou pela Judéia, Etiópia e Pérsia e a igreja romana celebra sua festa em 21 de Setembro, e a grega em 16 de Novembro e seu símbolo como evangelista é o anjo.

8 de maio de 2008

Depois da Ascensão



Nos dias a seguir à Ascensão, os apóstolos viviam com grandes receios e refugiavam-se em oração constante. Com eles estavam outros discípulos, juntamente com Maria, mãe de Jesus, que desde o primeiro momento esteve sempre presente.


A missão: A missão é o testemunho que os apóstolos devem dar da Boa Nova de Jesus. Não basta pregar, é necessário ser testemunha. Devem testemunhar o que viram e ouviram durante o tempo que acompanharam a vida pública de Jesus. Ser testemunhas da sua Vida, da sua Mensagem, sobretudo darem testemunho do seu Mistério Pascal. É esta a Boa Nova que os apóstolos devem espalhar em Jerusalém em toda a Judeia, Samaria até aos confins da terra.

Os doze: O grupo dos apóstolos depois da morte de Judas ficou reduzido a onze. O facto de Jesus ter escolhido 12 apóstolos é significativo. Simbolizando, possivelmente esse número, as 12 tribos de Israel. Os apóstolos decidiram repor esse número, para isso, fazem a escolha de Matias, tirando à sorte de acordo com o precedente bíblico. Em Act. 1,22 Lucas afirma que Judas deve ser substituído por alguém que tenha testemunhado todo o ministério público de Jesus. É este grupo de doze que irá constituir o órgão que governará a primeira Igreja organizada de Jerusalém.

26 de abril de 2008

Depois da Ressurreição VIII

Pedro e João na Samaria (Actos 8)
A segunda parte deste relato mostra a autoridade especial dos Apóstolos.
Nos Actos, o baptismo na água e o dom do Espírito Santo estão intimamente associados, mas não são idênticos: havia pessoas que podiam baptizar, mas só os Apóstolos, representados por Pedro e João, podiam conceder o Espírito Santo, o que faziam pondo as mãos sobre os convertidos samaritanos (8,16-17).

Nos samaritanos, o equivalente do «Pentecostes», no que se refere à manifestação extraordinária do Espírito, deu-se no momento da imposição das mãos por Pedro e João. Não se trata de falar em línguas nem doutros sinais exteriores espectaculares. Mas 8,18 deixa-se entender que algo semelhante aconteceu, pois Simão pôde «ver que o Espírito Santo era dado pela imposição das mãos dos Apóstolos».

Enquanto em Act.2 e 10, o Espírito Santo vem primeiro sobre um grupo antes de ser recebido por cada um no baptismo, em Act. 8,16, o processo é inverso. Certas pessoas foram primeiro baptizadas por Filipe e só depois, graças à imposição das mãos dos apóstolos, fazem colectivamente a experiência de uma manifestação do Espírito Santo, semelhante à do Pentecostes.

Talvez a manifestação extraordinária em Act. 8, para além de marcar a inauguração da missão e da implantação da Igreja em novas etapas, tenha um outro significado, relativo ao grupo apostólico. Talvez confirme a importância que Lucas atribui ao grupo dos Doze.

Quanto a Simão, o Mago, «viu» que Pedro e João tinham o poder de conceder o Espírito Santo, tentou adquirir o mesmo poder para si próprio (8, 18-19) ( daqui o termo simonia, para designar a compra ou venda de um cargo espiritual ou coisas santas ). Pedro aplicou um castigo severo a Simão pela sua presunção, embora nos Actos se afirme que Simão se arrependeu (8,20-24).

