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30 de setembro de 2019

Domingo da Palavra de Deus



O Papa Francisco anunciou hoje a instituição de um “Domingo da Palavra de Deus”, celebração anual nas comunidades católicas que visa promover a “familiaridade” com a Bíblia.
“A Bíblia não pode ser património só de alguns e, menos ainda, uma coletânea de livros para poucos privilegiados”, escreve, na carta apostólica ‘Aperuit illis’  (Abriu-lhes o entendimento)
A celebração vai acontecer no III Domingo do Tempo Comum do calendário litúrgico, visando “a celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”.
“O dia dedicado à Bíblia pretende ser, não ‘uma vez no ano’, mas uma vez por todo o ano, porque temos urgente necessidade de nos tornar familiares e íntimos da Sagrada Escritura e do Ressuscitado, que não cessa de partir a Palavra e o Pão na comunidade dos crentes”, precisa o Papa.
A celebração anual vai ser assinalada pela primeira vez a 26 janeiro 2020, num momento em que decorrem tradicionalmente iniciativas que visam o diálogo entre confissões cristãs e com o mundo judaico.

8 de setembro de 2019

Seguir Jesus


EVANGELHO - Lc 14,25-33
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
seguia Jesus uma grande multidão.
Jesus voltou-Se e disse-lhes:
«Se alguém vem ter comigo,
sem Me preferir ao pai, à mãe,
à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs
e até à própria vida,
não pode ser meu discípulo.
Quem não toma a sua cruz para Me seguir,
não pode ser meu discípulo.
Quem de entre vós, que, desejando construir uma torre,
Não se senta primeiro a calcular a despesa,
para ver se tem com que terminá-la?
Não suceda que, depois de assentar os alicerces,
se mostre incapaz de a concluir
e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo:
'Esse homem começou a edificar,
mas não foi capaz de concluir'.
E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei
e não se senta primeiro a considerar
se é capaz de se opor, com dez mil soldados,
àquele que vem contra com ele com vinte mil?
Aliás, enquanto o outro ainda está longe,
manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz.
Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens,
não pode ser meu discípulo».

Seguir significa pegar a cruz: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”. Isso não significa o sofrimento, mas a totalidade da adesão ao amor.

16 de fevereiro de 2018

Tempo da Quaresma




AS LEITURAS BÍBLICAS DA QUARESMA.
  • Missas dominicais.

As leituras dominicais de Quaresma têm uma organização unitária, que terá que ter presente na pregação.
As leituras do Antigo Testamento seguem sua própria linha, que não tem uma relação direta com os evangelhos, como o resto do ano. Uma linha importante para compreender a História da Salvação.
Os Evangelhos seguem também uma temática organizada e própria.
E as leituras que se fazem em segundo lugar, as apostólicasestão pensadas como complementares das anteriores.
A. A primeira leitura tem neste tempo de Quaresma uma intenção clara: apresentar os grandes temas da História da Salvação, para preparar o grande acontecimento da Páscoa do Senhor:
- A criação e origem do mundo (primeiro domingo).
- Abraão, pai dos fiéis (segundo domingo).
- O Êxodo e Moisés (terceiro domingo).
- A história de Israel, centrada sobre tudo em Davi (quarto domingo).
- Os profetas e sua mensagem (quinto domingo).
- O Servo de Yahvé (domingo de Ramos).
Estas etapas se proclamam de modo mais direto no Ciclo A, em seus momentos culminantes.
No Ciclo B se centram sobre tudo no tema da Aliança (com o Noé, com o Abraão, com Israel, o exílio, o novo louvor anunciado por Jeremias).
No Ciclo C, as mesmas etapas se vêem mas bem do prisma do culto (oferendas de primícias, celebração da Páscoa, etc.).
No sexto domingo, ou domingo de Ramos na Paixão do Senhor, invariavelmente se proclama o canto do Servo de Yahvé, por Isaías.
Estas etapas representam uma volta à fonte: a história das atuações salvíficas de Deus, que preparam o acontecimento central: o mistério Pascal do Senhor Jesus. Na pregação terá que levar em conta esta progressão, para não perder de vista o caminho para a Páscoa.
B. A leitura Evangélica tem também sua coerência independente ao longo das seis semanas:
- primeiro domingo: o tema das tentações de Jesus no deserto, lidas em cada ciclo segundo seu evangelista; o tema dos quarenta dias, o tema do combate espiritual.
- segundo domingo: a Transfiguração, lida também em cada ciclo segundo o próprio evangelista; de novo o tema dos quarenta dias (Moisés, Elias, Cristo) e a preparação pascal; a luta e a tentação levam a vida.
- terceiro domingo, quarto e quinto: apresentação dos temas catequéticos da iniciação cristã: a água, a luz, a vida.
No Ciclo A: os grandes temas batismais de São João: a samaritana (água), o cego (luz), Lázaro (vida).
No Ciclo B: tema paralelos, também de São João: o Templo, a serpente e Jesus Servo.
No Ciclo C: temas de conversão e misericórdia: iniciação a outro Sacramento quaresmal-pascal: a Penitência.
Sexto domingoa Paixão de Jesus, cada ano segundo seu evangelista (reservando a Paixão de São João para a Sexta-feira Santa).
O pregador deve levar em conta esta unidade e ajudar a que a comunidade vá desentranhando os diversos aspectos de sua marcha para a Páscoa, não ficando, por exemplo no tema da tentação ou da penitência, mas sim entrando também aos temas batismais: Cristo e sua Páscoa são para nós a chave da água viva, da luz verdadeira e da nova vida.

