22 de fevereiro de 2015

I Domingo Quaresma


Arrepende-te
“Quando não rezamos, fechamos as portas ao Senhor para que Ele não possa fazer nada. Pelo contrário, diante de um problema, de uma situação difícil, de uma calamidade, a oração abre as portas ao Senhor, para que Ele venha. Ele refaz as coisas, Ele sabe arranjar as coisas, colocá-las no lugar. Rezar é isso: abrir as portas ao Senhor. Se as fecharmos, Ele não pode fazer nada”

(Papa Francisco).

20 de fevereiro de 2015

O jejum que agrada a Deus


"O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injus­tamente, livrá-los do jugo que levam às cos­tas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opres­são, repartir o teu pão com os esfo­meados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não des­prezar o teu irmão. Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. A tua justiça irá à tua frente, e a glória do Senhor atrás de ti. Então invocarás o Senhor e Ele te atenderá, pedirás auxílio e te dirá: «Aqui estou!»  (Isaías58,6-9)



Deus chama à atenção do Seu povo do perigo e chama-o ao verdadeiro jejum.O “verdadeiro jejum”, que agrada a Deus,  revela-se na maneira como tratamos os outros.

2 de maio de 2010

"Amai-vos uns aos outros"


No Antigo Testamento já havia o mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo “(Lv. 19, 18). Porém, Jesus diz; "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros." É neste mandamento novo que se fundamenta o Cristianismo. Vamos então reflectir sobre a novidade do amor de Jesus.

Jesus sela com o Seu sangue a nova aliança com os homens. Não serão necessários mais sacrifícios de animais ou outros, apenas o amor. Mas o amor é Ele mesmo, como sinal do amor de Deus. Jesus não pede nada para Si nem para Deus, somente para os homens. E, pois, um amor totalmente gratuito, universal e oblativo. Um amor que se traduz no serviço até dar a vida. Um amor que recusa qualquer forma de violência, respeita a liberdade, promove a dignidade, reprova toda a discriminação. Um amor que elege a debilidade como alvo preferencial.

Nunca ninguém tinha amado assim; nunca ninguém tentara fundar uma sociedade baseada nesta dimensão, que parecerá Ioucura aos olhos dos "sábios", mas por isso mesmo é a eterna novidade capaz de arrancar o mundo da escravidão de qualquer natureza. É este amor o alimento, o maná, dos cristãos.

Os cristãos não são homens diferentes dos outros, não trazem distintivos, não vivem fora do mundo; o que os caracteriza é a lógica do amor gratuito, como o de Jesus. O amor que existe entre eles deve ser visível, manifestado por obras semelhantes às de Jesus. Este será o sinal distintivo da comunidade crista. Não mais o poder. Não mais a vaidade. Não mais os primeiros lugares. Não mais pura observância de ritos vazios de vida. Tudo isto faz parte de uma comunidade “velha". A comunidade "nova" brilhará como o sol, será a Jerusalém celeste nesta terra. Esta é a nossa hora, herdamos de Jesus esta extraordinária herança; que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei.

(Folha dominical Comunidade paroquial de Espinho)

23 de abril de 2010

Domingo do Bom Pastor


O Quarto Domingo da Páscoa, também é chamado o Domingo do Bom Pastor - Dia de orações pelas vocações sacerdotais e religiosas.

O termo pastor ressoa na boca de Jesus como um título cristológico que fala simultaneamente do seu mistério e de sua missão, tendo raízes no Antigo Testamento. Com efeito, Iahweh é o Pastor que conduz o seu Povo, através de seus servos quais autênticos pastores nem sempre, porém, fiéis à missão. Daí o tema no Antigo Testamento revelar um forte acento messiânico-escatológico, isto é, Deus haveria de suscitar um Pastor plenamente fiel ao serviço às ovelhas. Este pastor, segundo o coração de Deus, anunciado pelos profetas e esperado por Israel, é o Messias: Jesus.

Ele apresenta-se no Quarto Evangelho consciente não só de ser aquele pastor, mas também de que os que vieram antes dele eram ladrões e mercenários que dispersaram as ovelhas. Então, não só as reúne e defende, mas dá-lhes a vida porque morre e ressuscita para isso. Justifica-se, pois, a escolha do relato do Quarto Domingo da Páscoa, por esta nítida relação estabelecida entre o pastoreio de Jesus e o momento da sua morte e ressurreição. Aliás, esta entrega de si é que justifica o qualitativo bom acrescido ao pastor.