24 de abril de 2008

Depois da Ressurreição VII


Filipe leva o Evangelho à Samaria
Após ter apresentado em 2,1-41 o nascimento da Igreja em Jerusalém, Lucas descreve a seguir , até ao fim do capítulo 7, como se exerce aí o testemunho apostólico, como realização da primeira etapa anunciada em 1,8:«Sereis minhas testemunhas em Jerusalém».
O capítulo 8 dá-nos conta do conjunto da actividade missionária desenvolvida fora de Jerusalém.
Para Lucas a morte de Estevão e a perseguição que se lhe seguiu tiveram consequências positivas: o anunciar do evangelho desde Jerusalém até à Judeia e à Samaria.
Com efeito, a «etapa Jerusalém» está terminada, como explica o início do capítulo 8. Perseguida, a Igreja de Jerusalém tem de dispersar «pelas terras da Judeia e Samaria» (8,1).
A evangelização encontra nesta dispersão a oportunidade de se estender fora de Jerusalém. Tendo os Apóstolos ficado aí (8,1b), a evangelização será feita no princípio sem eles. Na Judeia e na Samaria, é Filipe, um dos Sete mandatados pelos apóstolos, que terá o papel central. A maior parte de Act.8 descreve a sua actividade missionária.
Filipe pregou numa «cidade da Samaria» (8,5), diz-se que fez muitas curas em Samaria (8,4-7), os habitantes desta região eram particularmente receptivos a esse tipo de milagres, pois durante algum tempo tinham-se deixado cativar por um praticante de artes mágicas, ou mago, chamado Simão (8,9). Os samaritanos viam em Simão, o Mago, poderes divinos, mas as curas feitas por Filipe foram mais numerosas e impressionantes o que fez com que muitos se convertessem. Também Simão acreditou em Filipe e na Boa Nova do Reino de Deus, tendo-se convertido e recebeu o baptismo juntamente com homens e mulheres da região.(8,12-13).

19 de abril de 2008

Depois da Ressurreição VI

Instituição dos Sete (Act.6, 1-7)
Os Doze convocam a assembleia (v.2a), que propõem uma solução, motivando (vv 2b-4) e sugerindo o processo a seguir (v3). E são os Doze que consolidam a escolha da comunidade (v6).
A comunidade aceita a sugestão dos Apóstolos (v5) e escolhe entre eles aqueles que melhor iriam representar o grupo helenista e de seguida apresenta-os aos Doze.
Este episódio, como podemos constatar, centra-se alternadamente na comunidade e nos Doze Apóstolos.
6,1 A comunidade dá conta da situação crítica.
6,2-4 Os doze sugerem uma proposta de solução.
6,5 A comunidade aceita a proposta e executa-a.
6,6 Os doze confirmam e executam a escolha.


A prioridade dos dozeEsta solução proposta pelos doze, é fundamentada na necessidade que existe dos apóstolos não «descurar a Palavra de Deus para servirem às mesas» (v2b), mas permanecerem «assíduos à oração e ao serviço da Palavra» (v4).
Vemos aqui a dupla função dos Apóstolos: proferir as orações e fazer catequese.
A pregação apostólica é essencialmente voltada para o exterior. Pois os doze têm que ser testemunhas da ressurreição até aos confins do mundo, não esquecendo o ensino apostólico no Templo e nas casas, tanto junto dos cristãos como dos não-cristãos. Para os Doze trata-se de uma prioridade e apesar disso o outro «serviço», o das mesas, não é sacrificado.
Não podendo deixar-se encerrar num dilema ou a evangelização ou serviço aos pobres, a fé ou a caridade, a comunidade opta pela sua repartição.


Os Sete
A comunidade escolheu então sete homens do grupo dos gregos (Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas, e Nicolau), e os apóstolos encarregaram-nos solenemente da tarefa impondo-lhes as mãos*. Os sete homens têm sido considerados como os primeiros diáconos**, a ordem clerical encarregada de cuidar dos pobres e doentes na Igreja dos primeiros tempos. Em especial, Estevão e Filipe, desempenharam um papel particularmente activo nos primeiros tempos do cristianismo.


