15 de março de 2008

Domingo de Ramos


O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a lembrança das Palmas e da paixão, da entrada de Jesus em Jerusalém e a liturgia da palavra que evoca a Paixão do Senhor no Evangelho de São Lucas.
Neste dia, se entrecruzam as duas tradições litúrgicas que deram origem a esta celebração: a alegre, grandiosa , festiva liturgia da Igreja mãe da cidade santa, que se converte em mímesis, imitação dos que Jesus fez em Jerusalém, e a austera memória - anamnese - da paixão que marcava a liturgia de Roma. Liturgia de Jerusalém e de Roma, juntas em nossa celebração. Com uma evocação que não pode deixar de ser actualizada.
Vamos com o pensamento a Jerusalém, subimos ao Monte das Oliveiras para acabar na capela de Betfagé, que nos lembra o gesto de Jesus, gesto profético, que entra como Rei pacífico, Messias aclamado primeiro e depois condenado, para cumprir em tudo as profecias.
Por um momento as pessoas reviveram a esperança de ter já consigo, de forma aberta e sem subterfúgios aquele que vinha em nome do Senhor. Ao menos assim o entenderam os mais simples, os discípulos e as pessoas que acompanharam ao Senhor Jesus, como um Rei.
São Lucas não falava de oliveiras nem de palmas, mas de pessoas que iam atapetando o caminho com suas roupas, como se recebe a um Rei, gente que gritava: "Bendito o que vem como Rei em nome do Senhor. Paz no céu e glória nas alturas".
Palavras com uma estranha evocação das mesmas que anunciaram o nascimento do Senhor em Belém aos mais humildes. Jerusalém, desde o século IV, no esplendor de sua vida litúrgica celebrada neste momento com uma numerosa procissão. E isto agradou tanto aos peregrinos que o oriente deixou marcada nesta procissão de ramos como umas das mais belas celebrações da Semana Santa.
Com a liturgia de Roma, ao contrário, entramos na Paixão e antecipamos a proclamação do mistério, com um grande contraste entre o caminho triunfante do Cristo do Domingo de Ramos e o "via crucis" dos dias santos.
Entretanto, são as últimas palavras de Jesus no madeiro a nova semente que deve empurrar o remo evangelizador da Igreja no mundo.
"Pai, em tuas mão eu entrego o meu espírito". Este é o evangelho, esta a nova notícia, o conteúdo da nova evangelização. Desde um paradoxo este mundo que parece tão autónomo, necessita que lhe seja anunciado o mistério da debilidade de nosso Deus em que se demonstra o cume de seu amor. Como o anunciaram os primeiros cristãos com estas narrações longas e detalhistas da paixão de Jesus. Era o anúncio do amor de um Deus que desce connosco até o abismo do que não tem sentido, do pecado e da morte, do absurdo grito de Jesus em seu abandono e em sua confiança extrema. Era um anúncio ao mundo pagão tanto mais realista quanto mais com ele se poderia medir a força de sua Ressurreição.
A liturgia das palmas antecipa neste domingo, chamado de Páscoa florida, o triunfo da ressurreição, enquanto que a leitura da Paixão nos convida a entrar conscientemente na Semana Santa da Paixão gloriosa e amorosa de Cristo o Senhor.
( Fonte AciDigital)

