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12 de dezembro de 2015

João Batista:o profeta da preparação


São Lucas conta-nos com detalhe o anúncio do nascimento de João (Lc 1, 5-25).
O anúncio do nascimento de João é solene. Realiza-se no marco litúrgico do templo. 
Desde a designação do nome do menino, "João", que significa "Yahvé é favorável", tudo é concreta preparação divina do instrumento que o Senhor elegeu.
Sua chegada não passará despercebida e muitos se alegrarão com seu nascimento (Lc 1, 14); abster-se-á de vinho e bebidas embriagantes, será um menino consagrado e, como prescreve o livro dos Números (6, 1), não beberá vinho nem licor fermentado. João já sinal de sua vocação de asceta. O Espírito habita nele desde o seio de sua mãe. A sua vocação de asceta une-se à guia de seu povo (Lc 1, 17).
Precederá o Messias, papel que Malaquias (3, 23) atribuía a Elias. Sua circuncisão, facto característica, mostra também a eleição divina: ninguém em sua parentela tem o nome de João (Lc 1, 61), mas o Senhor quer que seja chamado assim mudando os costumes. O Senhor é quem o escolheu, é ele quem dirige tudo e guia seu povo.

O nascimento de João é motivo de um admirável poema (Benedictus) que, por sua vez, é ação de graças e descrição do futuro papel do menino. A Igreja canta esta poema todos os dias no final das Laudes reavivando sua ação de graças pela salvação que Deus lhe deu e em reconhecimento porque João continua mostrando-lhe "o caminho da paz".
O papel do precursor é muito precioso: prepara os caminhos do Senhor (Is 40, 3), dá a seu povo o "conhecimento da salvação. Todo o afã especulativo e contemplativo de Israel é conhecer a salvação, as maravilhas do desígnio de Deus sobre seu povo. O conhecimento dessa salvação provoca nele a ação de graças, a bênção, a proclamação dos benefícios de Deus que se expressa no "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel".
Esta é a forma tradicional de oração de ação de graças que admira os desígnios de Deus. A salvação é a remissão dos pecados, obra da misericordiosa ternura de nosso Deus (Lc 1, 77-78). 
João deverá, pois, anunciar um batismo no Espírito para remissão dos pecados. Mas este batismo não terá apenas esse efeito. Será iluminação. A misericordiosa ternura de Deus enviará o Messias que, segundo duas passagens de Isaías (9, 1 e 42, 7), retomadas por Cristo (Jo 8, 12), "iluminará os que jazem entre as trevas e sombra da morte" (Lc 1, 79).O papel de João, "preparar o caminho do Senhor". Ele o sabe e designa a si mesmo, referindo-se a Isaías (40, 3), como a voz que clama no deserto: "Preparai o caminho do Senhor". Mais positivamente ainda, deverá mostrar àquele que está no meio dos homens, mas que estes não o conhecem (Jo 1, 26) e a quem chama, quando o vê chegar: "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29).João corresponde e quer corresponder ao que foi dito e previsto sobre ele. Deve dar testemunho da presença do Messias. O modo de chamá-lo indica que o que Messias representa para ele: o "Cordeiro de Deus”. 
O Levítico, no capítulo 14, descreve a imolação do cordeiro em expiação pela impureza legal. Ao ler esta passagem, João, o evangelista, pensa no servidor de Yahvé, descrito por Isaías no capítulo 53, que carrega sobre si os pecados de Israel. João Batista, ao mostrar a Cristo a seus discípulos, o vê como a verdadeira Páscoa que supera a do Êxodo (12, 1) e da qual o universo obterá a salvação. Toda a grandeza de João Batista vem de sua humildade e ocultamento: "É preciso que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3, 30).

Durante o Advento, a grande figura do Batista apresenta-se viva para nós. O próprio Cristo, retomando o texto de Malaquias (3,1), fala-nos de João como "mensageiro" (4); João designa a si mesmo como tal. São Lucas descreve João como um pregador que chama à conversão absoluta e exige a renovação: "Que os vales se levantem, que montes e colinas se abaixem, que o torcido se endireite, e o escabroso se iguale. Será revelada a glória do Senhor e todos os homens a verão juntos". Assim se expressava Isaías (40, 5-6) num poema tomado por Lucas para mostrar a obra de João. Trata-se de uma renovação, de uma mudança, de uma conversão que reside, sobretudo, num esforço para voltar à caridade, ao amor aos outros (Lc 3, 10-14). 
Lucas resume numa frase toda a atividade de João: 
"Anunciava ao povo a Boa Notícia" (Lc 3, 18).


Preparar os caminhos do Senhor, anunciar a Boa Notícia, é o papel de João e ele nos exorta a que nos empenhemos. (adap.Acidigital)

5 de dezembro de 2015

Isaías, o profeta

        


As leituras do Advento colocam-nos em contato com Isaías. Os textos evangélicos não dizem nada da personalidade do profeta Isaías, mas é citado frequentemente. Podemos até mesmo dizer que podemos advinha-lo presente nas palavras de Cristo.
É o profeta por excelência do tempo da espera, da esperança.

