26 de outubro de 2008

«Amarás o teu próximo como a ti mesmo»


O estudo da Lei de Moisés tinha levado a um número indeterminável de normas, somavam um total de 613 as prescrições, mandamentos e proibições que os escribas observavam do Antigo Testamento. Por isso, não é de estranhar que alguns fariseus tenham tentado confundir Jesus, questionando-o e assim encontrarem um pretexto para o acusar, demonstrando que Jesus não sabe interpretar a Lei e por tal não é digno de crédito. Dirigindo-se ao “Mestre” perguntaram-lhe qual é o mandamento mais importante dentre tantos.


Jesus responde: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”; e o segundo que Jesus relaciona intimamente a este primeiro é: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.


Não interessa qual deles é o mais importante, mas sim onde está a origem de todos eles. E a origem está no Amor.

Mas talvez  seja bom determo-nos num detalhe que muitas vezes nós nem nos apercebemos e que sem uma boa compreensão deste detalhe, inclusive a sua prática, ficamos impedidos de praticar o mandamento que o próprio Jesus nos pediu.


Já paramos para pensar se nos amamos a nós mesmo? Nos dias que correm mais do que nunca, vemos tantas pessoas magoadas, feridas, insatisfeitas, mal amadas, tristes, amargas, doentes emocionalmente, mentalmente e espiritualmente. Na  sociedade em que vivemos, um grande número de pessoas não se ama, não gostam delas mesmas, não se sentem satisfeitas com elas mesmas; Odeiam seu jeito de ser, odeiam seu corpo, etc. E estas pessoas  todas nem sabem que isto é com certeza a raiz de muitos dos problemas das suas vidas: é falta de amor-próprio.

Ninguém pode dar aquilo que não tem. Assim, nós só podemos dar amor ao nosso próximo se aceitarmos esse amor de Deus na nossa vida e consequentemente nos amarmos.

Que todos nós saibamos acolher o amor imenso que Deus tem por cada um de nós, para que assim possamos amá-lo, amar a nós mesmos e assim, cheios de amor, amar de coração sincero o nosso próximo.

Não interessa qual dos mandamentos é o mais importante, mas sim onde está a origem de todos eles.

E a origem de todos eles está no Amor.

11 de outubro de 2008

Somos chamados ao banquete


Mt 22,1-14

A liturgia deste domingo utiliza a imagem do “banquete” para descrever esse mundo de felicidade, de amor e de alegria sem fim, que Deus quer oferecer a todos os seus filhos e filhas.Na nossa vida corrente, quando queremos homenagear alguém ou celebrar um grande acontecimento, fazemos um banquete. Porque o comer e o beber juntos, em ambiente fraterno, é fonte de muita alegria e felicidade, é que o povo bíblico deu ao banquete um valor sagrado. Ele é símbolo da Aliança e entra nos grandes acontecimentos dos povos e da relação de Israel com Deus. A própria eucaristia foi instituída no interior de um banquete. À eucaristia chamamos “sagrado banquete”.

          Na primeira leitura, Isaías anuncia o “banquete” que um dia Deus, na sua própria casa, vai oferecer a todos os povos. Isto significa que Deus tem, para nós, um projecto de vida, de amor e de festa, porque somos pessoas amadas por Ele, com um amor eterno e incondicional. É importante que tomemos consciência desta realidade, para que ela projecte luz, serenidade e confiança na nossa vida quotidiana. A nós, basta-nos aceitar o convite de Deus para participar neste “banquete”, isto é, basta-nos aceitar viver em comunhão com Ele, para que, na nossa vida, saibamos dar prioridade ao amor, testemunhar os valores do Reino e construir, aqui e agora, um mundo novo, onde brote a justiça, a solidariedade, o amor e a partilha, a todos os níveis.
          O evangelho utiliza também a imagem do “banquete” como exemplo, para designar a felicidade escatológica, isto é, aquele felicidade eterna, a que somos chamados no fim da nossa vida sobre a terra, e que começa desde agora e aqui. Esta felicidade advém-nos da participação no “banquete” celeste oferecido a todos, mulheres e homens, pobres e ricos, cristãos e pagãos, pecadores e fiéis. É um banquete universal! Não há nenhuma condição humana, que nos possa impedir de ter acesso a este “banquete”, se nós quisermos “agarrar” o convite de Deus. Os interesses e as conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos desafios de Deus. A opção pela participação no “banquete”, que fizemos no dia do nosso baptismo, é um compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente.
(reflexão: irmã Deolinda Serralheiro)