Paulo VI percebeu a importância desta mensagem e fez deste Domingo uma Jornada Mundial de Orações pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas. Dessa maneira, deseja que à luz do Bom-Pastor que dá a vida compreendamos, aceitemos e valorizemos as vocações especiais na Igreja. O melhor modo de valorizá-las é perceber as suas necessidades. Quem precisa pede, ora, implora. Há, pois, uma pequena subtileza no pedido que fazemos a Deus. É claro que pedimos vocações. Mas, na realidade, suplicamos que Ele conceda o dom que motiva o coração humano para a entrega de si mesmo, aquela disposição do Bom-Pastor que dá a vida, sem o que a Redenção não se realiza. Este dom é pedido, hoje, pela Igreja ao seu Pastor Supremo, sem o qual não há nem vocacionados nem a expressão visível Daquele que redimiu e congregou o Rebanho.

A imagem do Bom-Pastor, plena de conteúdo salvífico, permite também que toda obra e ministério eclesiais sejam chamados de Pastoral porque os baptizados, segundo os carismas que possuem, são vocacionados ao serviço, dando a vida pela causa Daquele que se entregou por nós. Portanto, a imagem desperta a generosidade e a disponibilidade dos cristãos para o serviço na Igreja e no Mundo, à semelhança do pastoreio de Jesus.

11 de abril de 2010

Nova Evangelização


Os discípulos encontram-se reunidos em casa. Este encontro, no contexto deste Evangelho, é a celebração da Eucaristia. Quando os crentes estão reunidos eucaristicamente, encontram o Ressuscitado. Este saudou os seus discípulos: "A paz esteja convosco". O presidente da assembleia eucarística saúda também os presentes de maneira semelhante.
O apóstolo Tomé não estava presente na primeira aparição e, por isso, não pôde ver Jesus Ressuscitado. Só oito dias depois, reunido com os outros, viu Jesus Ressuscitado. Esta situação é narrada por causa do seu significado. Quem, como Tomé, se ausenta dos encontros eucarísticos não pode fazer a experiencia do Ressuscitado, não pode receber a sua saudação, nem o seu Espírito, nem a alegria que nasce do encontro com Deus. Quem, no Dia do Senhor, no Domingo, fica em casa, mesmo que reze sozinho, veja a Eucaristia pela Televisão, excepção feita para os doentes, pode ter uma certa experiência de Deus, mas não a do Ressuscitado, porque Este Se torna presente no lugar onde se reúne a comunidade. Tenhamos presente a experiencia dos discípulos de Emaús.
Tomé é também a imagem da Igreja que caminha no meio de dúvidas, de recusas, de altos e baixos, até chegar à confissão “Meu Senhor e meu Deus!" Contudo, a Igreja esta encarregada de exercer uma pedagogia da fé para todos os tempos. Tal significa que não pode nem deve ficar presa rigidamente ao passado, mas é convidada pelo Espírito e pelo povo a abrir-se à diversidade de carismas. A meta final é "Meu Senhor e meu Deus!", mas os ritmos e os caminhos são diferentes. A Igreja deve ter as portas abertas, sempre abertas, aos que buscam, perguntam, lutam, caminham penosamente. Uma busca dolorosa pode ser mais autêntica do que um estado de Ietargia. É preciso abrir caminhos para o Espírito do Ressuscitado actuar. Pode chamar-se a isto a nova evangelizarão, que a Missão 2010 pretende implementar.
(Folha Dominical da comunidade Paroquial de Espinho)

5 de abril de 2010

Oitava da Páscoa


Passado o tempo da Quaresma, no qual nos preparamos para a celebração da Ressurreição do Senhor, entramos no Tempo Pascal, tempo de alegria e exultação pela vida nova que o Senhor nos dá, tendo pago um alto preço: a sua entrega e morte na cruz.

A cor litúrgica deste tempo é branca, símbolo da pureza e da alegria. A presença do Círio Pascal é marcante como símbolo do Cristo Ressuscitado, LUZ que vai à frente e nos ilumina.

Nesta semana, em particular, estamos a celebrar A OITAVA DA PÁSCOA. Como o mistério da "passagem" do Senhor pela morte é extremamente profundo, durante 8 dias celebraremos esse grande mistério como se fosse um único dia com o objectivo de viver melhor o ponto central de nossa fé: A RESSURREIÇÃO DE JESUS.

Todo o tempo pascal, que se estende por 7 semanas até à Festa de Pentecostes, é marcado, não apenas nos domingos mas também durante os outros dias da semana, pelos textos dos Actos dos Apóstolos e do Evangelho de S. João. São textos que nos mostram a fé das primeiras comunidades cristãs e dos Apóstolos em Cristo Ressuscitado e convidam-nos a fazer da nossa vida uma contínua Páscoa seguindo fielmente os passos de Jesus, testemunhando-o corajosamente no mundo de hoje.