12 de março de 2008

Semana Maior


Aproximamo-nos da Semana Maior para os cristãos, a Semana Santa.
O ano litúrgico como hoje o conhecemos pretende levar os católicos a celebrar sacramentalmente a pessoa de Jesus Cristo como "memória", "presença", "profecia".
Na Igreja primitiva, o mistério, a celebração, a pregação, a vida cristã tiveram um único centro: a Páscoa - o culto da Igreja primitiva nasceu da Páscoa e para celebrar a Páscoa. No início da vida cristã encontra-se o Domingo como única festa, com a única denominação de "Dia do Senhor". Por influência das comunidades cristãs provenientes do judaísmo, surgiu depois um "grande Domingo", como celebração anual da Páscoa.
A partir do séc. IV, com os decretos que garantiam a liberdade de culto aos cristãos, começaram-se a celebrar na Terra Santa os acontecimentos da Paixão e morte de Jesus Cristo, nos locais e às horas em que eram relatados nos Evangelhos. Nasceu assim a Semana Santa e os peregrinos estenderam este uso a todas as igrejas.
A celebração do baptismo na noite de Páscoa, já em uso no século III, e a disciplina penitencial com a reconciliação dos penitentes na manhã de Quinta-feira Santa, já no século V, fizeram nascer também o período preparatório da Páscoa, ou seja, a Quaresma, inspirada nos "quarenta dias bíblicos".
A Semana Santa apresenta-se, neste contexto, como a Semana Maior do ano litúrgico. Graças à peregrina Egéria que viveu no final do século IV, conhecemos os rituais que envolviam estas celebrações no princípio do Cristianismo. Ela descreve em seu livro "Itinerarium" a liturgia que se desenvolveu em Jerusalém, teatro das últimas horas de vida de Jesus, e compreende o intervalo de tempo que vai do Domingo de Ramos à Páscoa.
Na Idade Média, esta semana era chamada a "semana dolorosa", porque a Paixão de Cristo era dramatizada pelo povo, pondo em destaque os aspectos do sofrimento e da compaixão. Actualmente, muitas igrejas locais dão ainda vida a essa tradição dramática, que se desenrola em procissões e representações da Paixão de Jesus.A celebração dos mistérios da Redenção, realizados por Jesus nos últimos dias da sua vida, começa pela sua entrada messiânica em Jerusalém.
O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a lembrança das Palmas e da Paixão do Senhor.
Duas celebrações marcam a Quinta-feira santa: a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor. Antigamente, na manhã deste dia celebrava-se o rito da reconciliação dos penitentes, a quem tinha sido imposto o cilício em quarta-feira de cinzas. Hoje, a manhã é preenchida pela Missa Crismal, que reúne em torno do Bispo o clero da Diocese e são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o Santo Óleo do Crisma. A origem da bênção dos óleos santos e do sagrado crisma é romana, embora o rito tenha marcas galicanas. Em conformidade com a tradição latina, a bênção do óleo dos doentes faz-se antes da conclusão da oração eucarística; a bênção do óleo dos catecúmenos e do crisma é dada depois da comunhão. Permite-se, todavia, por razões pastorais, cumprir todo o rito de bênção depois da liturgia da Palavra, conservando, porém, a ordem indicada no próprio rito.
Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem início o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. É comemorada a instituição dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-pés). A simbologia do sacrifício é expressa pela separação dos dois elementos "o pão" e "o vinho". Esse evento do mistério de Jesus também se tornou manifesto no gesto do lava-pés. Depois do longo silêncio quaresmal, a liturgia canta o Glória. No final da Missa, o Santíssimo Sacramento é trasladado para um outro local, desnudando-se então os altares.
Na Sexta-feira Santa não se celebra a missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor, com a adoração da cruz. O silêncio, o jejum e a oração marcam este dia.A celebração da tarde é uma espécie de drama em três actos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão.
O Sábado Santo é dia alitúrgico: a Igreja debruça-se, no silêncio e na meditação, sobre o sepulcro do Senhor. A única celebração primitiva parece ter sido o jejum.
A Vigília Pascal é a “mãe de todas as celebrações” da Igreja. Celebra-se a Ressurreição de Cristo, a Luz que ilumina o mundo, e para transmitir esse simbolismo deve ser celebrada não antes do anoitecer e terminada antes da aurora. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a benção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Baptismo e, por fim, a liturgia Eucarística.
Ainda hoje continua a ser a noite por excelência do Baptismo.
Fonte Ecclesia

8 de março de 2008

Lázaro, o amigo de Jesus


A cena da ressurreição de Lázaro mostra-nos Jesus que se comove e fica perturbado com a morte do amigo (Jo 11,35). Não é pranto ruidoso, mas sereno… Jesus mostra, dessa forma, o seu afecto por Lázaro, a sua saudade do amigo ausente.