C. A segunda leitura está pensada como complemento dos grandes temas da História da Salvação e da preparação evangélica à Páscoa. Temas espirituais, relativos ao processo de fé e conversão e a concretização moral dos temas quaresmais: a fé, a esperança, o amor, a vida espiritual, filhos da luz, etc.
  • Missas feriais.

Este grupo de leituras tem grande influencia na vida espiritual daqueles cristãos que acostumam a participar ativamente na eucaristia diária. É bom assinalar que o lecionário ferial de Quaresma foi construindo-se ao longo de vários séculos e antes da reforma conciliar sempre foi o mais rico de todo o ano litúrgico. A reforma litúrgica o respeitou por sua antiga tradição e riqueza. Ao haver-se construído com os séculos, sua temática é bastante variada e muito longínqua, portanto, pelo que é uma leitura contínua ou um plano concebido de conjunto, que são as formas às que nos tem acostumados os lecionários  saídos da reforma conciliar.
O atual lecionário ferial da missa divide a Quaresma em duas partes: por um lado, temos os dias que vão desde Quarta-feira de Cinzas até  sábado da III semana; e por outro, as feiras que discorrem desde segunda-feira de IV semana até o começo do Tríduo Pascal.
(conf.acidigital)Tempo da Quarema

27 de novembro de 2016

Ano Liturgico


Demos início a um novo ano litúrgico, este ano é Ano A.
O ano litúrgico divide-se em duas grandes partes: Mistério da Encarnação e Mistério da redenção.
No tempo em que celebramos o Mistério da Encarnação recordamos a Encarnação do Filho de Deus, que se fez em carne, para nos vir dizer de maneira mais fácil de ser compreendida a Palavra de Deus.
Este tempo está dividido em duas partes: Advento e Natal.
O Advento é o tempo de preparação para o Natal, é um tempo de espera por Aquele que há-de vir, o Messias.
O tempo de Advento são as quatro semanas que antecedem o Natal, a 25 de Dezembro, assim divididas: as 3 primeiras semanas, são de preparação para o encontro que um dia teremos com o Senhor, é assim um tempo de preparação para a nossa morte, um tempo de conversão, de escuta e de oração, como ao longo do Antigo Testamento os profetas recomendavam ao povo que fizesse, enquanto esperava a vinda do Messias. Na última semana, preparamos a celebração festiva do nascimento de Jesus, o presépio, a missa do dia de Natal.
O tempo de Natal começa normalmente com a Missa do Galo, à meia noite de 24 para 25 de Dezembro. No Domingo seguinte, comemora-se o dia da Sagrada Família e oito dias depois do Natal, 1 de Janeiro, comemora-se Santa Maria, Mãe de Deus. No dia 6 de Janeiro é a Epifania do Senhor, ou Dia de Reis, que nos países onde não é feriado se celebra no Domingo a seguir ao dia 1. O Domingo seguinte é aquele em que se celebra o Baptismo do Senhor, encerrando o tempo de Natal e dando início ao Tempo Comum.
Note-se ainda que 6 de Dezembro é o dia em que a Igreja comemora São Nicolau, a que alguns chamam Pai Natal
No dia 8 de Dezembro comemora-se a Imaculada Conceição de Nossa Senhora.
Os oito dias anteriores ao Natal são dedicados à Senhora do Ó. As antífonas do Evangelho da Oração de Véspera iniciam-se por Ó, nestes dias. São os dias de espera pelo parto. Sob a denominação de Senhora do Ó, Maria é representada grávida.
Depois do parto, Maria, Mãe de Deus, é representada a amamentar, sob a denominação de Nossa Senhora do Leite.
No dia 26 de Dezembro é comemorado Santo Estêvão que segundo a tradição terá sido o primeiro mártir cristão.
O dia 27 de Dezembro é dedicado ao evangelista do Amor, São João.

No dia 28 de Dezembro comemoram-se os Santos Inocentes, aqueles que morreram por ordem do rei Herodes que, deste modo, tentava matar Jesus.

15 de fevereiro de 2016

Quaresma


As leituras dominicais de Quaresma têm uma organização unitária.

As leituras do Antigo Testamento seguem sua própria linha, que não tem uma relação direta com os evangelhos, como o resto do ano. Uma linha importante para compreender a História da Salvação.

A segunda leitura está pensada como complemento dos grandes temas da História da Salvação e da preparação evangélica à Páscoa.

Os Evangelhos seguem uma temática organizada e própria.

A leitura Evangélica tem também sua coerência independente ao longo das seis semanas:
- primeiro domingo: o tema das tentações de Jesus no deserto, lidas em cada ciclo segundo seu evangelista; o tema dos quarenta dias, o tema do combate espiritual.
- segundo domingo: a Transfiguração, lida também em cada ciclo segundo o próprio evangelista; de novo o tema dos quarenta dias (Moisés, Elias, Cristo) e a preparação pascal; a luta e a tentação levam a vida.
- terceiro domingo, quarto e quinto: apresentação dos temas catequéticos da iniciação cristã: a água, a luz, a vida.
No Ciclo A: os grandes temas batismais de São João: a samaritana (água), o cego (luz), Lázaro (vida).
No Ciclo B: temas paralelos, também de São João: o Templo, a serpente e Jesus Servo.
No Ciclo C: temas de conversão e misericórdia: iniciação a outro Sacramento quaresmal-pascal: a Penitência.
-sexto domingo: a Paixão de Jesus, cada ano segundo seu evangelista (reservando a Paixão de São João para a Sexta-feira Santa).
(Adap acidigital)


16 de janeiro de 2016

Bodas de Caná


Em Caná da Galileia celebraram-se umas bodas. S. João é o único evangelista que narra o primeiro sinal de Jesus, realizado durante aquela celebração em Caná, a pedido de Nossa Senhora, converteu a água em vinho.(Cf. Jo 2,1-11).  