O profeta não é conhecido por outra coisa além de suas obras, mas estas são tão características que através delas podemos adivinhar e amar a sua pessoa. Surpreendente proximidade desta grande figura do século VIII antes de Cristo, que sentimos no meio de nós, quotidianamente, dominando-nos desde sua altura espiritual.
Isaías viveu em uma época de esplendor e prosperidade. Rara vez os reinos de Judá e Samaria haviam conhecido tal otimismo e sua posição política lhes permite sonhos ambiciosos. Sua religiosidade atribui a Deus a fortuna política e a religião espera dele novos sucessos. Em meio deste frágil paraíso, Isaías vai erguer-se valorosamente e cumprir sua missão: mostrar a seu povo a ruína que o espera por sua negligência. 

Pertencente sem dúvida à aristocracia de Jerusalém, alimentado pela literatura de seus predecessores, principalmente Amós e Oséias, Isaías prevê como eles, inspirado por seu Deus, o que será a história de seu país. Superando a situação presente na qual se misturam covardias e compromissos, vê o castigo futuro que direcionará os caminhos tortuosos. Isaías foi arrebatado pelo Senhor "no ano da morte do rei Ozias", por volta do ano 740, quando estava no templo, com os lábios purificados por uma brasa trazida por um serafim (Is 6, 113). A partir deste momento, Isaías já não se pertence. Não porque seja um simples instrumento passivo nas mãos de Yahvé; ao contrário, todo seu dinamismo vai ser colocado a serviço de seu Deus, convertendo-se em seu mensageiro. Mensageiro terrível que anuncia o despojo de Israel ao que só lhe restará um pequeno sopro de vida. 

O início da obra de Isaías, que originará a lenda do boi e do asno no presépio, marcam seu pensamento e seu papel. Yahvé é todo para Israel, mas Israel, mais estúpido que o boi que conhece seu dono, ignora seu Deus (Is 1, 2-3). 
(adapt. acidigital)


Isaias o profeta do advento

21 de dezembro de 2006

Miqueias


Eis o que diz o Senhor:«De ti, Belém-Efratá,
pequena entre as cidades de Judá,
de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel...» (Miq.5,1)
O profeta Miqueias era natural de Moréchet (1,1), provavelmente Moréchet-Gat, uma aldeia de Judá, 35 km a sudoeste de Jerusalém, numa região próxima da Filisteia. Era uma terra de camponeses, mas não isolada, uma vez que à sua volta se encontravam fortalezas importantes de Judá (Azeca, Marecha e Láquis). As incursões assírias e todos os problemas relacionados com militares e funcionários reais que acudiam àquela zona geravam instabilidade e abusos, de que as principais vítimas eram os pequenos proprietários de terras.
O título do livro situa a actividade do profeta nos reinados de Jotam, de Acaz e de Ezequias; entre 740 e 698 a.C., aproximadamente. As suas intervenções contra a injustiça social e a exploração a que são votados os camponeses enquadram-se perfeitamente nesta época. Miqueias actuou no reino do Sul na mesma altura de Isaías.
MIQUEIAS usa uma linguagem viva e dinâmica, tornando-se um dos grandes defensores da justiça. Preocupa-o a situação daqueles que, espoliados dos seus bens, se convertem em presa fácil na mão dos poderosos. Estes são os grandes proprietários de terras, as autoridades civis e militares, os sacerdotes e os falsos profetas; Do outro lado temos o povo, vítima dos desmandos dos poderosos: os que não têm terras nem casas, os órfãos e todos os oprimidos.
MIQUEIAS anuncia o castigo a Jerusalém e à Samaria, principais focos das injustiças e arbitrariedades e da duplicidade de interpretações das tradições antigas. Mas o profeta reconhece também a validade das promessas; por isso proclama a esperança num futuro de justiça para o resto de Jacob, pelo caminho da humildade e da conversão. Não se limita, pois, a denunciar e a anunciar o castigo, mas também promete a conversão e a salvação.

18 de dezembro de 2006

Sofonias


O nome Sofonias, em hebraico Sefanya, significa "Deus protegerá", é um dos profetas menores. Pregou em Judá no reinado de Josias antes do ano 622 a.C. É contemporâneo de Naum e de Jeremias.

Sofonias distingue-se pelo rigor moral, rude clareza e franqueza absoluta, simplicidade e energia, baseadas na certeza da acção de Deus na história. Denuncia as injustiças, a idolatria, todo o abuso da autoridade.