Ele – como nós – sente a dor, diante da morte física de uma pessoa amada; mas a sua dor não é desespero.

Jesus chega junto do sepulcro de Lázaro. A entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra (como era costume, entre os judeus). A pedra é, aqui, símbolo da morte definitiva. Separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, cortando qualquer relação entre um e outro. Jesus, no entanto, manda tirar essa “pedra”: para aqueles que acreditam não se trata de duas realidades sem qualquer relação.

Jesus, ao oferecer a vida plena, abate as barreiras criadas pela morte física. A morte física não afasta o homem da vida. A acção de dar vida a Lázaro representa a concretização da missão que o Pai confiou a Jesus: dar vida plena e definitiva ao homem.

A família de Betânia representa a comunidade cristã, formada por irmãos e irmãs. Todos eles conhecem Jesus, são amigos de Jesus, acolhem Jesus na sua casa e na sua vida. Essa família também faz a experiência da morte física.

Como é que deve lidar com ela?
Com o desespero de quem acha que tudo acabou?
Com a tristeza de quem acha que a morte venceu e tudo está perdido?

Não.

Ser amigo de Jesus é saber que Ele é a ressurreição e a vida.

6 de março de 2008

O Sacramento do Perdão


O Sacramento da Reconciliação nem sempre é bem compreendido, nos dias de hoje. A primeira distorção a ser corrigida é a concepção de um ritual predominantemente marcado pela tristeza, originada por uma certa humilhação mórbida e penitencial. Pelo contrário, Reconciliação é sempre fonte de paz e de alegria.

Embora todos os Sacramentos tenham a sua origem na Páscoa de Cristo, o Sacramento da Penitência configura-se a um "sopro de Ressurreição" que Jesus infundiu aos Apóstolos, ao instituí-lo na tarde daquele mesmo dia, quando apareceu no Cenáculo: “A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Dizendo isso, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,21-23).

Estas palavras de Cristo, no dia em que abandona o túmulo, mostram bem a tonalidade vivificante do Sacramento da Reconciliação. Originada na miséria do pecado e na tristeza da nossa fragilidade, germina como primeiro fruto da Redenção do Senhor, transformando-se num culto de louvor ao próprio Deus. Depois de tudo o que padeceu, e dos seus méritos infinitos, obtidos em nosso favor, Cristo oferece-nos a eliminação do pecado e de todo o mal moral que assola o homem. Daqui ressaltam a paz e a alegria que inundam todo o ambiente pascal. É o Espírito Santo, o próprio amor do Pai e do Filho, que brota da Trindade, actuando para eliminar tudo o que se lhe opõe, que é exactamente o pecado.

Evidentemente, o tema da Reconciliação envolve a tristeza do pecado, que, na concepção mais antiga da Bíblia, significa errar o alvo, desviar-se do objectivo. O objectivo não é material, mas transcendente: o caminho recto que leva aos braços do Pai, por Cristo, no amor do Espírito Santo. A conversão será sempre voltar a este caminho, direcção originária da nossa vida, para o encontro com o Deus da misericórdia.

O pecado assemelha-se a um roubo: subtrair a propriedade de alguém e assenhorear-se de algo que não lhe pertence. Somos criaturas de Deus, exclusivamente feitas para Ele, e para gozarmos n'Ele a felicidade. O sinal permanente disto é a unção baptismal, pela qual nós nos tornamos propriedade exclusiva de Deus. Como Senhor da nossa vida, todos os nossos actos devem ser direccionados para Ele. Quando nos arvoramos nos nossos próprios donos absolutos, profanamos a dignidade do nosso ser, que deveria estar submisso a Deus.

O pecado tem, ainda, uma conotação diabólica. Diá+ballo significa separar. Deus ama-nos sempre com amor infinito, que, ao mesmo tempo, se dirige a cada pessoa em particular. O que faz o pecado? Levanta uma barreira, que nos afasta de Deus, impedindo que o seu amor nos atinja. Temos um exemplo disto na história do filho pródigo, que se afastou da casa paterna, degradando-se até ao ponto de invejar o alimento dos porcos (cf. Lc 15,11ss). Esta é a situação miserável do pecador.