Desde os tempos mais antigos, a riqueza e densidade do relato de S. João sobre os primeiros passos do Senhor na sua vida pública alimentaram a reflexão cristã. O milagre de Caná assinala o início dos sinais messiânicos, anuncia já a Hora da glorificação de Cristo e manifesta a fé dos apóstolos n’Ele. 


Por isso, é significativo que S. João tenha referido a presença e a atuação de Nossa Senhora naquele momento.
A entrega do Senhor pelos homens tem a sua hora, que em Caná ainda não tinha chegado. Contudo, Jesus antecipa-a graças à intercessão da Santíssima Virgem: “Maria põe-se de permeio entre o seu Filho e os homens na realidade das suas privações, das suas indigências e dos seus sofrimentos. Põe-se de "permeio", isto é, faz de mediadora, não como uma estranha, mas na sua posição de mãe, consciente de que como tal pode - ou antes, "tem o direito de" - fazer presente ao Filho as necessidades dos homens.” (João Paulo II, Encíclica Redemptoris Mater, 25-III-1987, nº 21).


Desde sempre, o povo cristão confiou na mediação da Mãe de Jesus, venerando e invocando continuamente. A figura de Maria não pode entender-se senão a partir de Cristo, pois tudo em Maria tem raiz, orientação e sentido cristocêntrico. É ela que nos diz: «Fazei tudo o que Ele vos disser»

bodas de caná

11 de janeiro de 2016

Tempo Comum





Nesta segunda-feira, a seguir ao Domingo do Batismo do Senhor, dá-se início ao tempo comum, o qual está dividido em duas partes.

1ª PARTE
Início:  Segunda feira após o Batismo de Jesus
Término:  Véspera da Quarta-feira das Cinzas
Espiritualidade:  Esperança e escuta da Palavra
Ensinamento:  Anúncio do Reino de Deus
Cor:  Verde
1ª Parte: Começa após o batismo de Jesus e acaba na terça antes da quarta-feira de Cinzas.

2ª PARTE
Início:  Segunda-feira após o Pentecostes
Término:  Véspera do 1º Domingo do Advento
Espiritualidade:  Vivência do Reino de Deus
Ensinamento:  Os Cristãos são o sinal do Reino
Cor:  Verde

2ª Parte: Começa na segunda após Pentecostes e vai até o sábado anterior ao 1º Domingo do advento.

Ao todo são 34 semanas. É um período sem grandes acontecimentos. É um tempo que nos mostra que Deus se fez presente nas coisas mais simples. É um tempo de esperança e acolhimento da Palavra de Deus. É um tempo em que nos é dado a conhecer o Reino de Deus

27 de novembro de 2015

ANO LITÚRGICO e a sua formação



          A formação do Ano Litúrgico foi lenta. O ponto de partida foi a Páscoa que era celebrada todos os domingos, isto é, o "primeiro dia da semana": (At 20,7ss.). Uma vez fixada sua data pascal para celebrá-la com mais solenidade, foram surgindo os dias das festas a ela relacionadas: Ascensão (40 dias após a ressurreição . At 1,5); Pentecostes (50 dias depois da comemoração pascal - Lev 23, 15-16; At 2, 1ss.). Do mesmo modo foram escolhidos os dias para Ramos, Última Ceia, Paixão e Morte de  Jesus. A Quaresma surgiu para dar oportunidade aos catecúmenos de melhor se prepararem para o batismo, na Páscoa.
          Mas existem outros mistérios difíceis de ser precisados no calendário, ligados à vida do Senhor. Por exemplo: a comunidade cristã estava interessada em celebrar o nascimento de Jesus, e os evangelistas não disseram uma palavra a respeito do dia e do ano. Tinham consciência de que não escreviam a biografia do Mestre; então, mais que dados cronológicos, se interessaram pelo mistério do Deus-connosco. Circunstâncias históricas levaram a escolher o dia 25 de dezembro como a data natalícia de Jesus. Na ocasião, os romanos celebravam o solstício do inverno. Para eles, aquela noite começava a ser menos longa. Era a vitória da luz sobre as trevas.     Havia, então, uma festa pagã de Natalis invicti, isto é, do deus -sol que nascia e crescia para impor o domínio da luz. O significado se prestava para a mensagem do Natal: Jesus, o sol da justiça (Mal 4,2 ou 3,20), Jesus, a luz do mundo: Jo 8, 12. Deste modo, a festa pagã foi cristianizada e passou-se a celebrar o nascimento do Senhor no dia 25 de dezembro.
        
Como consequência lógica, é escolhido o dia 25 de março para a Anunciação de Nossa Senhora (Lc 1,26ss.) e outros dias, perto do Natal, para celebrações como: a Maternidade de Maria no primeiro dia do ano, Magos (Mt 2,1ss.) no dia 6 de janeiro, Sagrada Família.
          Mais ou menos da mesma maneira foram sendo escolhidos dias especiais para se comemorar São José, São João Batista e outros Santos.

