26 de setembro de 2009

Quem não é contra nós é por nós.

João disse-lhe: Mestre, vimos alguém, que não nos segue, expulsar demónios em teu nome, e lho proibimos.

Esse alguém que expulsava demónios em nome de Jesus não pertencia ao grupo dos 12 e, portanto, segundo eles, não poderia fazer aquilo. Uma demonstração de ciúmes por parte de Pedro e do grupo seguidor directo do Mestre. Aquele exorcismo, feito por um desconhecido, para os apóstolos era como uma forma de concorrência. Os discípulos sentiram-se com ciúmes como acontece tantas vezes nas nossas comunidades, quando vem alguém de fora nem sempre o acolhimento é feito da forma de Jesus. Os discípulos talvez se julgassem detentores exclusivos da missão de expulsar demónios, não admitindo a participação de outros.

Infelizmente, no meio de nós que pregamos a inclusão, que denunciamos a exclusão, que incentivamos o acolhimento, sem o perceber, podemos ter ciúmes de algum cristão talentoso que aparece na nossa comunidade, e se destaca de forma impressionante.

Por que isto? Por que acontece? Porque somos humanos.

Mais, a atitude do mestre diante da explicação de João, foi como sempre: serena, tranquila, firme, justa e de extrema tolerância em relação ao exorcista anónimo que usou o seu nome para fazer o bem. Jesus não está a ver aquele acontecimento pelo lado da concorrência, mais sim, pelo lado da confluência do bem, muito embora aquele indivíduo não tenha sido catequizado ou chamado por Ele. Por isso Jesus desaprova a proibição que lhe fora imposta pelos seus discípulos. Porque se alguém de fato, foi capaz de realizar um milagre, invocando o nome de Jesus, é porque esse alguém está em sintonia com Jesus.

Se Jesus hoje aparecesse de repente numa das nossas comunidades, certamente iria fazer um inflamável discurso corrigindo muitas coisinhas indevidas para não dizer erradas que andam acontecendo no nosso convívio. Uma delas é o modo fechado com que nossas comunidades operam, dificultando a entrada de novos cristãos de boa vontade que querem partilhar seus talentos dados por Deus para o crescimento da Igreja e para o bem do reino de Deus.

adapt: http://reflexaoliturgiadiaria.blogspot.com/

10 de junho de 2009

Santo Anjo da Guarda de Portugal


Os Anjos que fazem parte desse mundo invisível, a que se estende também a acção criadora de Deus, vivem inteiramente dedicados ao louvor e ao serviço de Deus. A inteligência humana tem dificuldade em exprimir a natureza dessas criaturas espirituais. A sua missão, porém, é-nos mais conhecida através da Bíblia, que, em tantos passos, dá testemunho àcerca da existência dos Anjos.
Mensageiros de Deus, em momentos decisivos da História da Salvação, os Anjos estão encarregados da Guarda dos homens (Mt. 18, 10: Act. 12,3) e da protecção da Igreja (Ap. 12, 1-9). A fé cristã crê também que cada nação em particular tem um Anjo encarregado de velar por ela.

Desde tempos muito recuados que no nosso país se conservou e fomentou a devoção ao Anjo da Guarda de Portugal.
Esta devoção ganhou especial incremento depois que se divulgou a tríplice aparição do Anjo da Guarda de Portugal aos Três Pastorinhos de Fátima.
Talvez por isso, Pio XII mandou inserir esta memória no nosso calendário litúrgico.
Passamos muitas vezes pela vida como se nada mais existisse, além do mundo material. Talvez por isso, o nosso viver é tão cheio de materialismo, e não nos recordamos dos Anjos que nos protegem e ajudam.
Peçamos humildemente perdão ao Senhor desta indelicadeza de não aproveitarmos as preciosas ajudas que Ele nos oferece para a salvação.
E prometamos andar mais despertos, de hoje em diante.

18 de abril de 2009

"A paz esteja convosco!"


O Evangelho hoje apresenta pontos essenciais para a vida cristã tais como a fé, a vida comunitária e a missão.