Uma outra objecção comum ao sacramento é a alegação de que, pouco tempo após se obter o perdão, acaba-se caindo nas mesmas faltas. Entretanto, se alguém está tão fraco, apesar de buscar a graça do Sacramento, o que seria dele se não o fizesse? Mediante a perspectiva da reincidência de uma doença, se desistíssemos de ir ao médico e de tomar os medicamentos prescritos, acabaríamos morrendo. Assim como o banho é exigência permanente para a nossa higiene corporal, e a visita ao médico é imprescindível à nossa saúde, assim é o Sacramento da Reconciliação, verdadeiro banho que purifica a alma e nos preserva da morte espiritual. Que seria de nós sem o poder de Deus que nos transforma e nos fortalece no combate contra a tentação?

A atitude fundamental para receber o Sacramento da Reconciliação é a humildade, da qual encontramos diversos exemplos na Sagrada Escritura. David, recriminado pelo profeta, confessou: "Pequei contra Javé!" (2 Sm 12,13). “Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade, pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas. Porque eu reconheço os meus pecados e tenho sempre diante de mim as minhas culpas. Pequei contra Vós, só contra Vós, e fiz o mal diante dos vossos olhos”. (Sl 50 [51],3-6).

Zaqueu, homem rico e de posição social elevada, teve a humildade de subir a uma árvore para ver Jesus passar (cf. Lc 19,2-10). Quem de nós teria essa coragem? O publicano no templo, "mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: 'Meu Deus, tende piedade de mim, pecador!'" (Lc 18,13). Ou, ainda, Pedro: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador" (Lc 5,8). São Dimas, que nós chamamos de "bom ladrão", porque se converteu à última hora, reconheceu: "Quanto a nós, é de justiça; estamos pagando pelos nossos actos; mas ele não fez nenhum mal" (Lc 23,41).

Muitos são os motivos que temos para pedir perdão a Deus, mas só podemos fazê-lo porque temos fé. Este dom, que o próprio Deus nos concedeu, leva-nos a reconhecer a sua divindade, cuja glória queremos restituir ao nosso próprio ser, restaurando em nós o brilho da sua Beleza, a magnificência da mais elevada obra do Criador: o ser humano.

Pela fé, ousamos aproximar-nos de Deus, tocando a sua misericórdia bem de perto, pois só Ele nos pode perdoar. Aí se aplicam, de modo quase palpável, os frutos da Redenção. Todo aquele sangue vertido, desde o Horto das Oliveiras, até às últimas gotas que saíram do Coração traspassado, é derramado sobre as sombras e a miséria do pecado. E assim se transforma e se purifica completamente o ser humano.

O nosso encontro com Jesus Salvador, na Reconciliação, é um momento muito especial. Vamos até Ele doentes psicológica, corporal e, até, espiritualmente. Jesus é o divino Médico: “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos, mas os pecadores, que Eu vim chamar ao arrependimento.” (Lc 5,31). Ovelhas tresmalhadas, perdidas nas colinas da vida, aparentemente tão distantes de Deus, Ele busca-nos como Bom Pastor, pois nada está longe da sua misericórdia (cf. Lc 15,4-7).

Este torna-se, então, um encontro com o grande Amigo, Jesus Cristo: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; chamei-vos amigos, porque tudo o que ouvi de Meu Pai vo-lo dei a conhecer" (Jo 15,15). Ele manifestou esta amizade no momento da instituição da Eucaristia e, definitivamente, no alto da cruz. É esta relação de amizade que nós buscamos reatar no Sacramento da Reconciliação.

A vida é um caminhar, ao longo do qual, necessariamente, nos sujamos. Andamos por estradas poeirentas, caímos em poças de lama, realidades ignóbeis, que nos levam, ao fim de contas, à miséria. A nossa veste baptismal fica conspurcada pelo contacto com tantas ocorrências negativas. Por isso, é que tanto precisamos deste encontro com Cristo que, pela Reconciliação, nos faz lavar as nossas vestes originais.