*Imposição das mãos, este gesto com raízes no Antigo Testamento, ocorre muitas vezes nos Actos como:
- Introdução num ministério da comunidade (6,6)
- Transmissão do Espírito em ligação com o baptismo (19,6)
- No momento de alguma cura (28,8)
- No envio em missão (13,3)

**Diácono, nome que radica da palavra diakonia que quer dizer serviço.

17 de abril de 2008

Depois da Ressurreição V


Instituição dos Sete Diáconos

Os sumários que vamos encontrando ao longo dos Actos dos Apóstolos, dão-nos a imagem de uma vida comunitária em perfeita harmonia. Nos primeiros cinco capítulos, apenas o episódio de Ananias e Safira ensombra a vida desta comunidade.
A partir do capítulo VI encontramos alguns episódios que perturbam essa harmonia. O primeiro dá-se no interior da comunidade (Act.6, 1-7).
Em Act.6,1 ficamos a saber que a comunidade primitiva era composta por hebreus e helenistas.
Os hebreus eram judeus da região de Jerusalém tornados cristãos, cuja língua era o aramaico (que era a língua mais falada na Palestina a época) e liam a Bíblia em hebraico. Sentiam-se muito arreigados às tradições judaicas, sobretudo relativas ao Templo, as sinagogas e às tradições religiosas. Estes judeus-cristãos, eram muito bem vistos pelo povo e algumas vezes defendidos pelos fariseus.
Os helenistas era também um número considerável de fieis que tinham vivido fora da Palestina, pertenciam à Diáspora. Falavam grego comum, o koiné, liam a Bíblia em grego e estavam menos apegados à Lei de Moisés. Alguns deles sendo de origem pagã convertidos ao judaísmo (prosélitos). São conhecidos por cristão-helenistas.
Através dos sumários ( 2,44; 4,32-34) ficamos a saber que na comunidade primitiva se praticava a entreajuda material. Em 6,1 dá-nos a conhecer uma forma concreta dessa ajuda; a assistência prestada às viúvas.
Já no Antigo Testamento encontramos referências às viúvas e órfãos, como pertencendo às pessoas economicamente e socialmente desfavorecidas. Por isso a Lei previa medidas destinadas a socorrer esta categoria de pobres. E em algumas passagens do Novo Testamento se mostra que essa preocupação está presente nas comunidades cristãs.
É provável que seja esta assistência a que se refere em 6,1b. Mas essa assistência também se deparava com algumas dificuldades práticas e disso temos conhecimento através 6,1-6, onde se fala do grupo das viúvas helenistas que era negligenciado.
Porque acontecia isto?
Talvez os hebreus em maior número e responsáveis pelo serviço de assistência, tivessem tendência em negligenciar a minoria (seria o facto da igreja primitiva cair no erro habitual das sociedades, que esquecem os direitos dos fracos e minorias, e teria seguido o rumo natural das mentalidades e das relações humanas).
Ou talvez essa diferença mostre a coexistência difícil entre duas mentalidades diferentes; os cristãos de origem judaica e os cristãos helenistas vindos da diaspóra.
Fosse qual fosse a ocorrência, uma questão prática de distribuição de assistência ou uma questão mais teológica implicando concepção e mentalidades diferentes, a comunidade primitiva teve que enfrentar também o problema do conflito e teve que enfrentar uma espécie de crise de crescimento.
O fim da crise, tal como é relatado por Lucas, testemunha o funcionamento e a relação existente no interior da comunidade.
Este relato mostra a iniciativa e a autoridade reconhecida aos Doze Apóstolos e a responsabilidade e a participação da comunidade nas tarefas e organização da vida comunitária.

