4 de novembro de 2007

Zaqueu quero ficar em tua casa!


Jesus tinha entrado em Jericó e estava passando pela cidade. Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe os publicanos e muito rico.

Ele procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era baixinho. Então ele correu à frente e subiu numa árvore para ver Jesus, que devia passar por ali. Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse. “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo hospedar-me na tua casa. Ele desceu depressa, e o recebeu com alegria (Lc 19,1-6). Zaqueu, porque queria ver Jesus, dá os passos necessários para vê-lo. Por ser baixinho, sobe numa árvore à beira do caminho por onde Jesus devia passar, não se importando com a gozação dos que o conheciam.
O texto diz que Jesus não só viu Zaqueu no alto da árvore, mas viu também os sentimentos e os desejos de seu coração, tomou a iniciativa de falar com ele e pediu-lhe que lhe desse hospedagem na sua casa. Ao contemplar a cena, vejo, com os olhos da imaginação, Jesus dando a mão a Zaqueu para ajudá-lo a descer da árvore, e vejo Zaqueu entregando-se literalmente nas mãos de Jesus, que é o Caminho, a Verdade e a Vida, passando pelos caminhos de nossa terra, passando pelos meus caminhos para vir ao meu encontro.
Como recomenda Santo Inácio, depois de contemplar a cena, vendo as pessoas, ouvindo o que falam e considerando o que fazem, dou um tempo para “reflectir sobre mim mesmo”. Quais são os “reflexos” das palavras e do comportamento de Jesus e de Zaqueu em mim? Deixo-me iluminar e guiar por esses reflexos? Que atitudes e comportamentos devem mudar na minha vida?
Assim como penetrou com seu olhar toda a vida de Zaqueu, Jesus também penetra toda a minha vida, conhece os meus pensamentos e os meus desejos mais profundos, perpassa todas as minhas máscaras e mentiras. E assim como falou com o cobrador de impostos Zaqueu, fala também comigo e quer hospedar-se na minha casa, no meu coração.

(reflexão:paróquia NªSªRosário)

1 de novembro de 2007

Dia de todos os Santos



A festa do dia de Todos-os-Santos é celebrada em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não. A Igreja Católica celebra a Festum omnium sanctorum a 1 de novembro seguido do dia dos fiéis defuntos a 2 de novembro. A Igreja Ortodoxa celebra esta festividade no primeiro domingo depois do Pentecostes, fechando a época litúrgica da Páscoa. Na Igreja Luterana o dia é celebrado principalmente para lembrar que todas as pessoas batizadas são santas e também aquelas pessoas que faleceram no ano que passou.

História
O dia de todos os santos com o objetivo de suprir quaisquer faltas dos fiéis em recordar os santos nas celebrações das festas ao longo do ano. Esta tradição de recordar (fazer memória) os santos está na origem da composição do calendário litúrgico, em que constavam inicialmente as datas de aniversário da morte dos cristãos martirizados como testemunho pela sua fé, realizando-se nelas orações, missas e vigílias, habitualmente no mesmo local ou nas imediações de onde foram mortos, como acontecia em redor do Coliseu de Roma. Posteriormente tornou-se habitual erigirem-se igrejas e basílicas dedicadas em sua memória nesses mesmos locais.
O desenvolvimento da celebração conjunta de vários mártires, no mesmo dia e lugar, deveu-se ao facto frequente do martírio de grupos inteiros de cristãos e também devido ao intercâmbio e partilha das festividades entre as dioceses/paroquias por onde tinham passado e se tornaram conhecidos. A partir da perseguição de Diocleciano o número de mártires era tão grande que se tornou impossível designar um dia do ano separado para cada um. O primeiro registo (Século IV) de um dia comum para a celebração de todos eles aconteceu em Antioquia, no domingo seguinte ao de Pentecostes, tradição que se mantém nas igrejas orientais.
Com o avançar do tempo, mais homens e mulheres se sucederam como exemplos de santidade e foram com estas honras reconhecidos e divulgados por todo o mundo. Inicialmente apenas mártires (com a inclusão de São João Baptista), depressa se deu grande relevo a cristãos considerados heróicos nas suas virtudes, apesar de não terem sido mortos. O sentido do martírio que os cristãos respeitam alarga-se ao da entrega de toda a vida a Deus e assim a designação "todos os santos" visa celebrar conjuntamente todos os cristãos que se encontram na glória de Deus, tenham ou não sido canonizados (processo regularizado, iniciado no Século V, para o apuramento da heroicidade de vida cristã de alguém aclamado pelo povo e através do qual pode ser chamado universalmente de beato ou santo, e pelo qual se institui um dia e o tipo e lugar para as celebrações, normalmente com referência especial na missa).