Profetizando sobre as fontes da salvação, Isaías diz que nós nos acercamos de uma torrente, da qual sorvemos a água que nos purifica e mata a sede (cf. Is 12,3). E nós devemos aspergi-la, também, sobre o ambiente e as pessoas que nos cercam, a comunidade à qual pertencemos, e os lugares por onde estivermos. A graça de Deus tem o poder de destruir o que há de sombrio na nossa vida, iluminando tudo pelo seu amor. Esta é a beleza do acto da Reconciliação.


(Conf. carta CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID )

1 de março de 2008

O cego de nascença


...O homem, cego de nascença, nunca viu nada nem ninguém. No momento em que adquiriu a vista, manifestaram-se-lhe, pela primeira vez, como novidade absoluta, as coisas todas que nós vemos cada dia. Até agora orientava-se com o auxílio do tacto, talvez com ajuda da bengala branca, como os cegos nos nossos tempos, ou talvez fosse ajudado por algum cão-guia. Tais ajudas, todavia, permitiam-lhe unicamente mover-se com dificuldade, arrastando a vida no apertado círculo dos objectos. Que sentiu ao adquirir a vista? Como iria viver agora? Como devia interpretar ver-se agora liberto? Liberto, porque via!
E por fim: que sentimentos alimentava perante Aquele que, nesse dia memorável, estendeu lodo sobre as suas pálpebras e lhe mandou que fosse lavar-se à piscina de Siloé? Que havia de pensar d'Ele?
Aconteceu depois que ainda por alguns dias, Cristo continuou a ser para ele um desconhecido. Não o vira quando Ele lhe untou os olhos com o lodo; só o ouvia dizer: «vai, lava-te na piscina de Siloé». Depois quando do seu encontro com Jesus, realizado só após algum tempo, travou-se esta conversa: «Tu crês no Filho do Homem?...»; «Quem é Ele, Senhor, para que n'Ele creia?»...; «Tu já O viste; é Ele que fala contigo». Respondeu: «Creio Senhor».
O dom da vista atingia não só o sentido do corpo, mas penetrou até ao íntimo da alma. ...

16 de fevereiro de 2008

Transfiguração


Mateus não está interessado em relatar-nos simplesmente informações. Ele quer levar os cristãos das comunidades, e a nós também, a compreender quem é Jesus. Para isso ele recorre à linguagem teológica através de figuras e símbolos.
No livro do Êxodo, Moisés sobe à montanha levando consigo duas pessoas e lá conversa com Javé.
Fica claro que na transfiguração Mateus quer-nos apresentar Jesus como o novo Moisés, aquele que dá ao novo povo, representados pelos três discípulos, a nova lei, a revelação definitiva de Deus. No alto da montanha aparecem Moisés e Elias. O primeiro é aquele que deu a lei ao seu povo, o outro é considerado como o primeiro dos profetas. Pedro, como de costume, não entende o significado do que está acontecendo. Ele ainda julga que Jesus é somente um grande personagem, um homem do mesmo nível de Moisés, de Elias, por isso sugere que sejam construídas três tendas iguais. Mas os três personagens já não podem continuar juntos. Jesus destaca-se nitidamente dos outros, é absolutamente superior.
Neste ponto Deus intervém para corrigir a falsa interpretação de Pedro: Jesus não é somente um grande legislador ou um simples profeta, é o Filho predilecto do Pai. É a ele e somente a ele que os discípulos devem dar ouvidos. É por isso que se observa que, quando os três discípulos levantam os olhos, não vêem mais ninguém a não ser Jesus. Moisés e Elias desapareceram, já cumpriram a sua missão ao apresentar ao mundo o Messias, o novo profeta, o novo legislador.