          Assim foi se formando o atual Ano Litúrgico.



25 de novembro de 2015

Ano Litúrgico





O Ano Litúrgico é o tempo que marca as datas dos acontecimentos da História da Salvação. Não é como o ano civil, que começa em 1º de Janeiro e termina em 31 de Dezembro, mas começa no 1º domingo do Advento (preparação para o Natal) e termina no último sábado do tempo comum, que é na véspera do 1º domingo do Advento

O nosso Calendário Litúrgico tem raízes no Hebraico. Influências diversas determinaram celebrações e datas significativas, mobilizando e acrescentando ao vasto substrato cultural pré-Cristão novo simbolismo. À celebração do 'Mistério Pascal', acrescentaram-se festas ideológicas, devocionais e temáticas, bem como algumas celebrações relacionadas com a História da Igreja.
A celebração da Paixão e Ressurreição de Cristo constitui o "coração" do Ano Litúrgico. Este é constituído pelos Ciclos Festivos da Páscoa e do Natal, pelo chamado "Tempo Comum" e pelas outras Solenidades e Festas consagradas ao "Mistério da Redenção".
 A este conjunto dá-se a designação de "Proprium de Tempore" ou Temporale (Temporal). O Calendário dos Santos é chamado Santorale (Santoral), sendo divulgado nestas páginas o Calendário Romano Geral que prevalece sobre os Calendários Diocesanos e Religiosos (Ordens).

Com o aumento gradual do número de celebrações ao longo da História do Calendário Litúrgico, criou-se uma hierarquia através de precedências e 'Oitavas' (semanas festivas) privilegiadas. Hoje, apenas a Páscoa e o Natal têm Oitava. Após o Vaticano II, as Festas dividem-se em 'Solenidades', 'Festas' e 'Memórias' (Obrigatórias e Facultativas). 

Novo Ano Liturgico

21 de novembro de 2015

Cristo Rei


O Ano Litúrgico da Igreja encerra com a Solenidade de Cristo Rei do Universo.

Cristo Rei foi uma das últimas celebrações instituída pelo Papa Pio XI, na época em que o mundo passava pelo pós-guerra de 1917, marcado pelo fascismo na Itália, pelo nazismo na Alemanha, pelo comunismo na Rússia, pelo marxismo-ateu, pela crise econômica, pelos governos ditatoriais que pairavam por toda a Europa, pela perseguição religiosa, pelo liberalismo e outros que levavam o mundo e o povo a afastar-se de Deus, da religião e da fé

O Papa Pio XI instituiu essa festa para que todas as coisas culminassem na plenitude em Cristo Senhor, simbolizado no que diz o Apocalipse: ”Eu sou o Alfa e o Ômega, Principio e Fim de todas as coisas.” (Ap1, 8) Ressalta a restauração e a reparação universal realizada em Cristo Jesus, Senhor da vida e da história.

Nessa festa, celebra-se também nossa participação no Reino de Deus, sob a condição de aderirmos à verdade trazida por Jesus, pela qual somos peregrinos que se dirigem à Casa do Pai, para participarmos da mesa do Reino e de assumirmos o compromisso do Evangelho.

Com esta solenidade termina o Ano Litúrgico e para nós cristãos faz-nos refletir em torno da vida de Jesus que significa a salvação, porque só Ele é o Rei, só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.

5 de abril de 2010

Oitava da Páscoa


Passado o tempo da Quaresma, no qual nos preparamos para a celebração da Ressurreição do Senhor, entramos no Tempo Pascal, tempo de alegria e exultação pela vida nova que o Senhor nos dá, tendo pago um alto preço: a sua entrega e morte na cruz.

A cor litúrgica deste tempo é branca, símbolo da pureza e da alegria. A presença do Círio Pascal é marcante como símbolo do Cristo Ressuscitado, LUZ que vai à frente e nos ilumina.

Nesta semana, em particular, estamos a celebrar A OITAVA DA PÁSCOA. Como o mistério da "passagem" do Senhor pela morte é extremamente profundo, durante 8 dias celebraremos esse grande mistério como se fosse um único dia com o objectivo de viver melhor o ponto central de nossa fé: A RESSURREIÇÃO DE JESUS.

Todo o tempo pascal, que se estende por 7 semanas até à Festa de Pentecostes, é marcado, não apenas nos domingos mas também durante os outros dias da semana, pelos textos dos Actos dos Apóstolos e do Evangelho de S. João. São textos que nos mostram a fé das primeiras comunidades cristãs e dos Apóstolos em Cristo Ressuscitado e convidam-nos a fazer da nossa vida uma contínua Páscoa seguindo fielmente os passos de Jesus, testemunhando-o corajosamente no mundo de hoje.

Que a luz do Cristo Ressuscitado nos ilumine para que sejamos LUZ para o mundo!