Retrata a experiência dos Discípulos após a morte de Jesus. Destaca-se o medo presente, simbolizado pela noite e pelas portas fechadas, que paralisa a comunidade, e pela falta de Tomé, que não estava no momento em que Jesus aparece. Provavelmente tinham medo de que acontecesse alguma coisa com eles, igual a que aconteceu com o seu Mestre. Porém, Jesus toma a iniciativa de entrar e apresenta-se diante deles, convidando-os a uma conversão: do medo à paz. As suas palavras e seus gestos fazem com que os discípulos passem do medo à alegria. A paz desejada por Jesus é plenitude de vida, que se dá interiormente, comunitariamente e na sociedade, fazendo que o Reino de Deus aconteça, por isso a alegria que transparece é o sentimento de quem tem novamente o Senhor no coração.

Nós vivemos hoje cercados pelo medo e pela insegurança trazidos pela violência, pela falta de amor, de respeito e por tantas outras situações que nos levam ao isolamento, pois quando as pessoas se tornam uma “ameaça” para nós, não nos relacionamos como irmãos. “A paz é fruto da justiça” e a paz será alcançada quando mudarmos em primeiro lugar a nossa forma de pensar e de julgar que nos leva a fecharmo-nos nos nossos pequenos grupos ou em nós mesmos. A experiência de encontro com o Ressuscitado impulsiona para uma vida nova, para um novo agir. Com a força do Espírito Santo, os Discípulos são enviados em missão como continuadores da missão que Jesus recebeu do Pai.

O texto não diz para onde os discípulos são enviados, mas menciona qual é a missão: o perdão dos pecados. Pecado, no Evangelho de João, é o fechamento em si mesmo, é o não acolher os ensinamentos de Jesus, é o não acolher Jesus como Filho de Deus, que é amor, ou seja, é o não acolher o amor. Os Discípulos recebem a missão de continuar a anunciar o amor que experimentaram em e com Jesus e incluir na comunidade aqueles que acolherem a Palavra. Podemos concluir deste relato que a nossa missão deve ter como ponto de partida uma profunda experiência de encontro com o Senhor e só assim nossa prática será a prática do amor e da misericórdia, pois como nos diz a segunda leitura “podemos saber que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos seus mandamentos”.

A comunidade reunida testemunha para Tomé, que não estava presente, que viu o Senhor. Tomé não acredita na comunidade e quer “ver para crer”, quer ter a certeza de que o Crucificado é o Ressuscitado. Jesus manifesta-se e dá a possibilidade da realização do seu desejo, mas convida-o a deixar a incredulidade. Para as primeiras comunidades foi um convite a crer no anúncio dos Discípulos que fizeram a experiência de testemunhar a Ressurreição. As nossas comunidades são convidadas hoje a vivenciar a mesma fé e a testemunhá-la.

(Adapt. Texto Ir. Sueli da Cruz Pereira – DFMI)

12 de abril de 2009

Domingo de Páscoa


"No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro.Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou..." (Jo 20, 1-9)


Aos discípulos pede-se que sejam as testemunhas da ressurreição. Nós não vimos o sepulcro vazio; mas fazemos, todos os dias, a experiência do Senhor ressuscitado, que está vivo e que caminha ao nosso lado nos caminhos da história. A nossa missão é testemunhar essa realidade; no entanto, o nosso testemunho será oco e vazio se não for comprovado pelo amor e pela doação (as marcas da vida nova de Jesus).

28 de fevereiro de 2009

Quaresma


A quaresma é o tempo litúrgico de conversão que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa. É tempo para nos arrepender de nossos pecados e de mudar algo de nós para sermos melhores e poder viver mais próximos de Cristo.
A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-Feira Santa, com a Missa vespertina. Ao longo deste tempo, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que devemos viver como filhos de Deus.
A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. É um tempo de reflexão, de penitência, de conversão espiritual; tempo e preparação para o mistério pascal.
Na Quaresma, Cristo convida-nos a mudar de vida. A Igreja nos convida a viver a Quaresma como um caminho a Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando boas obras. Nos convida a viver uma série de atitudes cristãs que nos ajudam a parecer mais com Jesus Cristo, já que por acção do pecado, nos afastamos mais de Deus. Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação fraterna. Cada dia, durante a vida, devemos retirar dos nossos corações o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que se opõem ao nosso amor a Deus e aos irmãos. Na Quaresma, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também a levar a nossa cruz com alegria para alcançar a glória da ressurreição.

