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4 de fevereiro de 2008

Bem-Aventuranças


Jesus ensina o cami­nho para alcançar a felicidade: as Bem­-Aventuranças. Elas são dirigidas a todos os homens, cristãos ou não. São o fermento capaz de transformar o mundo desumano num mundo humanizado.


Eis apenas o seu significado fundamental.
Bem-aventurados os pobres: os que põem de parte a auto-suficiência e abrem o
seu coração a Deus e aos outros.
Bem-aventurados os que choram: os que sentem uma dor profunda pela socie­dade injusta, mas esperam sem desesperar a salvação de Deus.
Bem-aventurados os humildes: os que, apesar de explorados pelos poderosos, mantêm uma confiança ilimitada em Deus e recusam a violência.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça: os que buscam a fraterni­dade e a justiça, que consiste sobretudo na recuperação dos pecadores e dos fracos.
Bem-aventurados os misericordiosos: os que agem como .Jesus, num amor sem limites, sabendo perdoar e aceitar o perdão.
Bem-aventurados os puros de coração: os que têm um coração limpo de hipo­crisia, leal e recto, e, por isso, têm a capacidade de fazer experiência de Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz: os que se empenham na construção de um mundo mais humano, mais fraterno e mais justo, onde é possível a harmonia comum e a sincera alegria de viver.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça: os que seguem o caminho de Jesus e, por isso, são perseguidos, sabendo que sem cruz não há salvação e a única forma capaz de vencer a espiral da violência é o amor.

As Bem-aventuranças não são promessas, são a proclamação de felicidade já para o tempo presente. Quem as pratica experimenta a felicidade, aqui e agora, plenificada, porém, no futuro. Não são ilusões, têm a assinatura de Cristo, que as viveu em plenitude e é a sua garantia. Elas são a Sua biografia completa.

3 de fevereiro de 2008

Sermão da Montanha


Segundo S. Mateus depois do chamamento de Pedro e André, grandes multidões acorreram ao encontro de Jesus, vindas de todo o lado, para ouvir a “Boa Nova do Reino” e para serem curadas (Mt.4,23). Mateus descreve-nos um grande discurso feito por Jesus na encosta de um monte e por isso é conhecido pelo “Sermão da Montanha”.

O “Sermão da Montanha” encontra-se nos capítulos V, VI e VII do Evangelho de S. Mateus, este discurso é muito semelhante ao do Evangelho de S. Lucas feito num “sítio plano” (Lc.6,17) sendo por isso vulgarmente chamado de Sermão da Planície (Lc.6,20-49).
O Sermão da Montanha é o primeiro dos cinco grandes discursos de Jesus no Evangelho de S.Mateus.

Neste discurso, Mateus fala sobre tudo que diz respeito à entrada no Reino de Deus:
- Quem pode entrar no Reino
- Quais as condições
- Quais os comportamentos a tomar dentro desse Reino.

Os outros discursos falam sobre a difusão do Reino, através
da pregação apostólica (Mt.10),
do Mistério do Reino, apresentado por meio de parábolas (Mt. 13),
da convivência mútua dentro do Reino (Mt. 18) e
da realização final do Reino (Mt.24-25).

O Sermão da Montanha divide-se em três partes:
I) As bem-aventuranças (mt.5,1-12), que indicam quais são os membros do Reino de Deus.
II) As atitudes a tomar pelos homens que fazem parte do Reino (Mt.5,13 – 7,12).
III) Conclusões finais (Mt.7,13-27), onde Jesus insiste fortemente na acção e não somente na mentalidade ou na intenção.

A primeira parte, as bem-aventuranças mostram os marginalizados pela sociedade, que são declarados felizes. Sinal de que, quando o Reino vier, terá cessado a injustiça, que hoje produz os marginalizados.