Intenção catequética da festividade
Segundo o ensinamento da Igreja, a intenção catequética desta celebração que tem lugar em todo o mundo, ressalta o chamamento de Cristo a cada pessoa para o seguir e ser santo, à imagem de Deus, a imagem em que foi originalmente criada e para a qual deve continuar a caminhar em amor. Isto não só faz ver que existem santos vivos (não apenas os do passado) e que cada pessoa o pode ser, mas sobretudo faz entender que são inúmeros os potenciais santos que não são conhecidos, mas que da mesma forma que os canonizados igualmente vêem Deus face a face, têm plena felicidade e intercedem por nós. O Papa João Paulo II foi um grande impulsionador da "vocação universal à santidade", tema renovado com grande ênfase no Segundo Concílio do Vaticano.



Origem: Wikipédia

29 de outubro de 2007

O fariseu e o publicano


A perfeição não justifica nem salva o homem. É Jesus que no diz na parábola do fariseu e do publicano que vão ao templo para rezar. Esta pequena parábola teve o efeito demolidor para a sociedade religiosa judaica, porque nela Jesus coloca tudo de pernas para o ar, inverte toda a concepção de justificação e salvação tranquilamente aceita por todos, em todos os segmentos sociais. Todos estavam convictos de que as pessoas agradáveis a Deus, que estavam justificadas, eram os fariseus, fanáticos cumpridores da lei. Jesus afirma o oposto, esse homem não saiu do templo justificado. Sua pretensa perfeição no cumprimento da lei, o leva a um grande orgulho "não sou como os demais homens", ao desprezo dos outros, ao fechamento do coração para o amor, a prescindir de Deus, a pensar que se salva pelo próprio esforço, a exigir recompensa de Deus, Jesus afirma sem rodeios, tal homem não está justificado, a perfeição não justifica o homem.
O publicano sim, sai do templo justificado, está a caminho da salvação. O publicano capitula diante de Deus: reconheceu seu pecado e sua condição de pecador, reconhece sua incapacidade de salvar-se por si mesmo, abre-se para um outro, abre-se para Deus de quem espera o perdão e a salvação.

Esta humildade é a porta de abertura para sair de um mundo enclausurado em si mesmo, um mundo auto-suficiente e tenebroso, onde tudo gira em torno do próprio eu, onde não há lugar para o Outro e os outros, onde não há salvação possível.

21 de outubro de 2007

"E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos?"


Após o episódio do leproso samaritano, curado por Jesus, e que voltou para lhe agradecer, o texto deste domingo propõe um dos assuntos mais predilectos de S. Lucas, a oração. Com a parábola do juiz iníquo e da viúva que clama por justiça, pretende sublinhar-se que a oração deve caracterizar a vida do crente em todo o tempo da espera. É preciso ambientar a parábola no contexto oriental do tempo de Jesus, em que o juiz tinha maior liberdade de iniciativa e de julgamento do que nos sistemas judiciais modernos. A viúva representa bem uma pobre do povo que, em caso de necessidade, tem como único recurso a sua palavra ousada e insistente. Fosse ela rica e poderia ver o seu caso facilmente despachado à custa de presentes que influenciariam o juiz ou, pelo menos, antecipariam a sentença.. À parábola segue-se o comentário de Jesus ("o Senhor"), que se apoia directamente nas palavras ditas pelo juiz ("vou fazer-lhe justiça"). Também Deus fará justiça aos seus eleitos mas, diferentemente do juiz iníquo, não os fará esperar. Pode chocar nesta parábola que a figura humana que representa Deus seja uma pessoa (o juiz) moralmente censurável. Mas o aspecto do seu comportamento que é tomado como termo de semelhança é apenas a resposta positiva, provocada pela insistência da mulher.

(Voz Portucalense 10/10/2007)

9 de outubro de 2007

Novos catecismos






Depois de alguns anos de espera, eis que os novos catecismos vão começando a surgir. Depois da experiência do catecismo do 9º, este ano foi publicado o 10º, 8º, e 7º, prevendo-se para breve a publicação do catecismo do 1º ano.

Estes novos catecismos poderão ser o ponto de partida para colocarmos mais entusiasmo e mais alegria na preparação de todos aqueles que nos são confiados.

São ferramenta necessária para ajudar os catequistas a fazerem catequese, mas o êxito da catequese não passa apenas por ter na nossa mão, uns novos guias é também fundamental uma boa renovação da formação humana e cristã dos catequistas.