3 de abril de 2010

Noite da Vigília Pascal




De início, celebrava-se a Páscoa num só dia, melhor dizendo, numa só noite. Era a grande Noite da Vigília Pascal. É de facto a partir do século IV que a grande Celebração da Noite Pascal, a mãe de todas as vigílias, deu origem à Semana Santa.
No século IV, a Vigília Pascal tomava toda a noite, do pôr do sol de Sábado até ao dia seguinte, de manhã muito cedo (Jo. 20, 1), de modo que não havia qualquer outra celebração em dia de Páscoa. Cedo porém esta prática desapareceu.
Mas é esta observância da Igreja primitiva que importa reter pelo seu grande significado: numa Noite semelhante àquela da libertação em que o povo hebreu, oprimido no Egipto, esperou o sinal da partida para a Páscoa da liberdade (Ex. 12), o Povo da Nova Aliança espera a Ressurreição do Senhor Jesus. E deste modo os cristãos aguardam de lâmpadas acesas (Luc. 12, 35) que o Senhor saia vitorioso do túmulo.
Não é um acontecimento passado que se recorda. Celebra-se sacramentalmente todo o Mistério da Salvação, toda a História com os seus antecedentes e consequências. É por isso a Festa da Vida, do nosso tempo, da Igreja, da nossa Comunidade. De facto, o Mistério da Páscoa é simultaneamente o Mistério de Cristo e o Mistério da Igreja.
É no Tempo que se cumpre a Salvação de Jesus Cristo, sobretudo através dos dois grandes Sacramentos do Baptismo e de Eucaristia: O Baptismo pelo facto de ser uma especialíssima configuração com a Morte e Ressurreição do Senhor Jesus (Rom. 6, 23), a Eucaristia por ser o seu grande Memorial.
A Liturgia da Noite Pascal porá em realce todos estes Sinais e Memórias, todo este Passado e Presente.
Apesar da riqueza do seu conteúdo e de toda a sua variedade, a Celebração da Vigília Pascal tem uma unidade espantosa nas suas quatro partes.
– A Celebração da LUZ
Afugentando as Trevas do Pecado e da Morte, o cristão celebra nesta Noite Aquele que diz:" Eu sou a Luz do mundo. Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a Luz da Vida " (Jo. 8, 12). De facto, Ele que "era a Luz verdadeira vindo ao mundo a todo o homem ilumina" (Jo. 1, 9).
A bênção do fogo, um fogo puro, não artificial, fogo depois comunicado ao CíRIO,, um dos grandes sinais litúrgicos desta Noite, e logo comunicado aos pequenos círios empunhados pela Assembleia, prepara a Igreja para o anúncio da Páscoa feito através do belo poema lírico, que é o Precónio.

– A Celebração da PALAVRA
Esta Celebração da Vigília resume uma História, que se actualiza hoje. Uma longa série de Leituras da Bíblia faz-nos reviver os passos mais importantes da História de um Povo, ao qual Deus se revelou.
- A Celebração da ÁGUA
O momento mais alto da celebração pascal é a Celebração do Baptismo. Associando-se à Ressurreição de Cristo, os baptizados morrem para o homem velho ressuscitando para a Vida nova de Filhos de Deus e como membros da Igreja caminham para o Reino tendo de passar não pelas águas do mar vermelho mas sim pelas águas do Baptismo.
Por isso, nos primeiros séculos, o Baptismo celebrava-se somente na Vigília Pascal, sendo a Quaresma o grande Tempo de preparação.
Depois de Celebração do Baptismo, o momento alto da Noite, toda a Assembleia é convidada a fazer uma pública e solene profissão de Fé, verdadeira reafirmação do seu Baptismo.
– A Celebração da EUCARISTIA
A Eucaristia é o grande Memorial da Morte e da Ressurreição do Senhor Jesus. "Anunciamos Senhor a vossa Morte e proclamamos a vossa Ressurreição" Toda a celebração é uma explosão de alegria e um apelo a que nos consideremos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus (Rom. 6, 11).
Renascida pela Água e pelo Espírito e transferida para o Reino da Luz com a Força Nova da Palavra Criadora, alimentada com o Pão e o Vinho da Eucaristia, a Igreja sente-se um Povo de Homens Novos.

(adapP. João Silva, s.j.)

1 de abril de 2010

Missa Crismal de Quinta-Feira Santa




Na Missa Crismal de Quinta-feira Santa,os santos óleos estão no centro da acção litúrgica.São consagrados pelo Bispo na sé catedral para o ano inteiro. Assim, exprimem também a unidade da Igreja, garantida pelo Episcopado e aludem a Cristo, o verdadeiro "pastor e guarda das nossas almas", diz São Pedro (cf. 1 Pd 2,25). E, ao mesmo tempo, mantêm unido todo o ano litúrgico, ancorado no mistério de Quinta-feira Santa.
Enfim, os óleos aludem ao Horto das Oliveiras, onde Jesus aceitou interiormente a sua Paixão. Contudo, o Horto das Oliveiras é também o lugar donde Jesus subiu ao Pai, tornando-se, assim, o lugar da Redenção: Deus não deixou Jesus na morte. Jesus vive para sempre junto do Pai, e por isso mesmo é omnipresente, está sempre junto de nós. Este duplo mistério do Monte das Oliveiras também está "activo" no óleo sacramental da Igreja.
Em quatro sacramentos, o óleo é sinal da bondade de Deus que nos toca: no Baptismo; na Confirmação, como sacramento do Espírito Santo; nos vários graus do Sacramento da Ordem; e, finalmente, na Unção dos Enfermos, na qual o óleo nos é oferecido, por dizer assim, como medicamento de Deus – como o medicamento que agora nos torna seguros da sua bondade e deve-nos revigorar e consolar, mas ao mesmo tempo aponta para além do momento da enfermidade, para a cura definitiva, a ressurreição (cf. Tg 5,14). Assim o óleo, nas suas diversas formas, nos acompanha ao longo de toda a vida, desde o catecumenato e o Baptismo até ao momento em que nos preparamos para o encontro com Deus Juiz e Salvador.
Em suma, a Missa Crismal, na qual o sinal sacramental do óleo nos é apresentado como linguagem da criação de Deus, fala de modo particular ao sacerdote: fala-nos de Cristo, que Deus ungiu como Rei e Sacerdote; dele, que nos torna participantes do seu sacerdócio, da sua "unção", na nossa ordenação sacerdotal.
"in Vaticano"