10 de abril de 2008

Depois da Ressurreição IV

O autor dos Actos dos Apóstolos
Desde de sempre a tradição da Igreja atribui a S. Lucas a autoria deste Livro. Desde o século II se reconhece em Lucas o "caríssimo" médico (Col.4,-14), o "colaborador" (Flm 24) que acompanha Paulo.
Quem era São Lucas?
Parece ter sido um pagão que se converteu ao cristianismo, talvez originário de Antioquia da Síria.
Culto, maneja com uma certa elegância a língua grega, tem o gosto pela clareza.
Convertido ainda jovem, não foi testemunha ocular da vida de Jesus Cristo.
Acompanhou S. Paulo em muitas das suas viagens à Macedónia, a Jerusalém e a Roma. Possivelmente esteve com o apóstolo até à sua morte em Roma, por volta de 64 d.C.
Depois da morte de S. Paulo, pregou o Evangelho na Botínia e na Acaia.
Cerca dos anos 80, decidiu escrever a sua obra em dois volumes, dando um relato histórico e teológico da vida de Jesus Cristo (Evangelho S. Lucas) e das origens da Igreja (Actos dos Apóstolos). Lucas no seu primeiro livro descreve a expansão da Boa Nova, a manifestação de Jesus começa em Nazaré (Lc.4,16) e termina em Jerusalém (Lc.24, 49). Enquanto que nos Actos dos Apóstolos o anúncio da Boa Nova faz-se a partir de Jerusalém (Act.2 - 8,3), passando depois a toda a Palestina (Act. 8,4 -12,25) e propagando-se pela Ásia Menor, Grécia, até chegar a Roma (Act. 13,1 - 28, 30).
Os seus textos são de uma grande delicadeza para com Jesus, os pobres, as mulheres e os pecadores.
Gosta de interromper os seus relatos com sumários nos quais resume os aspectos que deseja ver fixados. (Act. 2,42-47; 4,32-35; 5,12 -15;...)
Bom historiador, tem o cuidado de situar os acontecimentos na história. Mas é um historiador crente: o que narra é uma boa nova que descobriu e quer partilhar com os outros.
Não se sabe para que comunidade é que escreveu, mas facilmente se pode deduzir em que tipo de Igreja a sua mensagem se formou. Comunidade nascida em território pagão, como as de Antioquia ou de Filipos.
Estes cristãos são antigos pagãos e sabem que é por graça e não por nascimento que são recebidos na aliança de Deus com Israel.
Eles fizeram a experiência do Espírito: as suas igrejas nasceram fora do círculo de Jerusalém, nasceram pela Palavra e pelo Espírito Santo.

5 de abril de 2008

A caminho de Emaús


Os discípulos de Emaús convidam aquele “viajante” a ficar com eles, e apenas o reconhecem na “fracção do pão” e correm a contá-lo aos Onze, porque Ele, antes, lhes abriu os olhos da fé com a interpretação das Escrituras e lhes aqueceu o coração com o entendimento dos mistérios da Palavra de Deus.

Sem a luz da fé que nos vem das Escrituras, não podemos compreender o mistério da Eucaristia, nem entrar em comunhão com o Deus; e, sem isso, não há celebração do sacramento nem vida eucarística.
Esta passagem supõe uma experiência de vida eucarística da comunidade de Lucas, precedida e acompanhada pelo «ensino dos Apóstolos» e de outros «Servidores da Palavra» (Act 2,42; Lc 1,2) e seguida de solidariedade e partilha e um grande zelo apostólico (Act 4,32-33)
A Eucaristia é luz antes de mais nada porque, em cada Missa, a liturgia da Palavra de Deus precede a liturgia Eucarística, na unidade das duas “mesas” – a da Palavra e a do Pão.
É da Palavra que nos vem a fé (Rm 10,17), necessária para acolher e celebrar o sacramento da Eucaristia.

4 de abril de 2008

Depois da Ressurreição III

ACTOS DOS APÓSTOLOS
Os Actos dos Apóstolos é a continuação de outra obra do mesmo autor, o Evangelho de S. Lucas. No Evangelho de S. Lucas relata-se a vida terrena de Jesus até à Sua ascensão; nos Actos dos Apóstolos começando com a ascensão (Act.1,1-11), relata-se a presença de Jesus através do Espírito Santo, que influi em todos os actos dos apóstolos e de quantos aderiram à fé cristã.
Em todo o relato dos Act. Apóstolos destacam-se como personagens principais os apóstolos Pedro e Paulo, mas o verdadeiro protagonista é o Espírito Santo, que ilumina e guia, no curso da história da humanidade, a Igreja de Jesus Cristo.
Os acontecimentos relatados neste livro, abrem o caminho para o projecto que a Igreja de todos os tempos tem para realizar: Anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo a toda a humanidade até aos lugares mais distantes do mundo. Podemos dividir este livro em três partes:

1ª Fundação da Igreja de Jerusalém depois da ascensão de Jesus (Act. 1,1 - 8,3).

2ª Difusão da Boa Nova por toda a Palestina (Act. 8,4 - 12,25)

3ª Propagação da fé cristã por todo o mundo mediterrânico até Roma (13, 1 - 28,30)