10 de fevereiro de 2007

Bem-Aventuranças III



Uma outra diferença é a do número: Mt tem 9 e Lctem 4 (mas este acompanha-as com o respectivo reverso, quatro sentenças que dão uma versão invertida das Bem-aventuranças: Ai de vós…).
Mas, mais importante, é a diferença no que respeita ao conteúdo: o motivo da felicidade não parece ser o mesmo para Mt e para Lc.
Lucas tem em vista as situações penosas (Felizes os pobres…Felizes vós, que tendes fome…) ao passo que Mateus considera as disposições espirituais (Felizes os pobres em espírito…Felizes os que têm sede de justiça…). Estas duas séries de Bem-aventuranças situam-se em dois planos diferentes; elas não falam da mesma coisa. Tais divergências não nos devem surpreender. Os evangelistas não se propõem a transmitir relatórios neutros e estritamente objectivos daquilo que Jesus disse. Eles propõem um testemunho «comprometido»: tentam fazer compreender aos seus leitores cristãos aquilo que no seu entender significam as palavras de Jesus para os cristãos que vivem cinquenta anos mais tarde.
As palavras de Jesus não são peças de museu para contemplar diante de uma vitrina. São uma mensagem de vida, feitas para serem vividas, para dar vida, e só são compreendidas no seu verdadeiro sentido por aqueles que as vivem.

9 de fevereiro de 2007

Bem-Aventuranças II



Jesus pregou, é um facto. Fez longos discursos como os que os evangelhos reproduzem? É possível. Seja como for, estes discursos são na sua maioria, o fruto do trabalho das comunidades que reuniram as palavras de Jesus para delas fazerem catequese. Eles eram assíduos ao ensino dos apóstolos, escreve S. Lucas (Act.2,42).

O caso mais claro é o do Sermão da Montanha de Mateus (Mt.5-7) a que corresponde o Discurso na planície de Lucas (Lc.6,17-49).
E é nestes dois textos de Mateus e Lucas que nos são transmitidas as Bem-aventuranças.
Nota-se entre eles um certo número de coincidências. Usam a mesma palavra “Felizes”. Estão de acordo em colocá-las à cabeça de uma espécie de discurso programático, que Jesus prenuncia no início do seu ministério, um pouco mais cedo em Mateus do que em Lucas. Em ambos se observa igualmente uma diferença muito nítida entre as primeiras Bem-aventuranças e a última, tanto no que se refere ao tom geral, como se refere ao estilo; as primeiras são breves e ritmadas, ao passo que a última se desenvolve com uma certa amplidão.
Mas também nos deparamos com divergências. Estas dizem respeito ao discurso. Em Mateus, elas formam o início do longo discurso de três capítulos (Mt.5-7), a que se chama “Sermão da Montanha”.

Em Lucas trata-se de um “discurso na planície”, muito mais curto (Lc.6,20-47). Mas as perspectivas de um e de outro são também diferentes. O discurso de Lucas está quase exclusivamente centrado no amor do próximo. Mateus por seu turno interessa-se sobretudo pelo modo como as exigências do Evangelho constituem uma ultrapassagem das exigências da Lei judaica, tal como esta era interpretada no século I.

8 de fevereiro de 2007

Bem-Aventuranças I

O Evangelho do próximo Domingo fala-nos sobre as bem-aventuranças. Lucas apresenta Jesus falando aos seus discípulos e para uma grande multidão, numa planície.
Interessante notar que Lucas diz que Jesus está numa planície, enquanto Mateus, em seu Evangelho, capítulo 5, versículos de 1 à 12, apresenta Jesus proclamando as bem-aventuranças do alto de uma colina.
Para melhor entender a diferença entre as Bem Aventuranças de Mateus e de Lucas, será necessário conhecer, um pouco melhor, para que comunidades falavam os Evangelistas.

A Comunidade de Mateus
Parece composta sobretudo de cristãos provenientes do judaísmo. Eles conhecem bem as Escrituras: são mais de 130 as passagens em que Mateus se refere ao Antigo Testamento. A Lei continua a ser para eles regra de vida: “Não vim para revogar A Lei, mas completá-la” (Mt.5,17).

A comunidade de Lucas
Não sabemos ao certo para que comunidade concreta escreveu Lucas, mas podemos facilmente imaginar o tipo de Igreja onde a sua mensagem se formou: comunidades nascidas em território pagão, como as de Antioquia e Filipos. Estes cristãos são antigos pagãos, sabem que é por graça e não por nascimento que são recebidos na aliança de Deus com Israel. Eles fizeram a experiência do Espírito Santo; as suas igrejas nasceram fora do círculo de Jerusalém. Sabem que a fé em Jesus Cristo os fez entrar numa tradição: a dos apóstolos, mas sabem também que nela vivem na liberdade do Espírito.
Diferentemente das comunidades de Mateus, as de Lucas vivem com naturalidade o universalismo.