13 de março de 2010

Domingo da Alegria


O IV Domingo da Quaresma é conhecido por Domingo Laetare (da alegria). A Igreja quer recordar-nos assim que a alegria é perfeitamente compatível com a mortificação e a dor. O que se opõe à alegria é a tristeza, não a penitência

Na liturgia deste domingo, o sentimento que predomina na Liturgia da Palavra é a Alegria. Realmente reconhecer no nosso Deus a sua infinita paciência, amabilidade, ternura, carinho, incentiva-nos a elevar a fasquia do nosso viver cristãmente; a não vivermos a nossa relação com Deus como se tratasse de um assunto de marketing, mas procurando viver na consciência da abertura do coração de Deus que nos quer inundar da sua paz, do seu perdão, da sua tranquilidade, do seu amor, da sua saúde, para que a nossa vida, apesar das infidelidades e contrariedades, ser uma verdadeira festa, não só para nós mas também para os outros.

25 de fevereiro de 2010

Quaresma - Quarenta dias


40 dias

A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egipto.

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades.

A prática da Quaresma data desde o século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão.

No ano A, predomina o tema do Baptismo, com suas exigências na sequência dos Evangelhos; no ano B, o tema de Cristo glorificado por sua morte e ressurreição, fonte da restauração da dignidade humana; e no ano C, os fiéis são convidados a penitência ou conversão, condições para a nova aliança em Cristo Jesus, selada no Baptismo e a ser renovada na Páscoa.

24 de fevereiro de 2010

Quaresma


O TEMPO DE QUARESMA

A Quaresma é o tempo que precede e dispõe à celebração da Páscoa. Tempo de escuta da Palavra de Deus e de conversão, de preparação e de memória do Baptismo, de reconciliação com Deus e com os irmãos, de recurso mais frequente às “armas da penitência cristã”: a oração, o jejum e a esmola (ver MT 6,1-6.16-18).

De maneira semelhante como o antigo povo de Israel partiu durante quarenta anos pelo deserto para chegar à terra prometida, a Igreja, o novo povo de Deus, prepara-se durante quarenta dias para celebrar a Páscoa do Senhor. Embora seja um tempo penitencial, não é um tempo triste e depressivo. Trata-se de um tempo especial de purificação e de renovação da vida cristã para poder participar com maior plenitude e gozo do mistério pascal do Senhor.

A Quaresma é um tempo privilegiado para intensificar o caminho da própria conversão. Este caminho supõe cooperar com a graça, para dar morte ao homem velho que actua em nós. Trata-se de romper com o pecado que habita em nossos corações, de nos afastar de tudo aquilo que nos separa do Plano de Deus, e por conseguinte, de nossa felicidade e realização pessoal.

A Quaresma é um dos quatro tempos fortes do ano litúrgico e isso deve ver-se refletido com intensidade em cada um dos detalhes da sua celebração. Quanto mais forem acentuadas suas particularidades, mais frutuosamente poderemos viver toda a sua riqueza espiritual.

24 de janeiro de 2008

Dar testemunho de Jesus Cristo


Nota-se um grande movimento nestes versículos do Evangelho de João»(1,29-34), bem como naqueles que o precedem e naqueles que o seguem. Antes, o diálogo de João o Baptista com os fariseus, aos quais testemunha e confirma não ser o messias, mas só um humilde precursor. Depois, após o texto que lemos no passado domingo, assistiremos ao chamamento dos primeiros discípulos por parte de Jesus. Mas neste domingo, entre o prólogo e o início da acção dramática, apresenta-se o protagonista. João, magnífico mestre-sala, sublinha a importância com frases inesquecíveis. “Eis o cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo... Eu vi o Espírito descer como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele... este é o Filho de Deus!”.
Em primeiro lugar, importa termos consciência de que Deus tem um projecto de salvação para o mundo e para os homens. A história humana não é, portanto, uma história de fracasso, de caminhada sem sentido para um beco sem saída; mas é uma história onde é preciso ver Deus conduzindo o homem pela mão e apontando-lhe, em cada curva do caminho, a realidade feliz do novo céu e da nova terra. É verdade que, em certos momentos da história, parecem erguer muros intransponíveis que nos impedem de contemplar com esperança os horizontes finais da caminhada humana; mas a consciência da presença salvadora e amorosa de Deus na história deve animar-nos, dar-nos confiança e acender nos nossos olhos e no nosso coração a certeza da vida plena e da vitória final de Deus.
Jesus não foi mais um “homem bom”, que pintou a história com o sonho ingénuo de um mundo melhor e desapareceu do nosso horizonte , mas Jesus é o Deus que Se fez homem, que assumiu a nossa humanidade, que trouxe até nós uma proposta objectiva e válida de salvação e que hoje continua presente e activo na nossa caminhada, concretizando o plano libertador do Pai e oferecendo-nos a vida plena e definitiva. Ele é, agora e sempre, a verdadeira fonte da vida e da liberdade.
O Pai investiu Jesus de uma missão: eliminar o pecado do mundo. No entanto, o “pecado” continua a marcar o nosso horizonte diário, traduzido em guerras, vinganças, terrorismo, exploração, egoísmo, corrupção, injustiça…
Jesus falhou? É o nosso testemunho que está falhando? Deus propõe ao homem o seu projecto de salvação, mas não impõe nada e respeita absolutamente a liberdade das nossas opções. Ora, muitas vezes, os homens pretendem descobrir a felicidade em caminhos onde ela não está. De resto, é preciso termos consciência de que a nossa humanidade implica um quadro de fragilidade e de limitação e que, portanto, o pecado vai fazer sempre parte da nossa experiência histórica. A libertação plena e definitiva do “pecado” acontecerá só nesse novo céu e nova terra que nos espera para além da nossa caminhada terrena.
Isso não significa, no entanto, pactuar com o pecado, ou assumir uma atitude passiva diante do pecado. A nossa missão – seguindo a de Jesus – consiste em lutar objectivamente contra “o pecado” instalado no coração de cada um de nós e instalado em cada degrau da nossa vida colectiva. A missão dos seguidores de Jesus consiste em anunciar a vida plena e em lutar contra tudo aquilo que impede a sua concretização na história.