28 de setembro de 2008

Fazer a vontade do Pai!


Mateus 21, 28-32 

A parábola de Jesus é sobre o procedimento de dois irmãos. O pai, que era dono de uma vinha, chamou um deles e mandou que fosse trabalhar na vinha. Um dos filhos respondeu que ia, mas não foi. O pai chamou então o segundo e deu a mesma ordem: que fosse trabalhar na vinha. Ele respondeu “não quero”; mas logo se arrependeu, e foi trabalhar. Jesus fez então a pergunta: “Qual dos dois fez a vontade do pai?” E a resposta unânime foi: “o último”. E Jesus concluiu, tirando a grande lição que queria tirar: “Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes vos precederão no Reino de Deus. Porque veio a vós João, no caminho da justiça, e não crestes nele; ao passo que os publicanos e as meretrizes creram nele; vós, porém, nem mesmo diante de tais exemplos, vos arrependestes para nele crerdes” (Cfr Mt 21,28-32). O importante é fazer a vontade de Deus. Ele é que dá ao justo a força da graça para fazer o bem; e Ele é que dá ao pecador a penitência do coração para que deixe o pecado. Por isso, é possível que alguém caminhe por muito tempo no erro e no pecado, e um dia reencontre o caminho do bem. A alegria da conversão! Que nunca nos venha o desânimo por termos caído no pecado. A misericórdia de Deus está para nos receber de volta. Como também nunca nos vamos deixar adormecer na tranquilidade de estarmos a fazer o bem, como se nos tivéssemos tornado impecáveis. Há sempre o perigo da tentação e da queda. Temos que nos manter vigilantes, para perseverarmos hoje, amanhã e sempre. “Aquele que perseverar até o fim, estará salvo”, como está escrito no Evangelho (Mt 10,22; 24,13). O que Deus quer de nós é a nossa paz; e a nossa felicidade, então, consiste em fazer a vontade de Deus. Sempre! Dante, na Divina Comédia, tem um verso particularmente bonito. E o verso 85 do canto III do Paraíso. O Divino Poeta está perguntando a uma alma bem-aventurada se não lhe vem às vezes a vontade de pedir a Deus que lhe dê um lugar mais alto do que esse em que está no Céu. A resposta é que ali ninguém quer outra coisa, senão aquilo que a vontade de Deus lhe deu. Nessa vontade é que se encontra a sua paz: “Na vontade de Deus, a nossa paz”, como poderíamos traduzir livremente o belo verso. Aliás esse verso foi o que teve mais votos numa pesquisa internacional que se fez sobre qual seria o verso mais belo de Dante. Nunca encontraríamos a paz fora da vontade de Deus. Essa vontade é cheia de luz e de amor. Nela encontraremos a luz, encontraremos o amor, encontraremos a paz.

(adapt.Pe. Lucas de Paula Almeida)

 

- A que grupo pertencemos?


Ao primeiro, ao segundo? Ou um pouco de cada? Ou seria melhor que fôssemos como o terceiro filho, do qual a parábola não fala: aquele que diz "Sim" e vai mesmo!

20 de setembro de 2008

Os últimos serão os primeiros


Mt.20,1-16

O centro da pregação de Jesus era O Reino de Deus (ou dos Céus, em Mateus, o que significa a mesma coisa). Mas, Jesus nunca define o Reino, sempre o descreve por meio de parábolas, para que o ouvinte se esforce por descobrir quais são os valores que tornam o Reino de Deus presente no meio de nós.