A profecia de Sofonias enquadra-se no tempo do rei Josias (640-609). "A mensagem de Sofonias", resume-se num anúncio do Juízo de Deus para castigar os culpados, catástrofe que atingirá tanto as nações estrangeiras quanto Judá. O Estado de Judá é condenado por suas falhas religiosas e morais, inspiradas pelo orgulho e a revolta (3,1.11). Sofonias possui uma noção profunda do pecado: é um atentado pessoal contra o Deus vivo. O castigo das nações é uma advertência (3,7), que deveria reconduzir o povo à obediência e à humildade (2,3), e a salvação só é prometida a um "resto" humilde e modesto (3,12-13). O messianismo de Sofonias reduz-se a este horizonte, que é, sem dúvida, limitado, mas que descobre o conteúdo espiritual das promessas.

Na época de Sofonias o país está desvastado por uma invasão dos Assírios
No centro de suas profecias estão as críticas políticas e religiosas, dirigidas tanto aos ministros e os príncipes da corte, quanto aos que aderiram aos costumes estrangeiros.

13 de dezembro de 2006

João Baptista



João Baptista é uma das grandes figuras do Advento, é-nos apresentado como o precursor de Jesus, os quatro evangelhos citam o profeta Isaías «Uma voz clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor, e endireitai as suas veredas» (Is.40,3) para nos apresentar João Baptista como alguém eleito por Deus para anunciar a vinda do Messias.
João é a linha divisória entre o Antigo e o Novo Testamento. Ele personifica o antigo e o anúncio do novo.
João era filho de Zacarias, sacerdote que servia no templo de Jerusalém, Isabel sua mãe era descendente de Aarão (Lc.1,5), eram um casal idoso que não tinha filhos. A história do nascimento de João é narrada apenas por Lucas. Em Lucas do capítulo 1,5 até ao capítulo 2,35, podemos ver como o evangelista nos vai alternando a narração referente a João e a Jesus, desde o Anúncio do nascimento até à circuncisão e apresentação no Templo.

11 de dezembro de 2006

Baruc


Baruc significa “Bendito” ou “Deus bendisse”
O nome dado a este autor é certamente um pseudónimo.
No livro de Jeremias, Baruc é apresentado como escriba ou secretário do profeta (Jr.36,4-32), viveu no século VII aC..Está ligado a algumas etapas da vida de Jeremias, chegou a fazer-se porta-voz do profeta junto dos exilados e acompanhou-o na sua fuga para o Egipto (Jr.43,1-7).
Este autor denota influências dos profetas da época do Exílio, especialmente Jeremias, Ezequiel, 2ºIsaías.

6 de dezembro de 2006

Jeremias



Jeremias é um dos profetas que escutamos neste Advento. O nome Jeremias significa: "Deus me eleva".
Nasceu por volta do ano 650aC, em Anatot, aldeia da tribo de Benjamim, situada a 5 Km de Jerusalém, de uma família de ascendência sacerdotal. Jeremias viveu num dos períodos mais conturbados da história de Israel: o fim do Reino de Judá e a destruição de Jerusalém(587-586aC) pelo império da Babilónia. Foi chamado à sua vocação profetica ainda jovem, compreende que Deus o chama para falar ao seu povo. Jeremias tenta mudar o coração dos seus contemporâneos. Pede-lhes para pensarem nos outros, para procurarem Deus. Umas vezes é escutado, outras é perseguido e preso.
A sua obra oferece-nos inumeros dados da sua vida pessoal e social e também dados históricos relativos ao seu tempo.

5 de dezembro de 2006

Isaías o profeta do Advento


Apesar de nos Domingos do Advento do ano C se escutar, na 1ª leitura, os profetas Jeremias, Baruc, Sofonias e Miqueias, durante os dias feriais (dias da semana) escuta-se predominantemente o profeta Isaías.

O livro de Isaías é composto por três partes, que só a primeira se pense que é obra do profeta, pois são distintas na época, na temática, na inspiração literária e nos autores.
É uma obra de 66 capítulos.

Primeiro de Isaías: Capitulo 1 a 39
Nasceu cerca do ano 760 aC. Era de família nobre de Jerusalém, homem de elevada cultura.
Viveu numa época muito agitada.
Exerceu o seu ministério no tempo dos Reis de Judá. Profeta ligado à corte, mas não dependente dos reis.
Sempre livre, pronto a criticar os pecados dos reis, dos nobres e do povo em geral. Está próximo do seu povo, denuncia uma religião fechada. Convida a mudar de coração e anuncia a vinda do Messias.
Teve uma personalidade de tal modo forte que a tradição funde na sua pessoa às três partes que compõem o Livro de Isaías.

Segundo Isaías: Capítulos 40 a 55
Os especialistas concordam em dizer que a partir do capítulo 40 se trate de outro autor. O estilo é mais simples, mais conciliador, mais caloroso. A história destes poemas narrativos tem a ver com o regresso dos judeus do cativeiro da Babilónia. Este profeta exerceu o seu ministério durante a última parte do exílio babilónico, entre os anos 587-538aC.

Terceiro Isaías: Capitulo 56 a 66
Esta terceira parte situa-se entre os anos 445-397aC. O povo hebreu regressou à Palestina, já não teme o inimigo, mas os judeus infiéis. O profeta defende a minoria piedosa e condena os que permaneceram num semipaganismo.