(Adapt. texto © SIR – Serviço de Notícias)

21 de janeiro de 2008

Tempo Comum



O tempo chamado “comum” (durante o ano ou “per annum”) não tem nome nem características próprias, não celebra um aspecto particular do mistério de Cristo, mas esse mesmo mistério de Jesus Cristo na sua globalidade, especialmente nos domingos.
Compreende as semanas entre o Baptismo de Jesus até à Quaresma, do Pentecostes até ao Advento: um total de 33 ou 34 semanas.
Um tempo, portanto, não feito precisamente de semanas, também se as semanas se repetem, mas muito mais assinalado por domingos que marcam as semanas.
Todo domingo é indicado com um número progressivo e possui formulários próprios, não transferíveis a outros domingos, quando for substituído por outra solenidade. “O domingo aparece, portanto”, como ensina a Constituição litúrgica SC 106, “festa primordial, fundamento e núcleo de todo a ano litúrgico”.
“A Igreja celebra o mistério pascal todos os oito dias, no dia que bem se denomina dia do Senhor ou domingo. Neste dia devem os fiéis reunir-se para participarem na Eucaristia e ouvirem a palavra de Deus, e assim recordarem a Paixão, Ressurreição e glória do Senhor Jesus e darem graças a Deus que os regenerou para uma esperança viva pela Ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos.” (SC106)
Reunir-se em assembleia para ouvir a palavra de Deus e participar da acção de graças, fazendo memória da morte e da ressurreição de Cristo e da nossa regeneração baptismal: eis o sentido do domingo que caracteriza o tempo comum. Um tempo nada pobre em relação aos outros que focalizam um aspecto particular, tempo rico do mistério pascal de Cristo, lembrado e vivido junto com a comunidade dos crentes nEle.
O tempo comum começa com a segunda-feira após a festa do Baptismo do Senhor (primeiro domingo após a Epifania) e vai prolongando-se até à Quarta-feira de Cinzas: interrompe-se com a Quaresma, para depois recomeçar após o Pentecostes.
Com o terceiro domingo inicia a leitura quase contínua dos Evangelhos (no ano A, o Evangelho de Mateus): esta leitura segue o desenrolar da vida e do ensino do Senhor Jesus. Assim consegue-se uma certa harmonia entre cada Evangelho e o desenvolvimento do ano litúrgico. As leituras do Antigo Testamento são escolhidas em relação aos textos evangélicos, também para demonstrar a unidade entre os dois Testamentos: a relação entre as duas leituras é indicada pelos títulos colocados antes de toda leitura.
Para a segunda-leitura é apresentada a leitura quase contínua da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, distribuída no ciclo trienal.

O início da leitura do Evangelho de Mateus é ocasião para conhecer não só este livro (o primeiro dos quatro que nos dá a conhecer a “boa nova” de Jesus), mas também a origem, a formação e a finalidade pelas quais foram escritos os “Evangelhos”, testemunhos privilegiados da fé da Igreja apostólica.

A mesma sugestão vale para a primeira carta de São Paulo aos Coríntios, da qual são lidos nestes domingos os primeiros capítulos.

II Domingo do Tempo Comum
“EIS O CORDEIRO DE DEUS”
Textos: 1ª Leitura – Isaías 49, 3.5-6
Salmo responsorial – 39(40)
2ª Leitura – 1 Coríntios 1, 1-3
Evangelho – João 1, 29-34

João aponta o caminho para seguir Cristo.
Como no domingo anterior do baptismo de Cristo às margens do Jordão, também neste domingo o protagonista é João Baptista. Mas suas palavras secas e proféticas são como flechas apontadas para uma outra meta: Jesus Cristo. De facto nas suas frases percebemos que se destaca um retrato do Cristo: ele é aquela que apaga o pecado da incredulidade e de ódio do mundo, é aquele que nos precede no tempo porque é eterno como Deus, é a suprema presença divina na carne do homem porque nele está o Espírito Santo, ele é por excelência o Filho de Deus.