A parábola de hoje nasce no contexto da realidade agrícola do povo da Galileia. Era uma região rica, de terra boa, mas o seu povo era pobre, pois as terras estavam nas mãos de poucos, e a maioria trabalhava como arrendatários ou como assalariados temporários.

Para a comunidade de Mateus, a parábola tinha mais um sentido. Começavam a entrar pagãos na comunidade, e muitos cristãos de origem judaica tinham dificuldade em aceitá-los em pé de igualdade - eram “da última hora”. Mateus conta a parábola para ensinar que no Reino, experimentado através da comunidade, não pode haver discriminação entre cristãos de várias origens; por isso, “os últimos serão os primeiros”. O critério é a gratuidade de Deus Pai, pois tudo o que temos, recebemos d’Ele, e sendo todos filhos amados d’Ele, a comunidade cristã não pode discriminar pessoas, por qualquer motivo.

(adapt. Pe. Tomaz Hughes, SVD)

14 de setembro de 2008

Exaltação da Santa Cruz

Foi no ano 335, por ocasião da dedicação de duas basílicas constantinianas de Jerusalém, a do Martyrium ou Ad Crucem no Gólgota, foi construída sobre o Monte do Gólgota, e a do Anástasis, isto é Ressurreição, foi construída no lugar em que Cristo Jesus foi sepultado e foi ressuscitado pelo poder de Deus, sendo celebrada pela primeira vez a festa em honra da Santa Cruz, estas basílicas foram construídas em Jerusalém por ordem de Constantino, filho de Santa Helena.

Quando a Santa Cruz foi exaltada ou apresentada aos fiéis. Encontrada por Santa Helena, foi roubada pelo rei persa Cosroe Parviz, durante a conquista da cidade Santa e a partir do século VII comemora-se a recuperação da preciosa relíquia pelo imperador Heráclio em 628. Os historiadores contam que o imperador levou a Santa Cruz às costas desde Tiberíades até Jerusalém, onde a entregou ao patriarca Zacaria, no dia 3 de Maio de 630 tendo sido a Festa da Exaltação da Santa Cruz também a ser celebrada no Ocidente.


A celebração actual tem um significado bem maior do que o encontro pela piedosa mãe do imperador Constantino, Santa Helena. A festividade lembra aos cristãos o triunfo de Jesus, vencedor da morte e ressuscitado pelo poder de Deus. Cristo, encarnado na sua realidade concreta humano-divina, se submete voluntariamente à humilde condição de escravo (a cruz era o tormento reservado para os escravos) e o suplício infame transformou-se em glória perene. Assim a cruz torna-se o símbolo e o compêndio da religião cristã.

3 de agosto de 2008

Partilhar o Pão

Tendo-se retirado para um lugar deserto, Jesus é seguido pela multidão.
Ao entardecer os discípulos sugerem que a multidão seja enviada para comprar comida.
Jesus, porém, apresenta-lhes outra solução: "Vós mesmos dai-lhes de comer". Há uma compreensão comum de que Jesus fez os pães multiplicarem-se. Contudo, ao ser tentado pelo demónio, após seu baptismo, Jesus rejeitou transformar pedras em pães (Mt 4,3-4). Assim também não cabe a Jesus transformar pão em pães, multiplicando-os. Jesus fez um gesto de partilha, com o que tocou os corações de todos. Assim todos aqueles que tinham algum alimento o partilharam também, e todos ficaram saciados. O milagre de Jesus é tocar os corações, comunicando-lhes seu amor solidário e fraterno.
Jesus abençoa os pães e peixes que os discípulos lhe trazem. Abençoar significa redireccionar a Deus aquilo que é de Deus. Significa desvincularmo-nos dos bens em nossa posse, colocando-os ao alcance de todos. A bênção liberta também o coração, e a generosidade leva à partilha e à saciedade de todos.
A partilha é a expressão do amor de Jesus. Nada nos deve separar deste amor (como nos diz S.Paulo) que se manifesta hoje nas pessoas e comunidades que buscam a justiça e consolidam a fraternidade.Eis o grande milagre da vida. Deus dá em abundância para todos. Basta que saibamos colher o dom de Deus e reparti-lo entre todos. Dá para todos ficarem satisfeitos e ainda sobrar para os que vêm depois de nós. O grande milagre não é multiplicar os pães e os peixes, mas repartir o pão e o peixe que cada um tem, entre todos os outros. E sobram doze cestos cheios! Exactamente o número das doze tribos do povo de Deus... É esse o povo que Jesus veio formar e, com ele, fundar um mundo novo, uma nova sociedade e uma nova história. Um povo que celebra o banquete da vida, superando o banquete da morte.
(Adapt. Homilia prof diácono Miguel Teodoro)