Que a luz do Cristo Ressuscitado nos ilumine para que sejamos LUZ para o mundo!

3 de abril de 2010

Noite da Vigília Pascal




De início, celebrava-se a Páscoa num só dia, melhor dizendo, numa só noite. Era a grande Noite da Vigília Pascal. É de facto a partir do século IV que a grande Celebração da Noite Pascal, a mãe de todas as vigílias, deu origem à Semana Santa.
No século IV, a Vigília Pascal tomava toda a noite, do pôr do sol de Sábado até ao dia seguinte, de manhã muito cedo (Jo. 20, 1), de modo que não havia qualquer outra celebração em dia de Páscoa. Cedo porém esta prática desapareceu.
Mas é esta observância da Igreja primitiva que importa reter pelo seu grande significado: numa Noite semelhante àquela da libertação em que o povo hebreu, oprimido no Egipto, esperou o sinal da partida para a Páscoa da liberdade (Ex. 12), o Povo da Nova Aliança espera a Ressurreição do Senhor Jesus. E deste modo os cristãos aguardam de lâmpadas acesas (Luc. 12, 35) que o Senhor saia vitorioso do túmulo.
Não é um acontecimento passado que se recorda. Celebra-se sacramentalmente todo o Mistério da Salvação, toda a História com os seus antecedentes e consequências. É por isso a Festa da Vida, do nosso tempo, da Igreja, da nossa Comunidade. De facto, o Mistério da Páscoa é simultaneamente o Mistério de Cristo e o Mistério da Igreja.
É no Tempo que se cumpre a Salvação de Jesus Cristo, sobretudo através dos dois grandes Sacramentos do Baptismo e de Eucaristia: O Baptismo pelo facto de ser uma especialíssima configuração com a Morte e Ressurreição do Senhor Jesus (Rom. 6, 23), a Eucaristia por ser o seu grande Memorial.
A Liturgia da Noite Pascal porá em realce todos estes Sinais e Memórias, todo este Passado e Presente.
Apesar da riqueza do seu conteúdo e de toda a sua variedade, a Celebração da Vigília Pascal tem uma unidade espantosa nas suas quatro partes.
– A Celebração da LUZ
Afugentando as Trevas do Pecado e da Morte, o cristão celebra nesta Noite Aquele que diz:" Eu sou a Luz do mundo. Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a Luz da Vida " (Jo. 8, 12). De facto, Ele que "era a Luz verdadeira vindo ao mundo a todo o homem ilumina" (Jo. 1, 9).
A bênção do fogo, um fogo puro, não artificial, fogo depois comunicado ao CíRIO,, um dos grandes sinais litúrgicos desta Noite, e logo comunicado aos pequenos círios empunhados pela Assembleia, prepara a Igreja para o anúncio da Páscoa feito através do belo poema lírico, que é o Precónio.

– A Celebração da PALAVRA
Esta Celebração da Vigília resume uma História, que se actualiza hoje. Uma longa série de Leituras da Bíblia faz-nos reviver os passos mais importantes da História de um Povo, ao qual Deus se revelou.
- A Celebração da ÁGUA
O momento mais alto da celebração pascal é a Celebração do Baptismo. Associando-se à Ressurreição de Cristo, os baptizados morrem para o homem velho ressuscitando para a Vida nova de Filhos de Deus e como membros da Igreja caminham para o Reino tendo de passar não pelas águas do mar vermelho mas sim pelas águas do Baptismo.
Por isso, nos primeiros séculos, o Baptismo celebrava-se somente na Vigília Pascal, sendo a Quaresma o grande Tempo de preparação.
Depois de Celebração do Baptismo, o momento alto da Noite, toda a Assembleia é convidada a fazer uma pública e solene profissão de Fé, verdadeira reafirmação do seu Baptismo.
– A Celebração da EUCARISTIA
A Eucaristia é o grande Memorial da Morte e da Ressurreição do Senhor Jesus. "Anunciamos Senhor a vossa Morte e proclamamos a vossa Ressurreição" Toda a celebração é uma explosão de alegria e um apelo a que nos consideremos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus (Rom. 6, 11).
Renascida pela Água e pelo Espírito e transferida para o Reino da Luz com a Força Nova da Palavra Criadora, alimentada com o Pão e o Vinho da Eucaristia, a Igreja sente-se um Povo de Homens Novos.

(adapP. João Silva, s.j.)