Nós, porém, escolhemos neste “catecismo” joanino dois símbolos que brilham no texto evangélico que hoje lemos. O primeiro é aquele, tão amado pela arte cristã e pela piedade popular: o cordeiro. Precisamos, porém, por um instante, de nos libertar das nossas representações que associam o cordeiro só à mansidão, à imagem da vítima. Na linguagem da Bíblia as referências são mais complexas e carregadas de significado.

O primeiro símbolo é fácil e nos leva até aquela noite egípcia quando Israel em marcha para a liberdade celebrara a Páscoa do cordeiro. Aquele animal, cujos ossos não deviam ser quebrados, tornava-se o sinal de um dom grandioso, o da liberdade política e espiritual, exterior e interior. Exactamente por isso, para o evangelista João, Jesus foi condenado à morte ao meio dia da vigília da Páscoa (19, 14), exactamente na hora em que os sacerdotes iniciavam a sacrificar os cordeiros no Templo para a festa da Páscoa. E é também por isso que João nos apresenta o Cristo atingido pela lança no peito e com os ossos não quebrados como cordeiro da Páscoa perfeita, a quem “nenhum osso foi quebrado” (19, 36).
Mas existe outro elemento bíblico, desta vez mais delicado e mais messiânico. No famoso quarto canto do Servo de Javé, esta figura misteriosa do Servo é apresentada enquanto é levada para a paixão e a morte: sobre ele são carregados os pecados dos homens, seus irmãos. Eis que ele vai caminhando para seu destino com serena aceitação: “Era como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda, diante de seus tosquiadores” (Is 53, 7). Com toda probabilidade – se for verdadeira uma interessante hipótese levantada por alguns estudiosos – o João Baptista, falando em aramaico, teria utilizado a palavra talya, que significa ao mesmo tempo “cordeiro” e “servo” de Deus. Cristo é, portanto, aquele que se oferece livremente a si mesmo, para tirar do mundo o pecado e levar a Deus todos os seus irmãos na carne.
Apresenta-se, assim, um terceiro elemento, aquele do cordeiro presente também no Apocalipse: no judaísmo do tempo, de facto, imaginava-se que no final da história um cordeiro vitorioso teria destruído as potências do mal, do pecado e da injustiça. O Cristo é por excelência aquele que liberta de toda escravidão, é aquele que perdoa.

Um segundo símbolo, a pomba. Para os evangelistas ela é o símbolo do Espírito Santo. Mas existe outro aspecto que os evangelistas querem lembrar: a pomba é no profeta Oséia, no Salmo 63 e no Cântico dos Cânticos o brasão de Israel. Nesta perspectiva, podemos afirmar que ao redor de Cristo, mergulhado nas águas do Jordão, reúne-se também o Israel de Deus, isto é, a comunidade dos crentes que dele recebem o Espírito de Deus. O cordeiro do perdão dos pecados e a pomba da Igreja se encontram em Jesus Cristo.

19 de janeiro de 2008

II Domingo do Tempo Comum


Terminamos o tempo do Natal no domingo passado, com a festa tão significativa do Baptismo de Jesus. Foram aproximadamente três semanas, ou mais precisamente 20 dias. Depois dos dias de Natal vem o grande tempo chamado “comum”, de 34 domingos ou semanas, tempo este que é iniciado imediatamente após a festa do Baptismo de Jesus, ou seja, logo na segunda-feira. Na verdade, a festa do Baptismo de Jesus substitui o que seria o 1º Domingo do Tempo Comum. Por isso, celebramos neste dia 20 o 2º Domingo deste Tempo, o qual, nesta sua primeira parte, é bem curto, pois vai até a terça-feira do carnaval. Então, esse primeiro “pedaço” do Tempo Comum será, neste ano, de apenas 23 dias.
O baptismo de Jesus foi o início da sua vida pública. Agora, nos domingos do Tempo Comum, vamos reflectir todos os ensinamentos do Senhor, na sua vida dentro daquele contexto do qual ele fez parte.
O evangelho deste 2º Domingo Comum convida-nos a uma meditação e a uma acção a partir do texto de São João. É uma forte proposta de vida para iniciarmos este tempo litúrgico. Embora neste ano o evangelho mais usado será o de Mateus, neste domingo o evangelista João ajuda-nos interpretar o que ouvimos no domingo passado, da festa do Baptismo, narrada por Mateus.
Para João (evangelista), João Baptista veio para ser uma grande testemunha, ou seja, ele veio para tornar conhecido o “Cordeiro de Deus” para todo o povo. Esta expressão já nos faz pensar na primeira leitura, do livro do profeta Isaías, chamada 2º Canto do Servo de Deus. Esse profeta, chamado Segundo Isaías, mostra bem que esse Servo, desde o ventre materno, foi chamado para reerguer Israel e fazer desse povo uma luz diante de outros povos. Ora, esse Servo já era, sem dúvida, uma figura antecipada de Jesus, o “Filho amado”, como foi chamado no momento do seu baptismo.
Com certeza, percebemos que as expressões “Servo” e “Cordeiro” tem muito a ver uma com a outra. Como um cordeiro, o Servo dá totalmente a sua vida em favor dos irmãos, sem abrir a boca. Não é difícil vermos aqui o Cordeiro Pascal que veio para tirar o pecado do mundo, e, depois da sua ressurreição, envia o Espírito Santo para que os discípulos continuem essa missão.



(adap Pe. Luiz Gonzaga Féchio)