Neste segundo domingo da Quaresma, a liturgia da Palavra traz ricos ensinamentos. Nossa vida na fé é um caminho a ser percorrido...como o de Abraão, o de Paulo, o de Timóteo. Nesta caminhada não estamos sozinhos, a palavra de Jesus, seu Evangelho aponta-nos a direcção. Estamos dispostos a ouvir o que Jesus tem a dizer-nos? Ouvimos tantas vozes... por que não escutar o que Jesus diz?

(Adap.Pe. Francisco Pires de Andrade, cmf)

13 de fevereiro de 2008

Quadragésima.com


A Quaresma só tem sentido como caminhada para a Páscoa, a festa das festas. E nesta caminhada temos que saber parar para deixar ecoar dentro de nós a Palavra de Deus, e só o Espirito Santo nos ajudará a compreender tudo que Jesus disse e ensinou. Este desafio que o Confessionário nos propõe é uma reflexão em comunhão, como nos diz:«O tempo da Quaresma é um tempo de descoberta da nossa identidade como cristãos. É um tempo de encontro connosco próprios e com Deus. É um tempo especial de introspecção e reflexão. Porque não havemos de o fazer aqui, na net, e de uma forma mais comunitária, ajudando-nos uns aos outros?! Deste objectivo nasce esta proposta, a “quadragésima.com”.»

Regras da quadragésima.com:

1- Ao receber a “quadragésima.com” o blogger deve reflectir na sua relação com Deus e descobrir uma frase, bíblica ou não, que a defina;

2- Depois de o fazer deve re-escrever num post estas regras, as frases já assinaladas pelos anteriores bloggers (com o respectivo link), e escrever a sua;

3- No post deve incluir quem deseja convidar (pode e deve manifestá-lo no blog da pessoa convidada);

4- Não é permitido fazer mais que um convite ao mesmo tempo;

5- O blogger que, recebendo a “quadragésima.com”, não estiver interessado em aceitá-la, deve indicá-lo ao seu emissário para que este lhe dê seguimento através de outro blogger;

6- Não podem aceitar mais que uma vez a “quadragésima.com”; se o convite aparecer, mesmo vindo de outra “frente”, devem igualmente informar o emissário do segundo convite;

7- A “quadragésima.com” realiza-se em 3 frentes: frente “Deus-Pai”; frente “Jesus”; frente “Espírito Santo”; estas frentes funcionarão quase como equipas, para tentar chegar ao maior número de bloggers possível (não se trata de encontrar vencedores, mas empenhados);

8- A “quadragésima.com” será encerrada na Sexta-feira Santa, dia 21 de Março, pelas 12.00 horas, hora em que o último blogger receptor deve endereçá-la, já com a sua frase, a este endereço, para publicitarmos todas as frases que definem a nossa relação com Deus nesta Quaresma de 2008.

Obrigado por aceitares a quadragésima.com.
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Incumbida pelo Confessionário, a Fá deu início à frente "Espírito Santo" e de seguida, convidou o Joaquim a dar-lhe continuidade e depois entrou a Malu, seguindo-se o António.Cabe-me a mim, Mafaoli, dar-lhe continuidade. E como a ideia é tentar chegar ao maior número de bloggers possível, não perco tempo e chamo já, já, o Silvino para nos acompanhar.

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quadragésima.com - frente “Espírito Santo” - as frases :

0 - “Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas.” Jo 10, 11 - Confessionário dum padre.

1 - ''De maneira semelhante é que o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza, pois não sabemos o que devemos pedir em nossas orações, mas é o próprio Espírito que intercede por nós com gemidos inefáveis''.Rom. 8,26 – Partilhas em Fa menor.

2 - «Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco; mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.» Jo 14,25-26 - Que é a Verdade?.

3 - «E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá. Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente? Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á porventura um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem.» - Lc.11, 9-13 - A Capela.

4- "De facto, não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, pois Ele foi provado em tudo como nós, excepto no pecado." - Hb. 4, 15 - A Partilha.

5- «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa. Ele não falará por si próprio, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos o que há-de vir. Ele há-de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer. Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: 'Receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer'.» (Jo.16,12-15) - Mafaoli