As práticas características do Jubileu III



*Indulgência
“A Indulgência é a remissão, perante Deus da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada (=perdoados quanto à culpa); remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela acção da Igreja que, enquanto dispensadora (=ministra) da redenção distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”
“A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberte em parte ou totalmente da pena temporal devida pelos pecados. Todo o fiel pode obter para si mesmo ou aplicar pelos defuntos, à maneira de sufrágio, as indulgências tanto parciais como plenárias”
A indulgência é assim definida no Código de Direito Canónico (Cf.cân.992) e no Catecismo da igreja Católica (n.1471).


A indulgência é um dos sinais que caracterizam o Ano Jubilar. Nela se manifesta a plenitude da misericórdia do Pai, que vem ao encontro dos filhos, com o Seu amor feito perdão, não só das culpas, como dos danos (=penas), causados por elas. (cf.IM9).
A indulgência é a misericórdia do Pai, administrada pela Igreja, através sobretudo do Sacramento da Reconciliação.
A Igreja, que recebeu de Jesus Cristo o poder de perdoar em Seu nome (Mt.16,19; Jo.20,23) é, no mundo, a presença viva do amor de Deus.
Pelo pecado, os fiéis auto-«excomungam-se», afastando-se da comunhão com Cristo e com a Igreja, que é «Comunhão de Santos».
Obter (=ganhar) a indulgência significa entrar, ou aprofundar, ou regressar a esta «Comunhão de Santos», que é a Igreja; ou seja, abrir-se totalmente ou abrir-se de novo aos outros.

Para entender esta doutrina e esta prática da Igreja no que respeita às «indulgências» é necessário lembrar que o pecado tem uma dupla consequência.
O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus (=graça de Deus), e por isso torna-nos incapazes da vida eterna, a esta privação chama-se “pena eterna” do pecado.
Todo o pecado, mesmo o venial, provoca uma perturbação como que uma transgressão da lei divina e um desprezo da amizade de Deus, oferecida em Cristo a todos os homens, que precisa de purificação seja nesta vida, seja depois da morte, no estado que se chama Purgatório. Esta purificação liberta do que se chama a “pena temporal” do pecado.

O perdão do pecado e a restauração da comunhão com Deus (através do Sacramento da Reconciliação e Penitência) implicam a abolição das penas eternas do pecado.
Mas o processo não acaba aqui, pois, subsistem as penas temporais as quais provocam uma desordem quer a nível pessoal que a nível social (=danos), o homem precisa de ser curado dos efeitos negativos do pecado (restos e penas do pecado). Para uma cura completa o pecador precisa de percorrer uma caminhada de purificação. Neste percurso o homem é interpelado em ordem à sua conversão profunda, a uma real mudança de vida, que diminui progressivamente o mal interior.

A indulgência só tem sentido nesta total renovação interior e conversão do coração. Pois a indulgência é concedida ao pecador arrependido para remissão da pena temporal devida pelos seus pecados já perdoados quanto à culpa.