22 de fevereiro de 2009

Jesus cura um paralítico

Marcos realça que Jesus "anunciava a palavra" à multidão que enchia sua casa. É próprio deste evangelista o destaque maior à palavra de Jesus, que liberta e comunica a vida. Entra em cena um paralítico, carregado por quatro homens, e segue a cena pitoresca da sua descida, deitado na maca, por um buraco feito no tecto da casa. Jesus é tocado pela fé, não só do paralítico, mas também daqueles que o acompanham. O paralítico, portador de uma deficiência física, era considerado doente. E a doença, atribuída a um castigo divino, em consequência de algum pecado cometido. Esta compreensão, com respaldo em várias passagens do Antigo Testamento, era fundamentada na teologia da retribuição: o Altíssimo premeia com riqueza e saúde os justos e castiga com pobreza e doença os pecadores. No Livro de Jó, o autor faz uma tentativa de reverter esta visão. O pecado introduzido no livro dos Génesis, na narrativa de Adão e Eva no paraíso, é essencialmente um acto de desobediência a Deus. E é com esta característica radical que aparece ao longo do Antigo Testamento. Na religião de Israel, Deus é apresentado como aquele que está presente no templo de Jerusalém e se manifesta através da Lei, com suas centenas de preceitos minuciosos, sob controle da casta religiosa. A desobediência a este poder religioso passa a ser a desobediência a Deus, passa a ser pecado. E o povo humilde e oprimido era, comummente, enquadrado como pecador. Jesus, diante daquele paralítico, dá prioridade à sua libertação da condição humilhante e excludente de "pecador". E a libertação de sua paralisia segue-se como sinal exterior de sua dignidade restaurada.

8 de fevereiro de 2009

Ai de mim se não evangelizar!


"Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória,é uma obrigação que me foi imposta. Ai de mim se não anunciar o Evangelho! Se o fizesse por minha iniciativa,teria direito a recompensa.Mas, como não o faço por minha iniciativa,desempenho apenas um cargo que me está confiado.Em que consiste, então, a minha recompensa?Em anunciar gratuitamente o Evangelho,sem fazer valer os direitos que o Evangelho me confere." (1Cor.9,16-18)


No ano dedicado ao Apóstolo dos gentios, temos de redescobrir a urgência da missão, a qual não se identifica com o proselitismo, constrangendo os outros a adoptar o nosso modo de pensar e de ver, nem se reduz a uma mera inculturação do Evangelho, mas que antes é uma encarnação da Palavra de Deus na multiplicidade de condições humanas, línguas e costumes das pessoas que se vão encontrando.

A exclamação Paulina «Ai de mim se eu não anunciar o evangelho», é igualmente válida para todo aquele que, sendo leigo, presbítero ou bispo, recebeu das mãos da Igreja o Evangelho, esse mesmo Evangelho que deve propagar como se difunde «o perfume de Cristo» (2Cor 2,15) entre aqueles que estão perto e os que estão longe. Façamos nossa também a interpelação endereçada por Paulo à Igreja no que respeita ao mistério audaz e difícil da missão: «como hão-de invocar o Senhor, se antes não tiverem acreditado nele? E como hão-de acreditar, se dele não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, sem haver alguém que o anuncie? E como hão-de anunciar, sem primeiro terem sido ouvidos? Tal como está escrito: Quão belos são os pés dos que anunciam a boa-nova»(Rm 10,14-15). Se «a fé nasce da escuta, e a escuta nasce da Palavra de Cristo» (Ro 10,17), então a nossa responsabilidade perante o Evangelho que nos foi confiado no início do nosso apostolado é grande; uma responsabilidade de que seremos chamados a prestar contas no termo da nossa existência.

O Senhor não quer que acabemos por desvalorizar o Evangelho que foi depositado em nós como «um tesouro, em vasos de barro» (2Cor 4,7), mas quer antes que arrisquemos tudo para o fazer comercializável e vendível. Jesus Cristo em pessoa é o tesouro, achado no meio do campo, pelo qual vale a pena vender quanto possuímos e somos, a fim de o adquirir. Por ele somos chamados a considerar tudo como «lixo, a fim de ganhar Cristo e nele achados» (Fl 3,8-9). O Evangelho completa a sua carreira com os pés cansados, cobertos de pó e não raro feridos, com os pés de quem, como Paulo, «nada mais quis saber, a não ser Jesus Cristo e este crucificado» (1Cor2,2)Tal é a mensagem, da mais desconcertante actualidade, que Paulo transmite à Igreja missionária dos nossos dias.

(D.José Card. Saraiva Martins)