“Catequese que não é renovada envelhece como uma peça de museu. A oração, o estudo e meditação são as molas dessa renovação.”

29 de setembro de 2007

São Miguel, São Gabriel e São Rafael

Hoje celebramos a festa dos três Arcanjos São Miguel, São Gabriel, São Rafael. Da existência destes anjos fala explicitamente a Sagrada Escritura, que lhes dá nome e lhes determina a função.
"Miguel" que significa: "Quem como Deus" é o defensor do Povo de Deus no tempo da angústia. São Miguel, o antigo padroeiro da Sinagoga, é agora o padroeiro da Igreja universal;São Miguel em particular, foi cultuado desde os primeiros séculos de história do cristianismo. O imperador Constantino erigiu-lhe um santuário nas margens do Bósforo, em terra européia, enquanto Justiniano construiu-lhe um no lado oposto. A data de 29 de Setembro corresponde à da consagração da Igreja dedicada no século V a São Miguel, a seis milhas da via Salária. A festividade é muito difundida no Ocidente e no Oriente. Em Roma foi-lhe dedicado o célebre mausoléu de Adriano, agora conhecido com o nome de Castelo de Santo Ângelo. A São Miguel é dedicado o antigo santuário, surgido no século VI, que do monte Galgano, na Púglia, domina o mar Adriático. Nas proximidades desta Igreja, a 8 de Maio de 663, os longobardos obtiveram vitória, atribuída a uma aparição do anjo. deu origem a segunda festa, transferida depois para 29 de Setembro.

"Gabriel " - que significa "Deus é forte" ou "aquele que está na presença de Deus", São Gabriel é o anjo da encarnação e talvez o da agonia do jardim das oliveiras. É ele que anuncia o nascimento de João Batista e de Jesus. São Gabriel, "aquele que esta diante de Deus" (é seu "cartão de visita", quando vai anunciar a Maria a sua escolha para Mãe do Redentor), é o anunciador por excelência das revelações divinas. É ele que explica ao profeta Daniel como se dará a plena restauração, da volta do exílio ao advento do Messias. A ele é confiado o encargo de anunciar o nascimento do Precursor; João, filho de Zacarias e de Isabel. A missão mais alta que nunca foi confiada à criatura alguma é ainda sua: anunciar a Encarnação do Filho de Deus. Ele tem prestígio muito especial até mesmo entre os maometanos.

"Rafael " - que quer dizer " medicina de Deus " ou "Deus cura" - São Rafael é o guia dos viajantes. Foi companheiro de viagem de Tobias. É aquele que cura, que expulsa os demónios. São Rafael é o companheiro de viagem do homem, seu guia e seu protector nas adversidades. São Rafael, falado em um só livro da Sagrada Escritura, é o companheiro do jovem Tobias, e por isso sua função é tida como guia de todos os que viajam. Foi ele que sugeriu ao seu jovem protegido o remédio para a cura da cegueira do pai, por isso é invocado também como curador.

8 de setembro de 2007

XXIII Domingo do Tempo Comum


“Quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens,
não pode ser meu discípulo”


O texto quer salientar que para seguir Jesus é necessário sair do anonimato e comprometer-se em primeira pessoa. S. Lucas quererá, possivelmente, dar uma resposta ao afrouxamento de alguns fiéis que entendiam que bastava pertencer ao grupo dos cristãos para se identificar com o projecto de Jesus. Quais as condições para seguir a Jesus? Em primeiro lugar, o desapego afectivo, completo e imediato: pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e irmãs passam para segundo plano. Só Jesus é prioritário. O desapego implica, para além da família e dos bens, a própria vida. Em segundo lugar, a disponibilidade para a cruz e a renúncia de tudo (v. 33). As duas pequenas parábolas ilustram que seguir o Mestre é fruto de decisão ponderada, amadurecida e coerente.. A primeira parábola (v. 28-30) coloca como exemplo a construção de uma torre, que requer avultados recursos e um sério planeamento. Assim é o seguimento de Jesus. A segunda parábola inspira-se na prudência de um rei que, numa situação de guerra, prefere negociar a paz, a fim de evitar a humilhação da derrota com consequências desastrosas para ele e para o seu povo. Assim deve fazer aquele que decide seguir Jesus: realista como o arquitecto e prudente como o rei. Dito por outras palavras: evitar as ilusões fáceis, dado que não basta a boa vontade para ser cristão, e ser suficientemente sábio, a ponto de poder enfrentar os riscos que tal compromisso comporta. Ser cristão comporta “decisões” e “riscos” que determinam toda a vida de quem faz essa opção.

(Voz Portucalense /online)